Maior controle sobre o cristianismo

| 31/08/2004 - 00:00


Uma séria situação sobre a liberdade religiosa tem se desenvolvido na China. Muitos esperam que a política religiosa do Partido Comunista - e especialmente sua atitude em relação à igreja cristã - seja liberalizada na corrida para as Olimpíadas de Beijing, em 2008.

Mas agora há claras evidências de uma tomada de posição sobre "atividades religiosas ilegais", especialmente atividades de grupos cristãos não-registrados, bem como um controle reforçado sobre atividades acadêmicas e da mídia relacionadas à religião. Até líderes de igrejas registradas, solidários às igrejas domésticas, foram supervisionados. Projetos do grupo Three Self Patriotic Movement (TSPM), controlado pelo governo, foram postos em preparação.

Depois de uma série de reuniões governamentais do mais alto nível, líderes foram chamados a reforçar o controle sobre a religião. No fim do ano passado, líderes do partido expandiram os serviços fundados para abafar o culto da seita Falun Gong para lidar com outros grupos religiosos não-autorizados, bem como os que eles rotulam, às vezes muito arbitrariamente, como "seitas".

O livro Jesus em Beijing foi traduzido e é visto largamente pelos oficiais chineses como evidência de "infiltração religiosa". Publicado nos Estados Unidos pelo ex-correspondente da revista Time, David Aikman, o livro especula abertamente que a China pode se tornar um país cristão por causa da rápida expansão da Igreja, especialmente por causa das igrejas domésticas ilegais.
 
Ameaça política?
Fontes confiáveis na China informam que esse livro, junto com o DVD do filme A cruz (feito pelo político dissidente, agora evangelista cristão, Yuan Zhiming, que vive nos EUA) abalam a liderança do Partido Comunista.

Tanto o livro como o DVD fornecem informação sobre as igrejas domésticas, que podem ser tidas como um pouco inocentes para outros países, e mais algumas referências políticas e imagens dos dois trabalhos altamente sensíveis na China.

Na primeira semana de junho, uma importante reunião de todos os líderes das províncias aconteceu em Beijing. O principal tema foi a importância de se manter o controle de assuntos religiosos, a fim de assegurar a continuidade do monopólio do poder do Partido Comunista Chinês.

Na reunião, os governadores das províncias receberam ordens de reportar diretamente a Beijing sobre o estado da religião em suas províncias. Isso mostra a preocupação, do mais alto nível de que a religião - e particularmente o cristianismo - é visto como uma ameaça à estabilidade política.

Como resultado, líderes já planejaram outra campanha para promover o ateísmo. Eles censurarão sites da Internet e a publicação de livros religiosos. Bolsas e recrutamento de estudantes a vários centros universitários, para o estudo de religião, serão suspensos.

No fim de julho, regulamentações nacionais detalhadas foram aprovadas para guiar a administração de todos os assuntos religiosos na China. Isso veio depois de mais de dois anos de debate sobre vários esboços da Administração Estadual de Assuntos Religiosos (SARA), o antigo Bureau de Assuntos Religiosos, como era conhecido.

Reportagens da Folha Matutina do Sul da China sugerem que essas medidas possam ser prenunciadas nos regulamentos revistos de Xangai, que focam monitorar atividades religiosas, residentes estrangeiros e o uso da Internet por grupos religiosos.

O chefe da SARA, Ye Xiaowen, que foi recebido sem críticas nos EUA e em outros países, parece ter tido um papel fundamental em alarmar o governo, possivelmente para estender os fundos de seu departamento, que foi condenado ao rebaixamento em 2003.

Líderes do TSPM têm-se portado de maneira dócil na campanha. Por exemplo, um livro atacando o movimento missionário cristão de ser "uma ferramenta do imperialismo" para "invadir a China", publicado no século 19, foi reeditado recentemente para o escândalo do círculo de igrejas oficiais.

Como sempre, igrejas oficiais têm subestimado o crescimento de cristãos na China, para que seu desejo de representar toda a igreja chinesa seja apoiado. Líderes do TSPM, que visitaram Hong Kong para uma exibição bíblica no começo de agosto, disseram que o número de oitenta milhões de protestante na China, um número propagado por grupos internacionais de advocacia, era "ultrajante." O Reverendo Deng Fucun, vice-presidente do TSPM, disse a repórteres do Japão Hoje: "É claro que eu gostaria de dizer que há oitenta milhões de cristãos na China, mas, na verdade eles são apenas dezesseis milhões."

