Abraham Mali - A experiência de ver a violência de perto

O mês de agosto de 2009 marca um ano da violência contra os cristãos em Orissa. Depois dos ataques, colaboradores da Portas Abertas visitaram algumas pessoas e ouviram seus relatos sobre a violência. Abaixo, segue um testemunho de um desses nossos irmãos que sofreram por causa de sua fé. Confira também, em breve, a nossa nova página especial sobre a Índia um ano após os ataques.

Abraham Mali é de Mukundpura, Gajapati. Quando deu esse testemunho, ele estava havia dois meses no campo de refugiados de Raigada, depois que sua casa e seus pertences foram destruídos pelos seguidores do swami Laxmanananda.

“Graças a Deus estou vivo hoje. Por sua graça, sobrevivi a graves ferimentos. No entanto, fico ansioso toda vez que penso como será a vida fora deste campo de refugiados.

Eu vivia em Mukundpura, Gajapati. Ouvíamos falar sobre episódios de violência nos vilarejos vizinhos, e ficávamos ansiosos quanto ao que poderia acontecer a seguir.

A tragédia começou quando seis ou sete famílias correram para minha casa à procura de proteção. Senti o perigo. Embora fosse relativamente jovem, era meu dever proteger a todos em minha casa. Eu tomei uma espada em uma das mãos, um porrete na outra e me coloquei no portão de casa.

No entanto, alguém em minha família sugeriu que tal atitude poderia despertar o ódio e motivar um ataque. Coloquei as armas no chão e fui em paz ao encontro daquele violento grupo, sem nada nas mãos. À medida que as pessoas se aproximavam, reconheci uma delas, a quem eu conhecia bem. Ela veio em minha direção para falar comigo. Eu dobrei as mãos e me curvei diante daquele homem, dizendo que tal ataque não estava certo. Quando estava para me levantar, ele me golpeou na cabeça com uma arma afiada. Caí no chão, sangrando. Enquanto eles saíam, voltei lentamente para casa, com as roupas banhadas de sangue.

Mais tarde, fui levado para o hospital em Raigada, onde recebi sete pontos na cabeça. Como já era tarde e estava escuro, só voltei para o vilarejo no dia seguinte.

Chegando em casa, descobri que o grupo havia retornado. Dessa vez, queimaram nossa igreja. Depois entraram na casa de um homem que haviam agredido antes, e tiraram a família da casa, agredindo-a com armas, lanças e facas. A família escapou, mas o homem não conseguiu. Atearam fogo nele e ficaram assistindo, enquanto ele gritava por socorro. O grupo disse então que estuprariam a mulher, a filha e a nora daquele homem.

Ao ouvir isso, os moradores do vilarejo fugiram. Assim que deixaram suas casas, os agressores roubaram seus pertences e atearam fogo.

Os membros de minha família fugiram da vila também. Essa turbulência nos deixou separados por uns três dias. Minha esposa estava grávida de nove meses quando teve de correr para salvar sua vida. Como resultado, perdemos nosso filho, antes mesmo que ele pudesse ver a luz do dia.

Minha casa virou um túmulo, nada foi poupado. Nosso vilarejo já sofreu esse tipo de ataque cinco vezes. Assim, nosso povo não quer retornar. Mas eu quero, pois não vou abrir mão da minha propriedade. Possuo sete hectares de terra.

Somos pessoas simples, indefesas e inofensivas. Passamos a maior parte do tempo em nossa terra. Apesar disso, fomos qualificados como terroristas. Ameaças de violência continuam, incluindo o estupro das viúvas e órfãs. Peço que você ore para que isso não aconteça e para que a situação não piore.”