Compartilhando a família com os cristãos perseguidos

O envolvimento da minha família com a causa Igreja Perseguida foi marcado por muitos acontecimentos que comprovaram um chamado de Deus específico no serviço aos cristãos perseguidos por meio da Missão Portas Abertas.

Quando meu marido recebeu uma carta da Missão, assinada pelo pastor Carlos Alfredo, atual secretário geral da Missão, convidando-o a fazer parte do programa de voluntariado Correspondente Local, criado na época, ele relutou muito até aceitar o convite.

Estávamos passando por momentos de extrema dificuldade. Havia pouco tempo que tínhamos perdido nosso filho com apenas cinco anos de idade; eu estava grávida do Samuel; morávamos numa casa emprestada e recomeçando nossa caminhada em uma nova igreja. O ano de 2002 foi marcado pelas perdas. No mesmo ano, o local de trabalho do Rogério foi criminalmente incendiado. Foi uma época muito dura, onde tomar decisões que envolviam grandes responsabilidades tornara-se difícil devido à situação que vivíamos.

Buscando a direção de Deus, mesmo sem forças e motivações, ele resolveu aceitar o convite e, a partir de 1º de março de 2003, passou a ser um Correspondente Local.

Lembro-me que um pouco antes já tínhamos certo envolvimento com a Igreja Perseguida. Houve uma época em que trabalhávamos numa secretaria de missões em nossa igreja, da qual o Rogério era líder. Na época, como parceiro, ele já mobilizava e conscientizava nossa equipe e a igreja com relação aos cristãos perseguidos. Chegamos a receber dois Correspondentes seniores na época, o Pr. Giuseppe e a irmã Ana Cristina.

Confirmação do chamado
Percebi que, aos poucos, outros acontecimentos passaram a nos motivar a nos envolver mais ainda com a Igreja Perseguida.

No finalzinho da minha gestação, o Irmão André veio visitar o Brasil para a comemoração dos 25 anos da Missão Portas Abertas. No dia 29 de abril de 2003, ele esteve aqui no Rio de Janeiro. É claro que o Rogério não perdeu tempo e foi conhecer pessoalmente o “contrabandista de Deus”. Meu marido voltou radiante, pois ele havia conseguido tirar uma foto com irmão André.

No dia seguinte, logo pela manhã, minhas contrações aumentaram, então tivemos de ir para a maternidade. Devido à crise que vivíamos, não tínhamos recursos nem para pagar uma passagem de ônibus, por isso, tivemos de ir de trem, mas a mão de Deus nos sustentou até o hospital.

Então, na manhã seguinte, aconteceu o evento que considero o mais importante de todos: o nascimento do nosso filho Samuel, que veio ao mundo justamente no aniversário de 25 anos da Missão Portas Abertas, dia 1º de maio de 2003. Para nós, foi um marco em nossas vidas, que mais uma vez comprovou o nosso chamado em servir a Igreja Perseguida.

Sete anos de serviço
As motivações não pararam por aí. Tivemos a honra de receber em nossa casa um cristão perseguido, o pr. Pepe, de Cuba, que muito nos ensinou sobre manter a fé em circunstâncias adversas. Foram momentos de muito aprendizado e renovo.

Enfim, nosso envolvimento com a causa da Igreja Perseguida é marcado por acontecimentos que enriqueceram muito a nossa fé.

No dia 1º de março de 2010, o Rogério completou sete anos de efetivo serviço aos cristãos perseguidos como Correspondente Local. Muito me alegrou o coração o reconhecimento da Missão Portas Abertas pelo seu serviço nomeando-o, no III Encontro Nacional de CLs, Correspondente Local Sênior, evento que ocorreu em nossa cidade.

Tenho muito a agradecer a Deus pela atenção que recebi, não apenas dos integrantes da equipe da Missão Portas Abertas, mas de muitos outros irmãos, parceiros, CLs de todo Brasil que oraram por mim durante um difícil período que enfrentei devido alguns problemas de saúde. Pude ver que ainda há muitos cristãos que se importam com o próximo, principalmente com os da família da fé.

Sou grata a Deus por este ministério de serviço aos cristãos que sofrem em razão da sua fé, e que através dos testemunhos de muitos deles, nos ensinou a ir adiante, não importando as circunstâncias que a vida nos ofereça.

Não poderia também deixar de agradecer a Deus por ouvir as minhas orações no sentido de proteger a vida do meu marido, que inúmeras vezes se ausenta para ministrar com o propósito de conscientizar e mobilizar a Igreja Livre do sofrimento de nossos irmãos. Nós vivemos em uma cidade perigosa, e foram muitas as vezes em que o Senhor o guardou e lhe preservou a vida, dando-lhe o livramento necessário.

Posso finalizar dizendo que o envolvimento da família torna-se claro e evidente diante de tudo o que foi dito acima. Para nós, sempre será um prazer servir a Deus socorrendo cristãos perseguidos, falando deles de duas formas: a Deus, por meio da oração, e aos outros cristãos livres que desejam ouvir sobre eles.

Mudanças maravilhosas ocorreram em nossas vidas por intermédio desse ministério, e para mim, como esposa, acabei aceitando o inevitável: que para esta causa ser divulgada, preciso aceitar o fato de que será necessária a ausência temporária, às vezes por vários dias, do meu marido em casa.

O nosso cotidiano acaba sofrendo mudanças repentinas, mas que acabam resultando em bênçãos para a glória de Deus Pai e do seu filho amado, Jesus Cristo, que vive e reina para sempre.

Sheila é esposa de Rogério Luiz, Correspondente Local Sênior da Missão Portas Abertas. O casal vive em Duque de Caxias-RJ.