Cristão indiano preso é convocado para comparecer perante a Corte

| 21/09/2004 - 00:00


Brian OConnor, um funcionário convidado da Índia, foi apresentado diante da corte islâmica em Riyadh, na Arábia Saudita, em 15 de setembro, aproximadamente seis meses depois de ter sido detido, torturado e encarcerado por, supostamente, "difundir o cristianismo" no reino islâmico.

A audiência de OConnor ocorreu algumas horas antes do Secretário do Estado Americano, Colin Powell, citar a Arábia Saudita como um dos oito "países de preocupação especial" por suas "infrações grosseiras da liberdade religiosa".

O relatório de liberdade religiosa anual do Departamento do Estado Americano sobre a Arábia Saudita observou que "adoradores não-muçulmanos correm o risco de serem detidos, presos, chicoteados, deportados e, às vezes, torturados".

Durante sua audiência de noventa minutos, Brian foi informado, pela primeira vez, das acusações legais contra ele.
Segundo o documento de acusação formal, assinado pela muttawa (polícia religiosa), que, primeiramente, deteve e torturou Brian, ele foi pego "em flagrante" em posse de doze garrafas de álcool no momento de sua apreensão.

Além disso, a muttawa declarou que Brian tinha dinheiro nos seus bolsos da venda de bebida alcoólica porque ele tinha, inconscientemente, vendido a um agente secreto. Ele, também, foi acusado de portar filmes pornográficos.

Finalmente, a muttawa declarou que o cidadão indiano era um "pregador do cristianismo" e tinha Bíblias em sua posse. Nenhum veredicto foi divulgado na sessão da corte e não ficou claro se alguma evidência foi apresentada para apoiar as acusações de posse.

Brian foi informado que ele seria convocado à corte novamente, apesar de nenhuma data ter sido informada para essa audiência.
O cristão indiano foi detido em 25 de março, por um grupo de muttawa saudita que o espancou severamente, pendurou-o de cabeça para baixo e açoitou-o com cabos elétricos. Seus atormentadores o forçaram a assinar um documento em Árabe do qual Brian não pôde ler e, então, entregaram-no para a polícia.

Executivos da Corporação El Khereji, onde Brian trabalhava como agente de carregamento para a linha aérea Saudia Airlines, declararam que as alegações de porte de bebidas alcoólicas contra seu funcionário são um "encobrimento da verdade", ao invés do verdadeiro motivo para a sua detenção.

Brian confessou que liderava estudos bíblicos a cristãos deportados em sua casa, especificando que ele somente começou a realizá-los após a imprensa local ter informado que as autoridades sauditas haviam, publicamente, declarado que não-muçulmanos que vivem no reino tinham permissão de praticar suas crenças religiosas em particular.

De acordo com um colega de trabalho de Brian que o visitou recentemente, o cabelo e a barba do cristão indiano ficaram consideravelmente grisalhos durante seu encarceramento, "parecendo que ele tivesse mais de 36 anos". Durante seus meses na prisão, o pai de Brian OConnor, de idade avançada, e sua irmã mais velha faleceram no seu estado de origem, em Karnataka, na Índia.

Sujeito ao costume da lei islâmica da Arábia Saudita, os padrões de punição praticados em pessoas deportadas por portar ou vender álcool incluem condições de encarceramento, de chicoteadas e de deportação.

A menção do Departamento do Estado da Arábia Saudita como um país de preocupação especial foi a primeira reprovação pública divulgada pelos Estados Unidos contra o reino deserto, um aliado próximo na Guerra do terrorismo e um dos seus principais fornecedores de petróleo.


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