Protestantes ameaçados, Testemunhas de jeová interrogadas e mesquitas

| 11/02/2005 - 00:00


Três membros de uma família protestante do vilarejo de Gorogly (antiga Tagta), no noroeste do Turcomenistão, foram convocados pela administração local e ameaçados no dia 25 de janeiro. 

O administrador do vilarejo, a polícia, o serviço secreto do Ministério de Segurança Nacional e o clero Muçulmano na pessoa do Mulá começaram a pressioná-los por realizarem cultos em suas casas e pregar sua fé entre os moradores", disseram crentes
locais que não quiseram se identificar ao Serviço de Notícias do Fórum 18. Os oficiais disseram que, se eles não interrompessem suas atividades religiosas, seriam expulsos de seus vilarejos".

Estas ameaças chegam em meio a pressões continuas em todo o país sobre as Testemunhas de Jeová. O Fórum 18 também foi informado sobre mais outras duas mesquitas demolidas na capital Ashgabad durante a onda de destruição de mesquitas em novembro passado.

Além de ameaçar deportar a família protestante de Gorogly se eles continuassem a realizar cultos, os oficiais locais ameaçaram cortar o gás e o fornecimento de energia à família e reter pensões, uma séria ameaça no empobrecido Turcomenistão. É melhor não discutir com eles senão alguma coisa pode acontecer - a lei está do lado deles", disse um oficial à família em tom de brincadeira, referindo-se às autoridades locais.  

Os oficiais forçaram os membros da família a escrever uma declaração, ignorando as provisões constitucionais do país de liberdade de expressão e direitos humanos", disseram alguns crentes ao Fórum 18. Nenhum dos oficiais se identificaram, embora tenham oficialmente exigido que a família aparecesse no prédio da administração local
através da policia. Oficiais também confiscaram uma cópia do Novo Testamento traduzido na língua do Turcomenistão e acusaram a família de ter introduzido um pequeno carregamento de literatura cristã, embora crentes locais insistem que isso não aconteceu.

A família protestante tem enfrentado tais ameaças desde 2001. Fontes identificaram o oficial local Maya Geldievna por trás de muitas das ameaças. Eles também relataram que quando o canal de irrigação próximo à casa da família foi limpo em 2004, os operadores das máquinas de terraplanagem deliberadamente removeram uma parede de proteção de terra, causando o alagamento da casa e do jardim.

O dia todo a família teve de usar baldes para escoar a água que continuou a jorrar antes deles encontrarem uma bomba para remover a água", fontes disseram ao Fórum 18.  Enquanto isso, as Testemunhas de Jeová têm reclamado que ainda estão privadas da liberdade de se associarem e realizar assembléias pacíficas, mesmo em suas próprias
casas.

A polícia e os oficiais da segurança nacional interrompem pequenas reuniões religiosas conduzidas nas casas dos cristãos",   disseram as Testemunhas de Jeová ao Fórum 18. Eles prendem todos com freqüência, abusam verbalmente e às vezes batem de forma brutal nos
detentos. Posteriormente aplicam pesadas multas, nas quais o dono da casa é sujeito a multas ainda maiores. Eles também reclamaram do despejo continuo de crentes de suas casas e demissões dos empregos.

Em 12 de novembro de 2004, Bilbil Kulyyeva, mãe de quatro filhos, foi forçada a sair da hospedaria em Ashgabad onde ela e seus filhos viviam.

As Testemunhas de Jeová disseram ao Fórum 18 que o despejo foi ordenado pela administração do departamento de serviços religiosos da cidade de Ashgabad como punição por sua fé.

Em outro incidente contra as Testemunhas de Jeová no ano passado, em 19 de outubro, oficiais do distrito de Azatlyk Ashgabad, levaram à força o menor Vladimir Rodionov da escola para a delegacia. Sem notificar a mãe, Tatyana Rodionova, Vladimir foi intensivamente interrogado e ameaçado na tentativa de obter endereços dos amigos crentes de sua mãe e forçado a assinar uma declaração que ele não participaria de reuniões das Testemunhas de Jeová com ela.

