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Etiópia

ET
Etiópia
  • Tipo de Perseguição: Protecionismo denominacional, opressão islâmica, paranoia ditatorial, hostilidade etno-religiosa
  • Capital: Adis Abeba
  • Região: Sul e Leste da África
  • Líder: Sahle-Work Zewde
  • Governo: República parlamentarista
  • Religião: Cristianismo e islamismo
  • Idioma: Amárico, oromo, tigrínia, somali
  • Pontuação: 65


POPULAÇÃO
112,7 MILHÕES


POPULAÇÃO CRISTÃ
67,4 MILHÕES

Como é a perseguição aos cristãos na Etiópia? 

Na Etiópia, a perseguição geralmente depende do tipo de cristão que se é ou de onde mora. Por causa do relacionamento especial do governo com a Igreja Ortodoxa Etíope, outras denominações – especialmente protestantes evangélicos e pentecostais – são perseguidas pelo Estado e pela Igreja Ortodoxa. Os cristãos que mudam de denominação e deixam a Igreja Ortodoxa estão sujeitos à pressão da família e da comunidade e podem enfrentar maus-tratos significativos. Além disso, as igrejas podem ser impedidas de realizar reuniões religiosas. 

Outro fator importante para a perseguição na Etiópia é o extremismo islâmico. Particularmente nas partes leste e sudeste do país, os convertidos do islamismo ao cristianismo podem ser perseguidos e oprimidos pela família e comunidades vizinhas. Em algumas dessas regiões, os cristãos não têm acesso aos recursos da comunidade, são condenados ao isolamento e discriminados. Além disso, alguns cristãos estão sujeitos à violência quando extremistas islâmicos atacam igrejas e casas. 

As mulheres também estão sujeitas a perseguições específicas na Etiópia. Mulheres cristãs foram forçadas a se casar com não cristãos e depois renunciar à fé. E se uma mulher se converte ao cristianismo em uma área não cristã, é mais provável que ela se divorcie do marido. Ela também pode perder a custódia dos filhos. 

“Meus parentes são muçulmanos e oram cinco vezes ao dia. Quando aceitei Jesus Cristo, parei de orar com eles. Eles me disseram que eu contaminei a cultura. Na verdade, eles disseram que eu traí a eles e à fé. Eles me forçaram a sair de casa e se recusaram a me dar comida e abrigo. Eles até ameaçaram me matar, pois acham que quando eu ficar com fome, vou voltar. Apesar de todas essas coisas, a proteção de Deus me salvou.” 

Khalid, cristão perseguido na Etiópia 

O que mudou este ano? 

A Etiópia subiu três posições na Lista Mundial d Perseguição 2021 em relação ao relatório de 2020. Em grande parte por causa de um aumento na violência contra os seguidores de Jesus. Durante a pandemia de COVID-19, os cristãos foram visados e discriminados quando a ajuda do governo foi distribuída. Muitos tiveram a ajuda negada por causa da fé. 

Quem persegue os cristãos na Etiópia 

O termo tipo de perseguição é usado para descrever diferentes situações que causam hostilidade contra cristãos. Os tipos de perseguição aos cristãos na Etiópia são: protecionismo denominacional, opressão islâmica, paranoia ditatorial, hostilidade etno-religiosa. 

Já afontes de perseguição são os condutores/executores das hostilidades, violentas ou não violentas, contra os cristãos. Geralmente são grupos menores (radicais) dentro do grupo mais amplo de adeptos de uma determinada visão de mundo. As fontes de perseguição aos cristãos na Etiópia são: líderes religiosos cristãos, parentes, cidadãos e quadrilhas, líderes religiosos não cristãos, oficiais do governo, líderes de grupos étnicos 

Quem é mais vulnerável à perseguição na Etiópia? 

Geograficamente, a perseguição na Etiópia depende de qual tipo de perseguição é mais dominante em cada região. Por exemplo, os focos de perseguição para os seguidores de Jesus que deixam a Igreja Ortodoxa Etíope por uma denominação diferente estão nas regiões de Amhara, Tigray e algumas partes de Oromia. Cristãosparticularmente convertidos do islã, que vivem em algumas partes de Oromia Oriental e Ocidental, Afar e nas regiões somalissofrem em áreas de maioria muçulmana. 

