Anglicanos do Sudão lutam para reaver a sede da igreja

| 04/03/2005 - 00:00


Nove meses depois que a sede da Igreja Anglicana foi confiscada da igreja à mão armada, a empresa árabe que agora reivindica a posse da sede da igreja e da casa de hóspedes da mesma, já começou a fazer grandes reformas no edifício violando a ordem judicial do tribunal.
 
A ordem judicial de junho de 2004 havia proibido a empresa de Empreendimentos Residenciais Al-Ghazal de alterar a propriedade até que o tribunal tenha resolvido a disputa de posse. Propriedade de um rico sudanês árabe, a empresa de construções é uma subsidiária da United Al Azra Company. No entanto, representantes da Igreja Episcopal do Sudão (IES), passando no local em novembro passado, viram uma grande atividade no local, com caminhões trazendo cargas da areia, tijolos e outros materiais de construção.
 
Quando estive lá em 9 de dezembro", disse o secretário provincial interino da IES, Rev. Enock Tombe, à Compass, eu vi que eles removiam as cerâmicas do piso e as substituíam por outras novas, trocavam o encanamento, colocavam  molduras de metal  em volta das janelas e portas, e estavam até aumentando o perímetro do muro".
 
O advogado da igreja prontamente entrou com uma ação de objeção contra as reformas, perante o Tribunal Público de Kartum que é presidido pelo juiz EL-Amin Mohammed Musa. Finalmente, em 6 de fevereiro, o advogado da construtora deu uma resposta escrita ao Tribunal.
 
Mesmo tomando conhecimento da ordem judicial para não alterar a propriedade até que Tribunal julgue a disputa de posse, o documento do advogado obtido por Compass, nega veementemente que seu cliente esteja trabalhando no local.
 
Mas quando Compass visitou o local em 5 de fevereiro, este correspondente viu e fotografou uma dúzia ou mais de trabalhadores no pátio, ocupados empurrando carrinhos de mão, cavando pilhas de areia, e movendo-se para dentro e fora do edifício.
 
Numa subseqüente audiência em 16 de fevereiro, o juíz EL-Amin  transferiu o caso pendente à jurisdição do juiz Wahhabi Ibrahim, declarando que por ser aquele caso muito sensível e que requeria ação urgente e por estar muito sobrecarregado, se viu forçado a pedir que um outro o julgasse.
Quando os querelantes da igreja encontraram o novo juiz na semana passada, ele definiu 15 de março para a audiência seguinte, para dar-lhe tempo de estudar o processo antes de ouvir as testemunhas.
Entretanto, o juiz encomendou a um engenheiro civil para examinar o local e submeter um relatório ao tribunal sobre seu estado físico. Segundo o relatório escrito pelo Dr. Saad Fadul, datado de 19 de fevereiro, o engenheiro encontrou "reparos extensos dentro e fora do edifício" em continuação, afirmando que chegava , efetivamente, a "uma renovação completa do edifício."
 
 A propriedade do edifício esteve em disputa desde o dia 20 de maio do ano passado, quando sem avisar a polícia de segurança armada, forçosamente desalojou o pessoal da igreja, forçando-os a retirar tudo o que continha no edifício até os carpetes dos pisos.
 
Policiais apresentaram uma ordem de despejo, declarando que o edifício havia sido vendido dois meses antes a Ashraf Said Ahmed Hussein, proprietário da Empresa United Al Azra.
 
A transação teria sido efetuada por Gabriel Roric, o antigo ministro do governo e bispo Episcopal exonerado, que se apresentou ao tribunal como o arcebispo da IES responsável pela instituição.
 
Embora Roric tivesse sido denominado nos papéis de propriedade como curador da propriedade quando foi comprada em 1993, ele foi exonerado da posição de Bispo de Rumbek há dois anos.
 
Como bispo cristão servindo ao governo Islâmico de Kartum durante mais de 10 anos, Roric foi comprovadamente um embaraço contínuo à igreja, que tinha solicitado a ele que se demitisse de seu posto político, retornasse para sua diocese ao sul do Sudão e entregasse a escritura da casa de hóspedes para a diocese. Ele não só recusou-se, mas desde então tem tentado criar a Igreja Episcopal do Sudão para ser uma igreja rival sob sua liderança.
 
O rastro dos papéis deixado por Roric na tentativa de arrancar a casa de hóspedes de propriedade da igreja, revela uma infinidade de falhas legais que ele, no entanto, não conseguiu esconder. Embora o cartório endossasse a venda da propriedade, não houve nenhum documento de compra comercial próprio, e a assinatura sobre o novo feito de título que alegam representa a igreja foi de um muçulmano.
 
Quando as primeiras notícias da ação de despejo apareceram internacionalmente, os funcionários do governo sudanês minimizaram a situação como "um problema interno da igreja" deturpado por líderes da IES.
 
Mas no mês passado, durante uma visita ao Sudão pelo anterior Arcebispo de Canterbury, Lord George Carey, a questão espinhosa foi levantada diretamente com oficiais superiores do governo de Kartum.
Observando que esta foi a sua quarta viagem ao Sudão, Lord Carey mencionou em uma reunião face a face com o Primeiro Vice-presidente sudanês Ali Osman Taha, que nas suas duas visitas anteriores, ele havia sido alojado na casa de hóspedes agora disputada.
Depois de congratular o vice-presidente por assinar o histórico acordo de paz do Sudão nos primeiros dias de janeiro para encerrar 21 anos da guerra civil entre o norte e o sul, Lord Carey pediu a Taha para intervir no caso do confisco da igreja que está num impasse judicial.
 
Na mesma ocasião, o Arcebispo da IES, Joseph Marona, apresentou ao Primeiro Vice-presidente uma carta com a resenha do dilema da igreja na recuperação de sua propriedade roubada.
Cópias de três documentos foram anexadas à carta de 18 de janeiro do Arcebispo Marona, todas indicando que membros do governo de Kartum estariam implicados na venda ilegal da casa de hóspedes. Em uma delas Roric de fato anunciou seus planos de reorganizar a IES debaixo de sua própria liderança em papéis timbrados do dominante Partido do Congresso Nacional, com cópias enviadas a vários ministérios do governo.

"Esta evidência sozinha", declarou Marona, "pode levantar a pergunta válida de até que ponto o partido dominante e de fato o governo do Sudão está envolvido no processo de desestabilizar o IES".


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