Perseguição e missão

| 01/01/2009 - 00:00


Esta é a primeira parte do artigo intitulado Perseguição e missão, escrito por Thomas Schirrmacher para Lausanne World Pulse.

“O sangue dos mártires é a semente da Igreja”. As famosas palavras de Tertuliano preveniram os imperadores romanos de que a oposição que realizavam apenas aumentaria o tamanho da Igreja.

Quando Jesus advertiu seus discípulos acerca da futura perseguição e profetizou também que ela faria com que eles se tornassem testemunhas (Lc 21.13). Paulo mostrou claramente que sua prisão e sofrimento não impediam a expansão do evangelho, mas promoviam seu crescimento (Fp 1.12-26).

De fato, a primeira perseguição organizada da congregação primitiva em Jerusalém apenas ocasionou a dispersão dos cristãos por todo o Império Romano e o início das missões cristãs aos gentios. Os primeiros gentios converteram-se em Antioquia não por meio dos apóstolos, mas mediante “cristãos leigos” que fugiram de Jerusalém (At 7.54; 8.8).

Durante o Congresso Internacional para a Evangelização Mundial realizado em Lausanne, Suíça, em 1974, foi dito que a “perseguição é uma tempestade permitida para disseminar as sementes da Palavra e espalhar os semeadores e ceifeiros por muitos campos. É o meio de Deus estender seu Reino”.

Então, geralmente, a perseguição acompanha missões, pois “missões levam ao martírio, e o martírio torna-se missões”.*

Jesus advertiu seus discípulos de que eram enviados como cordeiros em meio aos lobos (Mt 10.16; Lc 10.3). A expansão universal da Igreja de Cristo sempre esteve acompanhada do sangue dos mártires. A missão mundial é uma “missão baseada na cruz”.

Johan Candelin justificadamente fez a seguinte observação: “Nem sempre a perseguição produz o crescimento da Igreja, ainda assim, algumas das maiores e mais crescentes igrejas do mundo enfrentam um aumento da perseguição, e estão localizadas em países onde não há liberdade religiosa”.**

De acordo com Candelin, 300 milhões de evangélicos no mundo inteiro vivem sob a ameaça de perseguição física, a maior parte pertence às comunidades evangélicas que crescem com rapidez, por exemplo, as que encontramos na China.

O colapso internacional do comunismo e a queda de muitos ditadores podem ter gerado um abrandamento da perseguição direta em alguns lugares. Entretanto, a expansão dos fundamentalismo islâmico, o crescimento do hinduísmo político e o surgimento de novos ditadores na África são fatores globais que trazem à tona um novo crescimento nos ataques às igrejas e aos indivíduos cristãos.

Notas

* CAMPENHAUSEN, Hans von. Das Martyrium in der Mission. In: Heinzgünter Frohnes. Ed. Uwe W. Knorr, 71-85. Die Alte Kirche. Kirchengeschichte als Missionsgeschichte 1. Chr. Kai¬ser: München, 1974.
** CANDELIN, Joseph. Persecution of Christians Today. In: Konrad-Adenauer-Stiftung (Hg.). Persecution of Christian Today: Christian Life in African, Asian, Near East and Latin American Countries. 16-24, 28 de outubro de 1999 em uma conferência em Berlim.

Sobre o autor

Dr. Thomas Schirrmacher é professor de ética e sociologia da religião na Alemanha e na Turquia. Ele também é presidente do Seminário Teológico Martin Bucer, representante de direitos humanos da Aliança Evangélica Mundial e diretor do Instituto Internacional da Liberdade Religiosa (Bonn, Cidade de Cabo, Colombo).

Schirrmacher tem quatro doutorados (teologia, antropologia cultural, ética, e sociologia da religião).


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