Como as mulheres são perseguidas na Etiópia? 

A perseguição às mulheres cristãs na Etiópia frequentemente ocorre na forma de sequestro e casamento forçado com um não cristão. O casamento forçado de crianças a partir dos 11 anos continua relativamente comum, e fontes revelam que continua a ocorrer em partes rurais do país. Especialmente nas áreas rurais, as adolescentes cristãs – e as convertidas de outras religiões, em particular – são forçadas a casamentos arranjados pela família; no caso de sequestro, seus sequestradores as forçam a se casar com um seguidor de uma religião diferente. Após o casamento, a esposa cristã deve seguir a religião do novo marido. 

abuso sexual, sem o casamento forçado que o acompanha, também é um meio eficaz de punir uma mulher ou menina cristã. O crime resulta no isolamento da comunidade. Por ter se convertido, ela não poderá mais se casar ou ser educada, e a família sofrerá com a vergonha. 

Quando uma esposa muçulmana se converte ao cristianismo, o divórcio é o resultado mais provável. Mesmo que o marido não solicite o divórcio, a família o pressionará a fazê-lo para proteger o nome da família e os netos da “corrupção”. Em áreas onde o cristianismo é uma religião minoritária, é mais provável que o divórcio ocorra fora dos tribunais. Os anciãos que presidem um tribunal tribal veem a fé cristã como um desvio perigoso e fazem o possível para evitar a propagação do cristianismo na tribo. Os anciãos mais velhos provavelmente concederão a custódia de todos os filhos ao marido. 

Cristãos também enfrentam dificuldades para receber herança após a decisão de se converter – uma prática que afeta principalmente as mulheres.  

Como os homens são perseguidos na Etiópia? 

Homens cristãos na Etiópia têm maior probabilidade de passar por ataques físicos e deslocamento do que mulheres e meninas cristãs. Culturalmente, as famílias esperam que os meninos ajudem em tempos difíceis, portanto, atacar homens e meninos é considerado um movimento estratégico. Os novos convertidos podem ser forçados a deixar casas e vilas e ser deslocados para outra área por causa da fé. 

Às vezes, meninos e homens são recrutados à força por grupos rebeldes militantes, e também são alvo de tortura e agressão. Raptos, ameaças e empobrecimento tático de homens estão afetando muito as famílias cristãs, bem como a separação das famílias quando vivem em acampamentos de deslocados. 

O que a Portas Abertas faz para ajudar os cristãos na Etiópia? 

Por meio de parceiros locais e igrejas, a Portas Abertas está ativa na Etiópia desde o final dos anos 1980. Nosso trabalho se concentra em equipar os cristãos para a obra do ministério – seja liderar uma congregação local perseguida, compartilhar o evangelho com os descrentes ou ajudar os novos cristãos a crescerem no conhecimento de Cristo. Também ajudamos os cristãos a lidar com os resultados emocionais e físicos da perseguição. Fazemos isso oferecendo suporte para a sobrevivência e treinamento para líderes de igrejas e cristãos, e ajudando os seguidores de Jesus a se prepararem para a perseguição. 

Como posso ajudar os cristãos perseguidos? 

Além de orar por eles, você pode ajudar de forma prática doando para os projetos da Portas Abertas de apoio aos cristãos perseguidos. Doando para esta campanha, sua ajuda vai para locais onde a necessidade é mais urgente. 



Pedidos de oração da Etiópia 

  • Ore pelas denominações cristãs na Etiópia, especialmente pela Igreja Ortodoxa Etíope. Peça a Deus para que vejam a unidade que é possível em Jesus e abracem os cristãos de todo tipo sob a bandeira do reino de Cristo. 
  • Interceda pelos cristãos que vivem em áreas onde os extremistas islâmicos são ativos. Peça por proteção e para que não sejam discriminados ou oprimidos.  

