Pequenos milagres marcam visita aos prisioneiros de Acteal

| 10/01/2006 - 00:00


No começo de dezembro último, dois integrantes da Portas Abertas Internacional viajaram para o México com destino à prisão El Amate, em Cintalapa, Chiapas, junto com quatro membros da Igreja Saddleback. Eles foram visitar os índios tzotzils prisioneiros cristãos, acusados de homicídio no massacre de Acteal, sul do México, em 1997.

Eles chegaram pouco depois que os 24 prisioneiros tiveram seu apelo coletivo negado pela equipe de três juizes, em 30 de novembro do ano passado. O júri manteve as acusações de primeiro e segundo grau contra esses homens, confirmando a sentença de 36 anos e três meses de prisão. Mais três casos penais estão sendo processados, com um adicional de 54 pessoas apelando das sentenças de 36 anos. Cerca de 50 dos 76 prisioneiros são cristãos; e, dos 24 que tiveram seu apelo negado, 16 receberam visitas de encorajamento da Portas Abertas.

Vários pequenos milagres aconteceram para tornar essa visita possível. Quando o grupo chegou em Chiapas, não tinha autorização para visitar a prisão. O advogado de defesa dos prisioneiros disse que, para se conseguir a autorização, deveria ser feito um pedido com um mês de antecedência - o grupo tinha apenas três dias. Além disso, o dia em que eles queriam ir à prisão não era o dia de visitas.

Mas, na noite anterior à visita, o advogado conseguiu a permissão, viajando de San Cristobal a Tuxla Guttierrez para pegá-la pessoalmente.

Na manhã do dia seguinte, um dos membros da equipe relatou que eles queriam comprar um DVD player e uma televisão grande, mesmo sem a certeza de que as autoridades da prisão deixariam que os prisioneiros recebessem esses presentes. Eles, então, disseram: "Vamos ver o que acontece".

Depois de passar por todos os postos de segurança, o grupo foi enviado para os quartos conjugais. Era uma pequena área, e apenas dez prisioneiros foram enviados para receber a visita do grupo.

Quando a equipe pediu para ver todos os prisioneiros juntos, disseram que seria impossível ver mais do que dez deles.

O advogado alegou: "Eles vieram de muito longe. Por favor, deixem que eles vejam todos os prisioneiros".

"Só dez, e nada mais", disse o policial.

O grupo continuou a pedir para ver todos os prisioneiros juntos, pois eles queriam dar aos homens uma chance de enviar mensagens para suas famílias, de orar com eles e de os encorajar. A equipe havia vindo de muito longe para vê-los.

Depois de mais negociações com o policial, o diretor da prisão veio e ficou muito nervoso.

"Quem vocês pensam que são? O que vocês querem?", ele perguntou.

"Queremos ver todos os prisioneiros".

"Impossível. Esse é um lugar pequeno e vocês têm pouco tempo para conversar com eles", o diretor falou.

Então o advogado disse: "Bom, louvado seja Deus. Se isso é o que Deus quer, vamos fazer assim".

De repente a atitude do diretor mudou: "Vocês são cristãos?", ele perguntou.

Depois de descobrir que todos os membros da equipe eram cristãos, e sabendo que os prisioneiros também eram cristãos, ele mudou de idéia. "Tudo bem, sem problemas. Podem entrar e conversar com todo mundo." Ele até permitiu que o horário de almoço da prisão fosse alterado para dar-lhes mais tempo.

Um representante da Portas Abertas disse: "E nós começamos a ver a mão de Deus trabalhando. Descobrimos que eles colocaram todos os prisioneiros de Acteal em um pavilhão especial. Eles estão separados dos outros prisioneiros, então eles podem ter uma televisão e um aparelho de DVD. Levamos muitas coisas para eles e tivemos a oportunidade de conversar com os irmãos".

Os prisioneiros disseram que começaram a receber um tratamento melhor na prisão por causa da visibilidade de seu caso. Suas esposas e famílias vão vê-los de três a quatro vezes por ano. A Portas Abertas paga os custos com o transporte.

Cada membro da equipe teve a chance de falar com os prisioneiros. Um deles se lembra da tristeza que foi no dia anterior, quando 16 dos prisioneiros cristãos souberam que seu apelo havia sido negado e que eles ainda teriam de passar 36 anos da prisão.

"Alguns choraram, mas um deles se levantou e disse: "Estamos aqui porque Deus tem um propósito para nós. Sabemos que somos inocentes. Mas Deus continua a nos dizer: Não, você não pode ir embora. Então vamos brilhar por Cristo na escuridão onde estamos vivendo", relatou um colaborador da Portas Abertas. "Esse foi um momento fantástico."


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