Cristãos demonstram amor pelas vítimas do maremoto

| 12/01/2005 - 00:00


Na manhã do domingo do dia 26 de dezembro, milhares de cristãos celebravam o nascimento de Jesus em igrejas construídas com lama, tijolos e bambus junto ao litoral.

Muitos deles não conseguiram chegar até suas respectivas casas. Centenas de cristãos estavam entre as cerca de 150 mil pessoas que foram varridas pelo tsunami no sudeste asiático.

O tsunami, provocado por um maremoto perto da ilha de Sumatra, afetou a costa de países como Bangladesh, Birmânia, Índia, Indonésia, Malásia, Maldivas, Sri Lanka e Tailândia. O tsunami também chegou a afetar parte do litoral índico africano.

Muitos desses países estão entre os cinqüenta onde há mais perseguição de acordo com a lista da Missão Portas Abertas. Por exemplo, Indonésia, Sri Lanka e Índia, os mais afetados pelo maremoto, são conhecidos pela discriminação violenta contra cristãos.

Enquanto o mundo ocidental está longe da tragédia - e questiona a existência da misericórdia de Deus, os cristãos perseguidos já chegaram a um patamar com um Deus que permite situações severas e o sofrimento.

Índia

Relatos da Índia das últimas duas semanas mostram a resistência da fé testada a fogo. Um dia depois do maremoto, o pastor Issac Raju e sua pequena congregação de 25 membros em Lothkunta, sul do país, ajudaram a enterrar os cadáveres e providenciaram comida e vestimenta para os sobreviventes. Eles foram surpreendidos pela compaixão, apesar de receberem ameaças de vizinhos hindus nos últimos meses.

Em novembro de 2004, a casa do pastor Issac foi cercada por hindus que insistiram que a sogra dele, uma hindu que se converteu ao cristianismo, fosse cremada de acordo com as tradições hindus. O pastor e sua esposa foram praticamente trancados no segundo andar de seu sobrado enquanto um sacerdote hindu entoava cânticos fúnebres.

Em várias outras ocasiões, o pastor Issac foi espancado por vizinhos hindus que protestaram contra as reuniões em sua igreja.

Com o episodio do tsunami, o pastor lembrou a congregação de que "nada acontece sem o conhecimento de Deus, tudo está em Suas mãos". Ele disse que a igreja continuaria a mostrar amor aos vizinhos providenciando "necessidades físicas como vestimentas, arroz e panelas. Depois, falaremos do amor de Deus".

"Eu tenho aprendido a servir as pessoas que estão em necessidade", acrescentou ele, "e, agindo de tal maneira, eu tenho tido a experiência de sentir alegria mesmo em meio ao sofrimento".

A violência contra cristãos indianos subiu muito em 1998, quando o partido nacionalista hindu Bharatiya Jana entrou no poder. Igrejas foram atacadas e pastores agredidos, até mesmo alguns martirizados por grupos extremistas como a RSS Rashtriya Swayamsevak.

Entretanto, no dia 03 de janeiro, uma semana depois do tsunami, a RSS exaltou publicamente os esforços das organizações cristãs, enfatizando a enorme contribuição da parte deles.

Isso chega a ser impressionante, levando em consideração que o governo da Índia tem recusado ofertas e ajudas internacionais, e que cristãos deste país representam apenas 2%.

Sri Lanka.

Neste país, onde os evangélicos representam menos de 1% da população e católicos são 6%, a Aliança Evangélica Nacional (AEN) tem espalhado ajuda humanitária para pessoas de todas as religiões, com ajuda da Missão Portas Abertas e outras agências. Até 27 de dezembro, a AEN e pessoas de outras igrejas em Colombo, capital do país, se juntaram às equipes voluntárias levando ajuda para cidades e vilarejos.

Cristãos e budistas, sobreviventes da tragédia, se juntaram em templos e igrejas, curiosamente em um país onde habitantes de vilarejos budistas já atacaram mais de 160 igrejas nos últimos dois anos.

Enquanto os números do fatídico 26 de dezembro ainda estão para serem concluídos, a AEN relata que "muitas igrejas foram afetadas e algumas congregações varridas pelas ondas". Entretanto, alguns pastores e igrejas conseguiram escapar da destruição.

"Naquela manhã, minha esposa e eu tínhamos ido pintar nossa nova igreja", escreveu o pastor Layasing, ministro metodista de Colombo, em um e-mail. Enquanto estávamos pintando, as pessoas começaram a correr e percebemos que o mar estava invadindo a cidade. Nossa igreja fica a 500 metros da praia.

"Eu vi uma onda de 12 metros vindo em direção ao continente. Casas inteiras ficaram em pedaços e logo em seguida a onda empurrou todos os pedaços para a superfície. Se aquela onda tivesse continuado a invadir, nosso centro teria sido destruído. Mas graças a Deus a onda parou nos trilhos e de repente o mar se acalmou".

No dia 30 de dezembro de 2004, Layasin novamente escreveu, "ontem nós vimos eles mais de cem cadáveres sendo cremados, já que não tinham condições de encontrar as famílias daquelas pessoas. Todas as igrejas e ongs estão fazendo um trabalho de ajuda humanitária, mas levará anos para se recuperar tudo. Por favor, orem por sabedoria já que temos feito o nosso melhor".

Indonésia

Na ilha de Sumatra, relatos ainda estão por vir de Banda Aceh, região que mais foi devastada. A província de Aceh é quase 100% muçulmana, com uma pequena minoria de cristãos que têm passado por intensa perseguição nos últimos dois anos, depois que a lei sharia foi implantada em janeiro de 2002.

Aceh também é o lar de uma guerra civil entre tropas do governo e membros do Movimento de Liberdade Aceh (MLA).

A devastação nesse local tem gerado ajuda. Os números ainda não são finais em relação a essa tragédia, mas um relatório não oficial do Fundo Barnabus de três dias depois do tsunami diz que pelo menos 150 cristãos foram mortos, e pelo menos cinco mil foram deslocados.

Enquanto os cristãos representam 8% da população total da Indonésia, eles formam menos de 1% da população em Aceh. A World Relief registrou no dia 6 de janeiro que mais da metade de todas as igrejas do país formaram uma coalizão para ajudar esta província.

No dia 7 de janeiro, a Associated Press relatou que Laskar Mujahidin, grupo extremista islâmico com conexões com a Al Qaeda, já tinha estabelecido um campo de refugiados em Aceh. Alguns temem que isso possa levar a um recrutamento para milícias islâmicas - esse é mais um motivo para os cristãos alcançarem no amor de Jesus esses muçulmanos sobreviventes em Aceh.

O tsunami tem gerado uma janela de oportunidades para cristãos alcançarem seus perseguidores. Na verdade, já existem sinais de que as muralhas do preconceito religioso no sudeste asiático - ainda que momentaneamente - foram abaixo com o peso do tsunami.

Entretanto, construir um elo é um trabalho de longo prazo, já que o processo de reconstrução no aspecto físico levará anos, ou até mesmo décadas, para ser completado. Os cristãos nesses países precisam de nossas orações e apoio para continuar a compartilhar o amor de Deus com os sobreviventes do maremoto.


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Uma organização cristã internacional que atua em mais de 60 países apoiando os cristãos perseguidos por sua fé em Jesus.

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