Oficiais na exibição também insistiram em dizer que as Bíblias estão livremente disponíveis na China. Entretanto, em agosto, Compass recebeu a carta de um morador chinês que disse ter conhecido um cristão rural recentemente preso por possuir uma Bíblia. Os guardas da prisão quebraram seus dez dedos para assegurar que ele "não seguraria uma Bíblia de novo".

Prisões
A nova política resultou em uma onda de prisões nos últimos meses. Mas de cem líderes da Aliança Evangélica da China foram presos dia 11 de junho, na cidade de Wuhan, província de Hubai, ainda que a maioria tenha sido libertada alguns dias depois.

Outros cem membros de igrejas domésticas foram presos na remota província de Xinjiang, a partir do dia 12 de julho. As prisões aconteceram durante uma reunião organizada pela Igreja Ying Shang, uma grande rede de igreja doméstica com base na província de Anhui. A maioria foi solta, mas Luo Bing Yin, um líder-chave do movimento Ying Shang ainda está encarcerado.

A polícia também deteve Jin Da, secretário geral da igreja TSPM na cidade de Ningbo, província de Zhejiang, que estava presente nesta reunião.

Outros quarenta líderes de igrejas domésticas foram presos dia 17 de julho em um seminário de treinamento em Cheng Du, na província de Sichuan.

Dia 6 de agosto aproximadamente cem cristãos de igrejas domésticas, que se reuniam para um retiro de verão perto de Kaifeng, na província de Henan, foram cercados por duzentos policiais militares e por oficiais do Bureau de Segurança Pública (PSB). Todos foram presos. Aqueles que eram de fora de Henan foram mandados de volta para suas províncias, e alguns foram sentenciados ou colocados sob severa vigilância.

Depois de dez meses em detenção, um veredicto foi também emitido dia 6 de agosto para três cristãos chineses acusados de revelarem "segredos de estado." Uma reportagem mencionada pela Associated Press e pela BBC disse que Liu Fenggang recebeu uma sentença de três anos, Xu Yonghai recebeu dois anos, e Zhang Shengqi um ano, por "solicitação ilegal e providência ilegal de informações nacionais a organizações estrangeiras".

Os três homens foram acusados de fornecer informação sobre o caso de outro cristão chinês, sr. Li Baozhi, para a revista estrangeira Vida Cristã Trimestral em 2002, e enviar outras informações sobre a perseguição dos cristãos para além-mar

No talvez mais surpreendente incidente, o pastor Lin Xiangao, mais conhecido como pastor Samuel Lamb, foi levado aos quartéis-generais da polícia no dia 13 de junho, pela 1ª vez em quatorze anos.

Devido ao seu perfil internacional, geralmente é permitido que o pastor Samuel dirija a sua igreja sem interferências. Seu breve interrogatório já pode ser um sinal de aviso dos oficiais chineses.

Reportagens também trataram de prisões na igreja Católica chinesa subterrânea. A polícia deteve oito padres em uma incursão em um retiro católico não-oficial na província de Hebei no dia 17 de agosto. Três outros bispos católicos foram presos em maio, incitando protestos do Vaticano em Roma.

Tomados juntamente, esses eventos revelam um sério resfriamento na atmosfera da China, no que diz respeito a assuntos religiosos. É alarmante que policiais estejam sendo implementados, o que relembra o movimento maoísta das décadas de 1950 e 1960. Intelectuais chineses - até aqueles que não são religiosos - têm rido um pouco das atitudes "esquerdistas" de alguns líderes do SARA e do TSPM nos últimos anos.

De qualquer forma, a recente onda de prisões mostra que não essa situação não é para rir. Alguns observadores acreditam que a  China está voltada para uma rua sem saída, o que é inadequado para a sua diversidade cultural e para o seu cenário religioso, e diverge inteiramente de sua responsabilidade como um membro do Conselho de Segurança da ONU, para propagar liberdade de credos e religiões dentro de suas fronteiras.


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