Um clamor pela Etiópia 

Pai celestial, pedimos que proteja e preserve seu povo na Etiópia. Oramos pela unidade entre seus filhos e pedimos que a ordem de Jesus para a unidade seja aceita por todos os cristãos. Pedimos humildemente que apoie os cristãos que são discriminados e oprimidos e que os anime e dê esperança quando forem tentados ao desespero. Oramos em nome de Jesus, amém. 

Durante muitos séculos, a Etiópia fez parte do Império de Axum, que incluía os atuais Iêmen, Sudão, Eritreia e Etiópia, mas esse chegou ao fim em torno de 940 d.C. Posteriormente, diferentes dinastias governaram o país. Em 1974, o exército depôs o rei — o último rei da dinastia salomônica — e assumiu o controle do Estado. 

A junta militar liderada pelo coronel Mengistu Hailemariam seguiu a ideologia socialista. Após a expulsão dos militares pelas forças rebeldes em 1991, o atual partido governante, Frente Democrática Revolucionária do Povo Etíope (EPRDF), chegou ao poder e uma Constituição foi finalmente redigida em 1995. A Guerra Eritreia-Etiópia ocorreu de maio de 1998 a junho de 2000. O novo primeiro-ministro, Dr. Abiy Ahmed, assinou um acordo de paz com a Eritreia em junho de 2018, pondo um fim à guerra formalmente. Ambos os países retiraram parte de suas forças armadas da fronteira. 

Em 2015, o partido no poder afirmou ter ganho 100% dos assentos parlamentares atuais, uma reivindicação que provocou um choque entre os grupos de direitos humanos e aqueles que trabalham pela democracia e pelo Estado de direito. 

Embora o país se desenvolva a uma taxa muito boa em termos econômicos, desde novembro de 2015, experimenta uma série de protestos violentos. Grupos de direitos humanos informam que centenas de pessoas foram mortas por forças de segurança e outras milhares foram presas. 

As manifestações começaram de forma pacífica na região de Oromia e se expandiram para a região de Amara, demandando direitos políticos, civis, sociais e econômicos. Em resposta, o governo declarou Lei Marcial em outubro de 2016, o que significa que leis das autoridades civis do país foram substituídas por leis militares. 

A liderança de alto escalão, sitiada por mais de dois anos de protestos incansáveis e agitação política, realizou uma reunião a portas fechadas e fez um anúncio, em janeiro de 2018, reconhecendo suas falhas e as queixas públicas resultantes, e se comprometendo a libertar prisioneiros políticos e fecha os centros de tortura Maekelawi. Depois de libertar prisioneiros políticos no início de fevereiro de 2018, inclusive importantes figuras da oposição e jornalistas, o primeiro-ministro Hailemariam Desalegn apresentou sua demissão inesperadamente, dizendo que continuaria no cargo até que a coalizão governamental EPRDF elegesse um novo líder e o parlamento do país nomeasse essa pessoa como primeiro-ministro. 

Após intensas deliberações nos bastidores, Dr. Abiy Ahmed foi eleito presidente do partido no poder e finalmente se tornou o primeiro-ministro da Etiópia. Desde que ele assumiu, em abril de 2018, tem introduzido grandes reformas, inclusive a libertação de milhares de prisioneiros políticos e a proposta de privatização de algumas empresas estatais. Outras reformas diplomáticas e econômicas também foram introduzidas. 

No entanto, durante o período entre a renúncia do ex-primeiro-ministro e a posse do novo, o país viu um novo estado de emergência declarado e o exército matou civis em uma cidade do Sul, fazendo com que muitos fugissem pela fronteira com o Quênia. Então, em 10 de abril de 2018, a Câmara dos Deputados dos Estados Unidos aprovou uma resolução não vinculativa sobre a Etiópia, exortando o governo etíope, liderado pelo novo primeiro-ministro, a demonstrar compromisso com os direitos humanos, a democracia e o Estado de direito e indicando a cooperação futura ligada a ele. Em maio e início de junho de 2018, a unidade policial de Liyu, no estado regional da Somália, realizou novas rodadas de assassinatos de pessoas e queima de casas em um estado regional vizinho. No final de junho de 2018, uma explosão mortal de bomba foi considerada uma tentativa de assassinato do novo primeiro-ministro Abiy Ahmed em um grande comício, que foi convocado em apoio a Ahmed, na praça Meskel em Adis Abeba. 

