Ataques na Etiópia deixam mais de 20 cristãos mortos

*Conteúdo sensível: violência extrema.
Famílias inteiras fugiram de suas casas. Igrejas foram queimadas. E cristãos que antes viviam em paz agora estão extremamente vulneráveis. Essa é a realidade em Arsi Leste, na Etiópia, onde dois ataques devastadores em fevereiro deixaram mortos e centenas de deslocados. Entenda como cristãos são perseguidos na Etiópia, 36º país da Lista Mundial da Perseguição 2026.
Primeiro ataque: 20 cristãos assassinados em mercado
O primeiro ataque ocorreu em um mercado na quinta-feira, 26 de fevereiro. Homens armados invadiram o local, matando 20 cristãos ortodoxos e um guarda muçulmano. Segundo uma agência de notícias local, “o paradeiro de oito pessoas ainda é desconhecido, oito foram hospitalizadas e duas foram sequestradas”.
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O caos aumentou quando os agressores incendiaram casas e plantações, causando devastação na comunidade. Muitos moradores fugiram para cidades próximas em busca de segurança.
Segundo ataque: Igreja Abo invadida
No sábado, 28 de fevereiro, o pânico voltou quando os agressores retornaram. Homens armados invadiram novamente a Igreja Abo, gritando “Allahu Akbar” antes de abrir fogo e matar sete pessoas dentro da igreja, no bairro Jawi, distrito de Sherka, na zona de Arsi.
Ainda não está claro se era o mesmo grupo do ataque ao mercado. Casas pertencentes à igreja foram incendiadas, e os grãos coletados para os necessitados também foram destruídos. Com medo de novos ataques, muitos cristãos ortodoxos se mudaram para uma cidade próxima.
Quem é responsável pelos ataques?
Nenhum grupo oficial assumiu responsabilidade pelo ataque. O Conselho Supremo de Assuntos Islâmicos da Etiópia afirmou: “Estamos profundamente entristecidos pelo horrível incidente contra nossos inocentes compatriotas seguidores da religião cristã ortodoxa”.
A posição do conselho é que a “ação não representa nenhuma religião” e tem o objetivo de criar suspeita e conflito, corroendo os antigos valores de respeito.
Contexto do conflito na Zona Arsi
A Zona Arsi, localizada na Região Oromia, na Etiópia, é amplamente ocupada por comunidades muçulmanas. No entanto, dentro dessa área existem bairros menores onde vivem cristãos da Igreja Ortodoxa Etíope Tewahedo. Historicamente, essas comunidades cristãs conviviam com seus vizinhos muçulmanos em relativa paz.
Mas pesquisas de campo recentes revelam um padrão preocupante de ataques direcionados a essas comunidades cristãs.
Fikiru (pseudônimo), especialista em perseguição aos cristãos no Leste da África (região conhecida como Chifre da África), relata que essa foi a conclusão da análise de fontes locais verificadas e incidentes documentados, inclusive no ano passado.
“Esses incidentes frequentemente envolvem ataques a membros da igreja e contra líderes religiosos”, afirma Fikiru, especialista da Portas Abertas.
Análise da Portas Abertas Internacional sobre os ataques
Embora grupos rebeldes ativos em Oromia frequentemente foquem em etnias consideradas “de fora”, a situação na Zona Arsi apresenta um cenário complexo e alarmante.
Dados da equipe de pesquisa da Portas Abertas Internacional indicam que esses ataques são:
- Direcionados
Significativamente, as vítimas incluem até mesmo oromos étnicos. Eles são atacados não por sua etnia, mas especificamente por serem cristãos ortodoxos. Os perpetradores os rotulam como conservadores ou ideologicamente alinhados à igreja, tornando-os alvos apesar da etnia compartilhada.
- Organizados
Os ataques não são aleatórios, indicando forças organizadas impulsionando essa violência.
- Motivados por causas complexas
– Antagonismo étnico: tensões existentes na região estão sendo manipuladas e exploradas.
– Radicalismo religioso: há sinais de atuação e incitação por parte de grupos islamistas específicos, que estariam estimulando os ataques para reduzir a presença cristã ortodoxa local.
A vulnerabilidade dos cristãos etíopes faz parte de um cenário maior no Chifre da África, onde ataques desse tipo têm se tornado mais frequentes e violentos.
“Os ataques têm um impacto espiritual nos cristãos e líderes da igreja, ao saberem que sua fé coloca um alvo em suas costas e nas de suas famílias. Pedimos que a igreja global se junte a nós em oração pelas comunidades afetadas”, conclui Fikiru.
Perguntas frequentes
Como ajudar a Igreja Perseguida na Etiópia?
A Portas Abertas atua na região do Chifre da África fortalecendo igrejas, provendo ajuda emergencial e treinando cristãos perseguidos. Conheça e apoie nosso projeto para que mais cristãos tenham proteção e esperança.
Qual é a história do cristianismo na Etiópia?
A Etiópia é uma das nações mais antigas da África a aceitar o cristianismo. O cristianismo entrou no país no século 4 – durante o Império de Axum – quando a família real se tornou cristã e a fé cristã gradualmente passou a dominar a terra.
Após a aceitação do cristianismo pela elite governante, a igreja etíope criou um forte relacionamento com a Igreja Ortodoxa Copta do Egito. O cristianismo ortodoxo permaneceu a religião do Estado até 1974.
O que é o Chifre da África?
O Chifre da África corresponde à região do Leste Africano na África Subsaariana. O Chifre da África é composto por quatro países: Somália, Djibuti, Etiópia e Eritreia.
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