Portas Abertas visita viúva e seus filhos em Nensebo Chebi

| 16/09/2008 - 00:00


A viúva de Tulu Mosisa, Chaltu Waga, sorriu e nos cumprimentou. Ela não parava de dizer: “Obrigada por virem. Obrigada por nos visitarem”. Ela levantava as mãos aos céus e dizia: “Waqa guda uha!” - que significa “Deus é Grande”, em Oromiffa, o idioma da região.

Na primeira oportunidade, Portas Abertas se uniu ao líder de uma igreja da região de Werka a uma viagem difícil para visitar Chaltu (com 40 e poucos anos) e seus cinco filhos. A família vive em um vilarejo distante chamado Bursho. Todos aqueles que visitam a cidade pela primeira vez dificilmente acertam o local.

Desde o assassinato, Fikiru*, um representante da Portas Abertas, tentou falar com a família de Tulu, mas teve dificuldade para encontrar alguém que os conhecessem e que estivesse disposto a viajar com ele até lá.

“Um dia eu recebi o telefonema de um dos lideres da igreja, da região de Werka. Ele me perguntou se eu poderia me juntar a eles numa longa e esperada viagem (visitar a família do falecido Tulu). Sem perder tempo, eu aceitei o convite com prazer”, disse Fikiru.

O líder da igreja confessou que ele também não conhecia a família do falecido Tulu, mas ele conseguiu falar com Chaltu por telefone. Nenhum dos dois homens conhecia o local exato do vilarejo Bursho, mas a preocupação deles com a viúva de Tulu e seus filhos os constrangeu a iniciarem sua viajem dois dias após a conversa deles por telefone.

O transporte a esse vilarejo distante também foi desafiante. O ônibus deles passou por Bursho e os dois homens só desceram na cidade próxima cidade. Na chegada, Fikiru, procurou pela viúva de Tulu. Eles esperavam que ela estivesse aguardando a chegada deles, mas para sua surpresa, dois jovens se aproximaram. “Eles se apresentaram como filhos mais velhos do falecido Tulu, Ketema (24) e Bekele (20). Katema estava vestido com um estilo Gabi, roupas tradicionalmente usadas por pessoas que estão de luto. Nós os abraçamos e perguntamos onde estava sua mãe”. Disse Fikiru.

“Chaltu foi muito sábia em enviar seus filhos à cidade vizinha para nos esperar caso passássemos despercebidos pelo vilarejo de Bursho”

Eles caminharam uma hora e meia para voltar ao vilarejo de Bursho.

Tulu era agricultor na região antes de mudar para Nensebo Chebi em busca de um salário melhor. Chaltu disse a Fikiru que seu falecido marido tinha começado a trabalhar em Nensebo Chebi desde o ano passado: “Ele estava se esforçando para nos sustentar aqui e se adaptar com a situação de lá. Além disso, ele nos encorajava a esperar em Deus, pois um dia tudo será diferente. Ele costumava me dizer para motivar os nossos filhos a serem firmes nos estudos”.

Perguntamos como ela se sentiu quando recebeu a notícia sobre o falecimento de seu marido, Chaltu olhou para o chão e respondeu: “Não me lembro agora como me senti quando ouvi sobre a morte dele. Eu me lembro que os líderes da igreja vieram em minha casa para falar sobre o incidente em Nensebo Chebi e o que tinha acontecido com o meu marido.”

“A princípio não acreditei no que ouvi, mas depois, eu percebi que era real. Como isso aconteceu? Nós estávamos nos esforçando para vencer na vida. Eu chorei muito. Meus filhos também estavam muito tristes por causa da notícia da morte do pai deles. Ele foi assassinado por muçulmanos. Eles o mataram enquanto ele estava orando. Ele não foi morto enquanto fazia algo errado. Embora seja doloroso, eu sei que ele morreu por causa da sua fé.”

“Imediatamente vendemos um de nossos bois para pagar o funeral. Os companheiros cristãos em Nensebo Chebi, que também vieram dessa região, acabaram o processo em Awasa e trouxeram o corpo de Tulu para o enterro. Ele foi sepultado aqui. Deus tem nos consolado e confortado. Agradeço a Deus pelos meus líderes da igreja. Eles ficaram ao meu lado e oraram por minha família”, disse Chaltu.

Ela acrescentou que cristãos a visitaram e a encorajaram durante os primeiros dias de luto e isso significou muito para ela. “É duro perder um marido e o cabeça da casa. Porém, Deus é Grande! Ele tem suprido as nossas necessidades. Não temos tido grandes problemas. Cristãos e líderes da igreja têm nos visitado. Eu coloquei toda a minha esperança nas mãos de Deus. O que mais posso fazer? Eu tenho participado ativamente dos cultos de oração na igreja. A palavra de Deus e as orações estão me ajudando a sair desse sofrimento”, disse Chaltu.

Chaltu continuou a explicar que desde a morte de Tulu, seus filhos Ketema, Beleke, Getu (18), Asfaw (15) e Birhane (7) estão lutando para lidar com o trauma e a perda inesperada do pai. Ketema tomou a responsabilidade de sustentar a família.  Ele deixou a escola (nona série) antes do final do ano letivo para trabalhar como agricultor, na terra de outros fazendeiros. Quando perguntamos se ele retomaria seus estudos, ele respondeu: “Eu gosto muito de estudar, mas se isso se tornar uma questão de sobrevivência para minha família, devo escolher pela decisão mais difícil”.

Ele só receberá o seu salário durante o tempo de colheita. Ele espera que seja o suficiente para ajudar sua família a sobreviver durante o próximo ano.

Bekele também está se esforçando para ajudar a família, mas ele planeja terminar os estudos enquanto trabalha. Ele está na quinta série este ano. 

Getu, a filha mais velha, é casada e deu à luz um menino em abril deste ano. Ela tem sua própria família para cuidar.

A Missão Portas Abertas está monitorando a situação de Chaltu de perto. Suas necessidades físicas estão sendo tratadas. No momento eles estão consumindo o que eles têm armazenado e se alegram com a ajuda dos cristãos da região. Entretanto, nós sentimos que a família precisa ser encorajada e queremos pedir para que sejam enviadas cartas para Chaltu e seus filhos.

Motivos de oração

• Chaltu pede oração pelo seu crescimento espiritual “Orem por mim para que eu possa andar com Deus de todo o meu coração. Eu quero estar com Ele todos os dias da minha vida”.
• Chaltu entende que ela tem a responsabilidade de educar seus filhos como uma mãe solteira. Ore pedindo sabedoria para que ela molde sua família na palavra de Deus. Ore para que ela, com um caráter divino, conduza seus filhos com um bom exemplo.
• Chaltu está envolvida em um ministério em sua igreja e ela quer continuar com esse trabalho. Ore pela direção de Deus nas decisões de Chaltu com respeito a seu envolvimento no ministério e ore para que tenha paz em seu coração e em sua mente quando tomar decisões.

* Pseudônimo


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