Junho de 2018 também foi um mês em que eventos positivos significativos foram registrados sob a liderança do novo primeiro-ministro. O estado de emergência imposto em fevereiro foi retirado dois meses antes da data oficial de vencimento; as empresas de telecomunicações e companhias aéreas estatais do país foram abertas pela primeira vez a investidores privados e internacionais; o parlamento suspendeu a proscrição de três grupos da oposição e seus membros exilados no exterior; o governo também admitiu publicamente que as forças de segurança dependiam de tortura e se comprometeu com reformas legais de leis repressivas. O governo anunciou que estava aceitando totalmente o acordo de Argel e a decisão da comissão de fronteira de encerrar as hostilidades com a Eritreia e, em julho de 2018, concordou com o acordo histórico com a Eritreia. Em outubro de 2018, houve uma remodelação do gabinete e a nomeação da primeira chefe de Estado na história do país. No mesmo mês, algo histórico aconteceu: as mulheres passaram a ocupar 50% dos cargos no gabinete. 

Em 2019, no entanto, o país viu um aumento na violência comunitária que resultou no deslocamento de milhões de pessoas. Além disso, houve uma suposta tentativa de golpe no nível regional que levou ao assassinato do presidente do estado regional de Amhara e da liderança de alto escalão. O chefe do estado-maior do exército também foi morto. Alguns ativistas acusam o governo de prender centenas de pessoas usando a tentativa de golpe de Estado como pretexto. Mas o governo alega que os indivíduos presos estão envolvidos em atividades criminosas que justificam a prisão. 

Em 2020, o país viu mais protestos e violência - e também outras violações de direitos humanos pelas forças de segurança foram relatadas. Em alguns lugares, cristãos foram alvejados e atacados também. 

CENÁRIO POLÍTICO E LEGAL 

A Constituição de 1995 estabeleceu uma forma de governo federal baseada em etnias. A ideologia foi apoiada pela Frente de Libertação do Povo Tigré (TPLF) e outros partidos políticos étnicos. O TPLF é o principal corpo agindo com a Frente Democrática Revolucionária do Povo Etíope (EPRDF). Durante a luta armada nos anos 1970 e 1980, eles articularam um papel muito específico para a divisão étnica da Etiópia, algo que eles estabeleceram depois de chegarem ao poder. Em suma, a etnia pode ir de encontro com a religião na Etiópia. De fato, o marcador de identidade primária na Etiópia parece continuar sendo a etnia, não a religião. 

No entanto, para certos grupos étnicos, a religião desempenha um papel importante na identidade. Por exemplo, as etnias amhara e tigray, historicamente, têm laços estreitos com a Igreja Ortodoxa Etíope (IOE), enquanto os ogaden são muçulmanos étnicos da Somália. 

No entanto, é importante notar que a mobilização política ainda ocorre principalmente por motivos étnicos. Enquanto os conflitos baseados em religião entram em erupção, a insegurança na Etiópia envolve principalmente grupos armados étnicos. Esses grupos são motivados por se sentirem marginalizados pela sociedade dominada pelos tigray, e não com base na religião. 

Nos últimos 25 anos, a política étnica dominou todas as áreas da vida pública no país. Esse discurso político levou à busca por “raízes e identidade” que levou alguns indivíduos e grupos a se tornarem hostis ao cristianismo. Até 1974, a Igreja Ortodoxa Etíope (IOE) representava a religião do Estado. O país esteve sob o governo comunista de 1974 a 1991, quando foi derrubado, após 17 anos de guerra civil, por uma coalizão de vários grupos rebeldes formados por diferentes grupos étnicos. 

Foi prometido aos grupos étnicos respeito e reconhecimento de sua cultura e identidade depois da queda do comunismo em 1991. Isso foi visto inicialmente como um bom movimento, mas o governo despertou ressentimentos em relação ao cristianismo entre alguns grupos étnicos. Em regiões como Afar e Somali, em Ogaden, o islamismo está interconectado com a etnicidade. Outras tribos demandaram que os cristãos participassem de conflitos tribais e retaliavam se os cristãos se negassem a fazê-lo.  

