Johnny Li: "apesar dos desastres, a luz brilha no escuro"

Johnny Li, Correspondente Internacional da Portas Abertas, nascido e criado em Hong Kong, mudou-se para a China com sua mãe aos 11 anos. O pai de Johnny morreu quando tinha sete anos. Ao lado do Irmão David, ele trabalhou no maravilhoso Projeto Pérola, que constituiu na entrega de um milhão de Bíblias em uma só noite.

"Como resultado, me tornei membro de uma gang de mafiosos e fiz todo tipo de maldades antes de conhecer Jesus Cristo. O Senhor provocou uma mudança tremenda em minha vida”, contou Johnny Li à ANS.

"Eu era um idólatra que adorava qualquer ídolo budista que me desse poderes sobrenaturais – eu passava por tortura sem sentir dor – até que o Senhor me encontrou. Em poucos anos, dediquei minha vida ao Senhor e Ele abriu portas para meu ministério na China. Esse é outro capítulo em minha vida”, disse Johnny.

A seguir, a entrevista que ele concedeu aos jornalistas Dan e Peter Wooding, em que traz notícias atuais da situação na China: 

Com um passado violento como o seu, com tantas experiências ruins, ao se tornar cristão houve uma mudança instantânea ou gradual?

Bem, comigo aconteceu assim – mudei assim que me voltei para o Senhor e fiz a primeira oração de minha vida. Eu não sabia como orar, mas o fiz e nunca mais voltei para a vida de mafioso. Depois de um tempo, voltei para falar de Jesus Cristo aos meus antigos companheiros e nenhum dos espíritos malignos me perturbou. Foi um milagre.

Fale mais sobre o que você está fazendo. Sei que você não pode falar tudo porque o governo não pode saber, mas fale um pouquinho do que você e outros ministérios estarão fazendo para que as boas novas cheguem aos Jogos Olímpicos.

Em julho do ano passado conheci um homem que foi preso praticamente por toda sua vida antes e depois do Pérola. Isso foi durante mais de 30 anos. O homem tem por volta de 80 anos e depois que conversamos, ele me disse: ‘Vou continuar pregando o Evangelho’.

Trinta anos! Ele e a esposa praticamente não se viram depois do casamento porque estavam em prisões diferentes e sua esposa morreu na prisão – eles não tiveram filhos – e ele sorri quando me diz uma coisa dessas. O homem era uma das pessoas chaves do Projeto Pérola.

E ele foi preso por causa da entrega?

Foi. Ele sorria enquanto conversávamos e disse ‘irmão, eu não entendo porque Deus me colocou nessa prisão por 30 anos’, mas ele não estava reclamando.

Conte mais sobre as coisas que estão acontecendo na China.

Estou surpreso com tantas coisas que estão acontecendo na China. Há cerca de dois meses dois terços do país estavam cobertos de neve. Isso é uma coisa estranhíssima, porque há mais de 50 anos não neva em alguns lugares daqui. As casas não possuem aquecimento ou isolamento, mas podemos ver que Deus está agindo. Acabei de receber uma boa notícia e temos alguns irmãos que estão plantando arroz porque sua colheita foi totalmente destruída e que estão indo ministrar às pessoas.

O terremoto que abalou áreas rurais é o maior já registrado na história. Oficialmente já falam em 80 mil mortos. Então, veja bem, vocês conhecem uma parte da China – Shangai, Pequim – com todos os seus arranha-céus e todas as coisas boas acontecendo, mas se vocês vissem o quadro que eu vejo, vocês não acreditariam.

Esse quadro também faz parte da China porque esses lugares onde aconteceram desastres não possuem estradas, instrumentos, eletricidade, nada. Por causa da neve é impossível comprar comida, eles não têm dinheiro, como podem as pessoas sobreviverem? Mas a luz brilha no escuro. Isso não é lindo?

E a perseguição?

A China cresceu muito em algumas áreas nos últimos cinco ou dez anos. Financeiramente e politicamente. Na liberdade religiosa. Claro que eu posso falar sobre a perseguição na China – ainda temos muitos testemunhos da clássica perseguição acontecendo hoje. Mas a China está mudando.

Eu acho que está melhorando – está ficando melhor; claro, novamente, não estou dizendo que é perfeita. Ela não é perfeita, ainda precisamos pressionar, mas a China está mudando e mudando para melhor. A Olimpíada, por exemplo: eu estava em uma das cidades que receberá os jogos e os líderes da igreja local me disseram que foram avisados pelas autoridades no ano passado para que parassem com suas reuniões e esperassem até o fim dos jogos.

