O Paquistão dias depois da soltura de Asia Bibi

Como a maioria muçulmana está reagindo à conclusão do caso e o que isso representa para a minoria cristã

| 02/11/2018 - 00:00

Absolvida e solta, Asia Bibi pode estar correndo ainda mais risco, assim como todos os cristãos do Paquistão

Absolvida e solta, Asia Bibi pode estar correndo ainda mais risco, assim como todos os cristãos do Paquistão


Aasiya Noreen (conhecida como Asia Bibi), uma das prisioneiras mais conhecidas do mundo, foi solta. A cristã paquistanesa havia sido presa em junho de 2009 após uma discussão com algumas mulheres muçulmanas na fazenda onde trabalhava. Em 2010, foi condenada ao enforcamento por blasfêmia. Desde então, estava no corredor da morte. A maior parte dos últimos oito anos ela passou confinada na solitária.

Na prisão, a maioria das mulheres acordava antes da 5h da manhã para a primeira oração islâmica do dia. Nessa hora, as celas são destrancadas e elas recebem chá e roti (pão paquistanês, semelhante ao pão sírio) como café da manhã. Mas Asia tinha que preparar sua própria comida com os poucos ingredientes que recebia. Uma das razões para isso era evitar que sua comida fosse envenenada. Depois do café, elas tomavam banho, mas não sabemos se Asia também tinha acesso a esse “privilégio”. De manhã, as prisioneiras faziam suas tarefas diárias, como limpar o local. Alguns dizem que a Asia eram reservadas as tarefas mais humilhantes. Todos os dias eram iguais na prisão.

Os manifestantes estão nas ruas. E onde está Asia Bibi?

Agora que está livre (supondo que a ordem da Suprema Corte foi cumprida imediatamente), as autoridades não falam nada sobre o paradeiro da cristã. Mas o silêncio faz sentido, considerando que a vida dela pode estar mais em risco agora do que nunca, especialmente se ela ainda está no país. No Paquistão, a mídia está proibida de especular sobre onde ela está.

Enquanto isso, em várias cidades do país, protestos são realizados por radicais islâmicos que querem a execução de Asia e dos juízes que julgaram o caso, e o governo tem dificuldade de controlar a situação. Em um comunicado na TV, o primeiro-ministro disse que o Paquistão foi fundado “em nome do islã” e que o veredito da Suprema Corte está em acordo com a constituição, a qual por sua vez está alinhada aos ensinamentos do alcorão. Ele criticou duramente os protestos.

A comunidade cristã está insegura e com medo

Uma líder da organização ALIVE comentou sobre o pronunciamento do primeiro-ministro e se ressente de ele não ter dado nenhuma palavra de apoio aos cristãos. “Ele disse que os protestos estavam custando dinheiro para a nação, parando bancos e empresas. Ele também disse que a decisão da Suprema Corte é final. Mas não disse nenhuma palavra que mostrasse alegria por Asia e também não pediu pela segurança das minorias. Além disso, ele não dirigiu nenhuma palavra aos cristãos, como ‘não temam’”. Ela teme que quando os extremistas pararem os protestos, comecem a atacar às igrejas.

Uma enfermeira cristã paquistanesa contou: “Estamos todos sendo intimidados esta manhã. Estão tentando nos distratar ao dizer coisas desagradáveis enquanto trabalhamos. Alguém mexeu no meu kit [de trabalho] hoje de manhã. Eles nos xingam e o estresse está aumentando. Estou com medo. Orem por nós”. Essa enfermeira ligou para a ALIVE e um colaborador, sussurrando, orou com ela pelo telefone. Ela pediu orações especiais pelas enfermeiras.

Uma professora cristã foi expulsa de um Uber quando o motorista descobriu que ela era cristã. “Eu estava ao telefone com meu marido e terminei falando ‘Jesus vai te guardar em segurança’, disse a professora. Um outro cristão que tem um alto cargo em uma instituição local recebeu a ordem de seus superiores para ir para casa. “Era uma notificação oficial de que todos os cristãos deveriam ir para casa. Mas era para minha segurança ou era uma ameaça? Será que ainda vou ter meu emprego quando voltar lá? Eu não sei. Então fui para casa e fiz uma refeição de ações de graças com minha família para celebrar a libertação de Asia. Hoje eu vou apenas celebrar. O amanhã está nas mãos de Deus”, conclui o cristão perseguido.

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