Na noite de 29 de Setembro, Altyn Jorayeva, uma Testemunha de Jeová da cidade de Seydi no norte do Turcomenistão, e seus três filhos estavam visitando o amigo Babakuly Yakubov no vilarejo de Khojakenepsi no distrito de Farab. Três outras Testemunhas de Jeová - Shukurjan Khatamova, Rozyzhan Charyyev e Oguldurdy Altybayeva - também estavam presentes.

De repente, quatro policiais entraram no apartamento sem permissão e sem apresentarem documentos de identificação pessoal. O assessor - chefe da polícia Akhmetjan Alymov e
Serdar Khuseynov vasculharam o apartamento atrás de literatura religiosa e confiscaram o que foi encontrado.

Altyn e seus três filhos (8 anos, 6 anos e 7 meses de idade) foram levados à delegacia de polícia onde ela foi interrogada pelo chefe de polícia Khemrayev de uma maneira verbalmente abusiva. Como resultado das ameaças e intimidações, as crianças foram forçadas a proferir o juramento de lealdade ao presidente do Turcomenistão, Saparmurat Niyazov, assim como recitar versos a ele. As crianças choravam enquanto faziam isto", disseram as Testemunhas de Jeová ao Fórum 18. A família foi libertada pouco depois da meia-noite. 

Em 13 de outubro, dois daqueles que estavam presentes ao ataque-surpresa - Yakubov e Khatamova - foram convocados pela comissão administrativa hyamlik e cada um foi
multado em 2, 500,000 manats (1 dólares americanos). Isto é aproximadamente 1.5 vezes a média do salário mínimo. A comissão foi composta por oito pessoas que se comportaram de forma extremamente descarada", disseram as Testemunhas de Jeová ao Fórum 18.

O presidente da comissão, kh. Berdyyev, também ordenou ao oficial Abdull Charyyev para tomar providências a fim de demitir Yakubov de seu emprego.

Em 8 de setembro outra Testemunha de Jeová, Gulzhemal Allagulyyeva, da região do distrito Khojamb de Turcomenabad  foi multado em1.250.000 manats (0 dólares americanos) por sua atividade religiosa.

Ela também foi forçada a assinar uma declaração de que não mais compartilharia sua fé com outros. Estavam presentes na comissão administrativa um oficial da polícia secreta e dois oficiais do 6º departamento de polícia, que se encarregam do terrorismo.

Fontes no Turcomenistão disseram ao Fórum 18 que duas outras mesquitas foram demolidas em Ashgabad em Outubro de 2004, além das quatro demolições na capital já
relatadas. Ambas se localizaram em Shor-Garadamak, distrito de Azatlyk, no nordeste de Ashgabad. Encontrei uma destas mesquitas semidemolida e sem teto", um visitante do site disse ao Fórum18.

De acordo com um letreiro em frente à propriedade, um grande distrito policial de Azatlyk será construído para substituir a mesquita. Todas estas seis mesquitas foram destruídas
nos dias próximos ao começo do jejum muçulmano do mês do Ramadan. Em seguida à demolição da mesquita próxima à Casa de Autorização de Costumes em Ashgabad, fontes disseram ao Fórum 18 que duas pessoas foram presas por protestarem contra a demolição. O nome dos que foram presos é desconhecido e não está claro se eles ainda estão presos
ou se eles foram punidos pelo protesto.

As autoridades continuam a manter um controle rígido sobre a atividade muçulmana. Um imã de Ashgabad, que preferiu não ser identificado, relatou que o principal Imã da cidade de Ashgabad foi demitido em setembro de 2004 porque alguns Wahhabis foram encontrados na cidade. O presidente Niyazov se pronunciou contra os Wahhabis naquele mesmo mês, mas não está claro se são seguidores de uma ramificação rigorosa do Islã que predomina na Arábia Saudita ou se o termo está sendo usado de forma mais ampla (como é comum na Ásia Central) para muçulmanos que o governo não aprova.

A peregrinação deste ano a Meca (o haj), como nos anos anteriores, viu a permissão de viagem de apenas 188 peregrinos, bem longe da cota distribuída ao Turcomenistão pelas autoridades sauditas. Um Imã de Ashgabad, que preferiu não ser identificado, relatou que
sabia de pelo menos uma pessoa que esteve na lista de espera do haj por pelo menos 10 anos e descobriu que alguém que esteve na lista de espera a menos de dois anos foi este ano ao haj pagando suborno em dólares americanos.


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