No entanto, agora que o TPLF perdeu o controle do governo federal, muitos etíopes acreditam que o novo primeiro-ministro, Dr. Abiy Ahmed, é a pessoa que pode resolver os problemas que o país enfrenta. No entanto, as coisas estão ficando complicadas à medida que a coalizão de forças que trouxe a mudança de primeiro-ministro está envolvida em um intenso debate político que pode não ter um fim no futuro próximo. 

Em relação à situação de segurança na Etiópia, em julho de 2019, o governo dos Estados Unidos publicou avisos de conflitos armados e distúrbios civis em lugares como o estado regional da Somália, o estado regional Nações do Sul, Nacionalidades e Região do Povo (SNNPR, da sigla em inglês), Região de Hararge Oriental e Guji, zona do estado de Oromia, Benishangul Gumuz, a parte ocidental do estado de Oromia e as áreas de fronteira com o Quênia, Sudão, Sudão do Sul e Eritreia. O país permanece instável e houve conflitos étnicos em muitos lugares. Esses conflitos às vezes também têm dimensões religiosas.  

CENÁRIO RELIGIOSO 

A Etiópia é um dos países mais antigos da África. É também um dos primeiros a aceitar e adotar o cristianismo como religião oficial. Nas últimas décadas, várias denominações cristãs surgiram, fazendo com que a Igreja Ortodoxa Etíope (IOE) perdesse a posição exclusiva e, portanto, o privilégio em sua relação com o governo e a sociedade de única denominação cristã no país. A nova administração sob a liderança do Dr. Abiy Ahmed pode ajudar a neutralizar alguns problemas que os cristãos protestantes enfrentam, principalmente por causa da IOE. 

Enquanto o islamismo também tem uma longa história na Etiópia, que remonta à hijrah (chegada dos muçulmanos em Axum, no Norte da Etiópia, em 615 d.C.), foi a Igreja Católica Romana, introduzida no século 16, que moldou a identidade da Etiópia em grande medida. De fato, a Etiópia se apresenta como um baluarte do cristianismo em comparação com seus vizinhos islâmicos. No contexto da “guerra global contra o terrorismo”, essa narrativa é frequentemente empregada pelos etíopes. 

No entanto, a Etiópia possui uma minoria muçulmana muito importante. O sufismo tem uma longa tradição, e as redes salafistas mais conservadoras estiveram presentes desde a década de 1930, em expansão a partir da década de 1960. Essas correntes islâmicas foram originalmente concentradas ao longo do lado oriental da Etiópia, mas têm crescido em influência entre a população etíope em todas as áreas e causado profunda preocupação para o atual governo. 

A comunidade muçulmana, especialmente a liderança, tornou-se muito assertiva. Houve alegações de que a política de marginalização deixou a comunidade muçulmana sem qualquer impacto político ou econômico no país sob regimes anteriores e isso continua no atual regime. O governo, no entanto, refuta tais alegações. 

O novo primeiro-ministro libertou todos os líderes muçulmanos que foram presos sob o regime do primeiro-ministro anterior. Ele também intermediou as duas facções da Igreja Ortodoxa Etíope, fazendo com que um líder da igreja que estava exilado voltasse ao país. 

Todas as comunidades cristãs são afetadas pela perseguição no país, embora algumas denominações sejam mais afetadas do que outras. As prisões são comuns, em especial de cristãos não tradicionais que enfrentam a perseguição mais severa, tanto do governo quanto da Igreja Ortodoxa da Etiópia (IOE). Cristãos ex-muçulmanos, particularmente nas partes leste e sudeste do país, e aqueles que deixam a IOE enfrentam atitudes hostis das famílias e comunidades.  

Com a ascensão do radicalismo na região e além, o islã radical (ou político) está crescendo nos níveis local, regional e nacional. No processo, vários grupos cristãos tornaram-se cada vez mais vulneráveis à pressão em quase todas as esferas da vida. Principalmente nas áreas rurais, onde são maioria, os muçulmanos assediam os cristãos e frequentemente negam-lhes acesso a recursos comunitários.  

