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Mais de dez mil igrejas fechadas em Ruanda 

Exigências severas e repressão estatal transformam o cenário da igreja no país
Portas Abertas • 24 jan 2026
A situação reflete a violência contra cristãos na África Subsaariana (foto representativa)

Mais de dez mil igrejas foram fechadas em Ruanda em meio a uma campanha de repressão em que a liberdade de religião ou crença está sofrendo ataques. A situação começou com a introdução da lei de 2018 que regulamenta os locais de culto e se tornou ainda mais crítica este ano, gerando preocupação, pois governos africanos, como o da Tanzânia, e até de países da Lista Mundial da Perseguição 2026, como Moçambique e Etiópia, estão considerando leis semelhantes. 

Exigências rigorosas impostas pela lei de 2018 

Desde que foi formalizada, a lei exige requisitos extremamente rígidos de igrejas e mesquitas sobre segurança, higiene, infraestrutura e registro, muitas vezes impossíveis para as comunidades religiosas alcançarem. Entre as exigências estão:  

  • banheiros posicionados a uma distância específica da entrada;
  • instalação de um tipo específico de forro de lona, mesmo com risco de incêndio;
  • isolamento acústico obrigatório;
  • estradas de acesso e pátios pavimentados; 
  • paredes internas e tetos rebocados e pintados (tijolo aparente proibido); 
  • instalação de para-raios;
  • pastores formados em Teologia em instituição acreditada;
  • apenas instituições que ofereçam Ciência e Tecnologia podem ensinar Teologia;
  • igrejas que desejam registro devem comprovar mil membros.

Embora, no papel, as regras se apliquem tanto a cristãos quanto a muçulmanos, cristãos locais relatam que muito menos mesquitas foram afetadas. Entenda o que é opressão islâmica e como esse tipo de perseguição afeta cristãos atualmente.  

Cristãos presos por celebrar a ceia em Ruanda 

Cinco cristãos foram presos este ano após realizarem um culto de ceia em uma igreja doméstica. Embora a condenação tenha acontecido em novembro de 2025, as prisões ocorreram apenas agora. O casal que cedeu sua casa para o culto foi acusado de “recusar-se a parar de testemunhar a fé”, informou uma fonte à Portas Abertas

Até o momento, essa é a terceira prisão relacionada à lei de 2018. Em março de 2018, seis pastores foram detidos acusados de desafiar o fechamento de templos em Kigali e em 2019, o governo prendeu um missionário americano e se recusou a renovar seu visto para continuar atuando no país. 

O presidente Paul Kagame expressou abertamente sua posição contrária à reabertura das igrejas. “Se dependesse de mim, eu não reabriria nem uma única igreja”, ele disse em novembroPara o governo, a igreja é um resquício do período colonial.   

“A declaração do presidente Paul Kagame de que as igrejas fechadas não serão reabertas mostra que as ações do governo vão além da regulação legítima de padrões de higiene e saúde pública. Sentenciar indivíduos à prisão por testemunhar e reunir-se em encontros domésticos reflete uma tentativa deliberada de controlar e suprimir instituições religiosas e a prática livre da fé”, afirma um analista da Portas Abertas. 

Desperta África: pelo fim da violência e início da cura 

A perseguição em Ruanda reflete a pressão crescente sobre cristãos em toda a África Subsaariana. Fortaleça a Igreja Perseguida participando da campanha Desperta África. Assine a petição

Como orar pela igreja em Ruanda e na África Subsaariana? 

  • Ore para que o governo de Ruanda tenha uma mudança de coração e alivie os requisitos para os locais de culto.
  • Interceda por sabedoria para os líderes cristãos, monitorados de perto. 
  • Agradeça pelo testemunho fiel dos cristãos presos e interceda para que o Senhor os sustente. 
  • Ore para que o Reino de Deus cresça na África Subsaariana apesar das restrições crescentes. 
Um mulher olha para frente vestida com uma bata e turbante rosa com partes azuis e um lenço amarelo em volta de seu colo. No fundo marrom, lê-se "pelo fim da violência na África Subsaariana" e o botão em laranja "Assine a petição"