Estudante nigeriano é assassinado por praticar evangelismo

| 28/12/2004 - 00:00


A oposição ao evangelismo cristão nos campi de duas instituições de ensino superior da Nigéria causou o assassinato de Sunday Nache Achi, um estudante de arquitetura do quarto ano da Universidade Abubakar Tafawa Balewa, na cidade de Bauchi, ao norte do país.
 
Representantes da Universidade inicialmente expulsaram três outros estudantes por distribuírem folhetos cristãos que comparavam os ensinamentos de Jesus com as crenças islâmicas. Estudantes muçulmanos da Escola Politécnica Federal de Bauchi ameaçaram dois cristãos de morte antes dos dois serem expulsos da escola por atividades evangelísticas.
 
Depois do assassinato de Achi e da destruição devido a um incêndio criminoso do escritório da Associação Nigeriana de Estudantes Evangélicos (ANEE), autoridades de Bauchi ordenaram o fechamento da Universidade Abubakar Tafawa Balewa e da Escola Politécnica Federal.
 
Achi era o presidente do ministério da Igreja Evangélica do Oeste da África (IEOA) no campus. O jovem Idakwo Ako Paul, que dividia o quarto com Achi em um dormitório no campi, disse a Compass que Achi estava em um estudo bíblico na noite de 8 de dezembro quando um grupo de estudantes muçulmanos veio a sua procura.
 
"Três estudantes muçulmanos vestidos no estilo da jihad islâmica invadiram o quarto aproximadamente às 8 horas da noite", disse Paul. "Eu estava assustado, pois nos últimos dois meses havia muita tensão no campus entre estudantes cristãos e muçulmanos".

"Eles queriam saber onde estava meu colega de quarto. Eu lhes disse que não sabia e eles foram embora. Achi voltou para o quarto às 11 horas da noite e eu lhe contei o que havia acontecido".
 
Paul disse que foi dormir, enquanto Achi trabalhava em desenhos para uma apresentação na manhã seguinte. No entanto, logo após adormecer, Paul foi acordado pelos gritos de seu companheiro de quarto.

"Acorde Paul, acorde!, gritava Achi. Eu pulei da cama e me deparei novamente com os estudantes muçulmanos. Desta vez eles eram mais numerosos e estavam usando máscaras".
 
"Eles arrastaram Achi para fora do quarto. Eu tentei correr atrás deles, mas um deles apontou uma pistola para mim e mandou que eu voltasse para o quarto. Eles me trancaram dentro do quarto. Eu continuei gritando por ajuda, mas os estudantes muçulmanos do dormitório mantiveram seus quartos fechados deliberadamente".
 
Na manhã seguinte, um estudante cristão veio ao dormitório, encontrou Paul trancado no quarto e arrombou a porta para ele sair. Os dois estavam indo avisar outros estudantes cristãos do perigo quando receberam a notícia que o corpo de Sunday Achi foi encontrado ao lado de uma mesquita próxima da casa do vice-reitor da universidade.

Achi aparentemente morreu por estrangulamento. Seu pescoço foi quebrado e seu corpo estava muito machucado, segundo as pessoas que preparam seu corpo para o funeral.
 
O governador do estado de Bauchi Alhaji Adamu Muazu disse aos líderes religiosos que ele ordenou uma investigação sobre o incidente e que os culpados, se encontrados, enfrentarão a força da lei. No entanto até o momento, as autoridades não prenderam nenhum suspeito do assassinato.

Segundo estudantes cristãos de Bauchi, as desavenças que levaram ao assassinato de Achi começaram há dois meses, quando um pequeno grupo de cristãos visitou dormitórios estudantis no campus da universidade para falar do Evangelho com outros estudantes.

O estudante do quarto ano de engenharia,  Abraham Adamu Misal, disse a Compass, "No dia 9 de outubro, Hannatu Haruna Alkali, Habakkuk Solomon e eu visitamos o quarto de cinco estudantes muçulmanos. Nós compartilhamos o Evangelho. Após terem nos ouvido, eles nos falaram sobre o Islã".

"Porém sua apresentação distorcia o Cristianismo. Eu decidi dar-lhes um folheto que faz uma análise comparativa do Islã, do Cristianismo e dos ensinamentos de Jesus Cristo".
 
Segundo Alkali, nas semanas depois da conversa, extremistas muçulmanos tentaram várias vezes matar os três evangelistas. Um mês após a visita ao dormitório, autoridades da universidade intimaram os três cristãos para uma reunião e disseram que eles blasfemaram contra o Profeta Maomé.
 
Um comitê disciplinar preparou um relatório do incidente para o conselho da universidade, que em seguida recomendou que Misal, Alkali e Solomon fossem expulsos da universidade. Da sua parte, Alkali aceitou a expulsão como o preço de praticar sua fé cristã.

"Nós devemos estar sempre preparados para nos sacrificar pelo evangelismo", disse ela a Compass. "Eu vejo na Bíblia exemplos de muitos que tiveram que sacrificar suas vidas pelo Evangelho. Por que não eu?".

Hankuri Gaya e um segundo estudante identificado como Uzochukwu foram expulsos da Escola Politécnica Federal por distribuírem o mesmo folheto cristão que causou problemas para Misal, Alkali e Solomon. Fontes disseram a Compass que extremistas muçulmanos usaram o folheto para inflamar um fervor anticristão entre os estudantes muçulmanos.

A tensão explodiu em 8 de dezembro, quando violentamente muçulmanos atearam fogo no escritório da ANEE, e depois seqüestraram e assassinaram Sunday Achi.

Achi foi enterrado no sábado, 11 de dezembro, na sua cidade natal Kibori no estado de Kaduna no centro do país. O funeral foi realizado na igreja IEOA de Kibori.

O pai do estudante morto, Dr. Samuel Achi, culpou o governo nigeriano pelo descontrole do conflito entre muçulmanos e cristãos no país e pediu ações urgentes para evitar mais derramamento de sangue.
 
"A paz não pode ser só pregada, ela precisa ser praticada", disse Dr. Samuel aos que estavam no funeral. "Uma religião que se diz uma religião de paz, como os muçulmanos declaram ser a sua, deve ser pacífica na prática. O governo na sua sensatez deve encontrar uma solução para o problema dos conflitos religiosos no país, se a Nigéria quiser continuar sendo um Estado soberano".


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