Além disso, os cristãos são vítimas de violência. Os convertidos do islã ao cristianismo são marginalizados e frequentemente têm os direitos da família, como direitos de herança e guarda dos filhos, negados. Também é importante observar que o crescimento do islã radical nos vizinhos Somália e Sudão está se espalhando pela Etiópia.  

Em algumas áreas, os cristãos são proibidos de acessar recursos da comunidade e são condenados a viver isolados. Em alguns lugares, como em Ogaden, multidões atacam as igrejas. 

CENÁRIO ECONÔMICO 

A Etiópia tem uma economia forte, com um crescimento em larga-escala na média de 9,9% ao ano de 2007/08 para 2017/18, comparada a média regional de 5,4%. O PIB real da Etiópia teve um crescimento desacelerado de 7,7% em 2017/18. A indústria, principalmente da construção, e serviços registraram os maiores crescimentos. A agricultura e manufatura fizeram uma pequena constribuição para o crescumento em 2017/18 comparado ao ano anterior. O consumo privado e o investimento público explicam o crescimento da demanda, com o último assumindo um papel cada mais importante.O consumo privado e o investimento público explicam o crescimento da demanda, esse último assumindo um papel cada vez mais importante. Uma avaliação do Banco Mundial aponta que “competitividade limitada”, “setor privado subdesenvolvido” e “rompimento político associado à agitação social” são os desafios que a economia do país enfrenta.  

CENÁRIO SOCIOCULTURAL 

Questões socioeconômicas na Etiópia estão estritamente conectadas a política e religião. No passado, a distribuição da riqueza e inclusão no processo democrático era baseada principalmente na religião e etnia. A Igreja Ortodoxa Etíope (IOE) perdeu o status de religião do Estado em 1974, quando o regime comunista derrubou o imperador (regime feudal). O regime comunista, também conhecido como Derg, era muito repressivo e a liberdade de religião e outros direitos humanos fundamentais eram reduzidos. Em 1991, o regime Derg também foi derrubado depois que uma coalizão de grupos rebeldes venceu uma guerra civil de 17 anos que culminou na independência da Eritreia e na adoção de uma estrutura federal pela Etiópia. 

Apesar do elogiado crescimento econômico, a Etiópia ainda é um dos países mais pobres do mundo. Seu Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) está na categoria “baixo”, com uma pontuação de 0,470 (1 sendo a pontuação máxima alcançável), ocupando o 173º entre os 189 países. A expectativa de vida tem aumentado (de 48 em 1994 para 66,2 em 2019), conforme dados do Banco Mundial. A taxa de alfabetização também está aumentando: 39% em 2007 e 51,8% em 2017. Segundo a UNESCO, a população com 14 anos ou menos representa 41% do total. A taxa de fertilidade é de 2,5. O país é conhecido por ter uma cultura diversificada e mais de 80 grupos étnicos. 

A nível social, o governo passado e atual tentou mobilizar apoio controlando grupos religiosos e influenciando a vida religiosa no país. Por exemplo, depois de chegar ao poder em 1991, o atual partido EPRDF substituiu o patriarca da Igreja Ortodoxa — uma posição que normalmente é mantida até o fim da vida. 

Isso implica que o papel do governo na religião é mais forte do que a influência de grupos religiosos no governo. Além disso, a interferência do governo etíope muitas vezes gera ressentimento entre a população, uma vez que nas instituições religiosas só há frequentadores que optaram por aceitar um convite para estar ali. Além disso, a organização política formal em uma base religiosa é tecnicamente proibida na Etiópia. Nesse contexto, as igrejas protestantes são consideradas como agentes (apolíticos) da ideologia e dos interesses ocidentais. 

Existem diversos grupos religiosos informais organizados politicamente, em especial na diáspora da Etiópia, mas a narrativa dominante no sistema político do país permanece ligada à etnia. Nesse contexto, os grupos muçulmanos tornaram-se mais ativos, o que levou ao desenvolvimento de publicações religiosas específicas, como YeMuslimoch Guday e Sewtul Islam, ambos islâmicos. 