Estava em Pequim em agosto passado e o líder dali me disse a mesma coisa. Há alguns dias, falei com uma irmã que estava sendo monitorada – até eu estava grampeado – e sua igreja doméstica, uma jovem liderando reuniões e pregando em sua igreja em Shangai, muito empolgante, uma ministração de avivamento – há uma onda de avivamento na China. Aquele típico avivamento estava nas igrejas domésticas em áreas remotas.

Conte sobre o avivamento no país.

Sabemos que milhares de pessoas estão saindo das vilas e indo para as cidades trabalhar e há ali outra onda de avivamento. As pessoas estão indo de vila em vila, elas se movem junto com os trabalhadores de Shangai e Pequim e ministram a eles. E existe mais uma onda de avivamento.

Uma das irmãs tem um ministério em sua igreja e em poucos anos centenas de pessoas chegaram e a igreja cresceu significativamente, mas desde o ano passado a igreja não pode mais se reunir e então eles começaram a se reunir em casas que foram grampeadas e monitoradas pela polícia.

Estive com um grande amigo meu, o irmão John, em junho passado, e gostaria encontrá-lo novamente agora, mas infelizmente ele foi sentenciado a sete anos e meio de prisão. Eu me encontrei com a esposa dele em janeiro e levei algumas cartas da Portas Abertas para confortá-la.

O irmão John esteve preso por 12 anos antes deste período e sua esposa simplesmente sorri e diz: ‘Sabe, eu entendo. Meu marido me disse que sabia que estava na prisão porque ali alguns líderes podiam ir visitá-lo e ele poderia falar do Evangelho dia e noite para eles.

Você consegue enxergar coisas boas como resultado dos Jogos Olímpicos?

Sim, acredito que coisas importantes acontecerão porque missões estão focadas em quanto a China pode se abrir ou se podemos evangelizar como uma igreja na América ou na Europa. Então, é uma boa abordagem. Se pressionarem um pouco, pode ser que a China se abra mais. Porém, ministérios como Portas Abertas são um pouco diferentes da maioria das igrejas e dos eventos que acontecerão durante a Olimpíada.

Estamos mais reservados porque nosso trabalho na China não é em razão dos Jogos; estamos aqui praticamente desde a década de 60 quando ninguém mais estava. Ninguém distribuía Bíblias na China como fazíamos.

Então, nossa missão é de longo alcance e temos décadas de compromisso com a China e entendemos que o governo precisa proteger e ele tem vários motivos para se preocupar com a segurança com todos os olhos voltados para cá.

Como resultado, vemos uma postura em relação às igrejas domésticas, pessoas que não podem voltar para casa... Então, por causa disso, nossos colegas na China estão mais reservados, mas ainda estamos falando de milhões de livros que estamos levando para a China, só que diminuímos de quatro para três milhões. Bem, aqui temos 1,3 bilhão de pessoas, então, um milhão a menos é apenas uma gota no balde.

Você pode nos falar sobre os planos da Portas Abertas para a Olimpíada ou é segredo?

Não posso. Estamos bastante ativos e encorajamos outras igrejas e missões que, naquilo que não podemos fazer, precisam de parceria para fazê-lo. A Portas Abertas está lançando uma Bíblia para jovens e entregamos o Evangelho de João nesta edição jovem para as agências missionárias a fim de que eles possam trazer para a China e fazer evangelismo pessoal.

À medida que nos aproximamos desse período importante para a China, com os Jogos Olímpicos, como você falaria às pessoas que estão orando pelo país neste ano?

Deixe-me responder essa pergunta fazendo outra pergunta a seus leitores. Como você quer que o futuro da China seja? O país está mudando, provavelmente, com muito mais rapidez do que os Estados Unidos, a Grã-Bretanha e a Europa. Acredito na minha oração e na oração do meu povo para levar o país ao futuro que queremos, que é que ele se torne um país missionário.

E, para atingir a esse objetivo, há muitas pessoas sendo treinadas, equipadas e preparadas. A Igreja da China é uma Igreja Perseguida e queremos ministrar de perseguidos para os perseguidos.

Estive na Coréia do Norte e foi incrível, fiquei fascinado em ver como os chineses podem fazer coisas ali que os ocidentais não podem. Mesmo no Paquistão, de onde acabei de voltar com minha equipe. Nenhum branco pode fazer coisas que os missionários chineses podem.

Não somos missionários como os americanos ou os europeus – não temos dinheiro para construir hospitais ou escolas, e não falamos um inglês muito bom, não falamos a mesma língua. Não temos experiência, mas Deus tem um chamado para a Igreja da China. Acho que esse é meu objetivo; acredito que minha oração e a oração de meu povo é que queremos ir e participar da evangelização do mundo.