O caráter apolítico do movimento protestante, incluindo os convertidos do islamismo ou da Igreja Ortodoxa Etíope (IOE), levou os cristãos a um conflito crescente com o governo etíope e os dois principais órgãos religiosos do país. Especialistas acreditam que a atual dinâmica política pode melhorar as relações entre cristãos ortodoxos e protestantes. Há outros que acreditam que o principal problema da IOE vem de grupos ultraconservadores e não da liderança. É improvável que a mudança de liderança na Etiópia mude a visão desses grupos. 

A Etiópia é uma das nações mais antigas da África a aceitar o cristianismo. O cristianismo entrou no país no século 4 — durante o Império de Axum — quando a família real se tornou cristã e a fé cristã gradualmente passou a dominar a terra. 

Após a aceitação do cristianismo pela elite governante, a igreja etíope criou um forte relacionamento com a Igreja Copta Ortodoxa do Egito. Como resultado, a Igreja Ortodoxa Etíope reconheceu como seu o patriarca de Alexandria, Egito, até 1959. O cristianismo ortodoxo permaneceu a religião do Estado até 1974. 

A segunda forma de cristianismo a entrar na Etiópia foi a Igreja Católica Romana. Isso foi resultado da relação entre a Etiópia e os portugueses no século 16. Os portugueses tentaram mudar a religião do Estado etíope para a católica. Essa tentativa causou derramamento de sangue, quando os camponeses reagiram com raiva. 

Como resultado, os missionários católicos foram expulsos do país e não foram autorizados a retornar até o século 19. A Etiópia decidiu seguir uma “política de porta fechada” por 150 anos a partir de 1632. Hoje existe uma comunidade de centenas de milhares de católicos romanos na Etiópia que é liderada pelo arcebispo de Adis Abeba. 

O terceiro tipo de cristianismo a entrar na Etiópia foi o protestante. O protestantismo conseguiu entrar no país através dos esforços de um espectro de missionários luteranos, começando em 1866 com alguns da Missão Luterana Sueca. Na segunda década do século 20, os missionários suecos que representavam os Amigos Verdadeiros Independentes da Bíblia chegaram ao país. 

Esses uniram-se com a Missão Luterana Sueca para coordenar o trabalho. Missionários de diferentes partes do mundo continuaram a chegar: os missionários alemães da Missão Hermannsburg chegaram em 1927; os missionários da Noruega, Dinamarca, Islândia e Estados Unidos chegaram nas décadas de 1940 e 1950. 

Grande parte da obra luterana foi reunida na Igreja Evangélica Etíope Mekane Jesus. Presbiterianos americanos chegaram em 1920 e começaram a trabalhar entre as pessoas. Quando os italianos chegaram, os missionários presbiterianos foram expulsos, e antes de saírem organizaram sua missão como Igreja Evangélica de Betel. Em meados da década de 1970, ela se mesclou com a Igreja Evangélica Etíope Mekane Jesus. 

A Igreja Ortodoxa Etíope tentou restringir a influência dos missionários entre a população. No entanto, as tentativas de “permanecer a única igreja cristã no país” também se tornaram inúteis pela chegada da Missão Interior do Sudão (SIM). A SIM lançou seu trabalho expansivo na Etiópia em 1927 pelo Dr. Thomas A. Lambie. 

A expulsão da Itália e o término da Segunda Guerra Mundial trouxeram mais grupos cristãos para o país. A Conferência Geral Batista da América entrou no país em 1950 com sua primeira missão organizada em Ambo, a oeste de Adis Abeba. “O pentecostalismo entrou no país nos anos do pós-guerra e duas grandes igrejas indígenas surgiram, a Igreja dos Crentes do Evangelho Pleno e a Associação Deus Todo o Tempo. Ambas as igrejas foram encorajadas pela assistência e pelo pessoal das igrejas pentecostais escandinavas”. 

Segundo a UNESCO, a população com 14 anos ou menos representa 41% do total

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