Rebeldes trouxeram medo, mas Deus trouxe respostas à oração

| 17/05/2005 - 00:00


A esquina da casa de Roberto tornou-se conhecida como "base de lançamento" porque os rebeldes iam lá a cada 15 dias para lançar bombas de fabricação caseira em direção ao esconderijo do Exército Nacional, nas proximidades. Isto havia se tornado um ritual da guerrilha.

Apesar da sólida estrutura de sua casa, as paredes estavam começando a rachar com o impacto dos lançamentos. Roberto, que é pastor e carpinteiro, tem uma oficina e máquinas funcionando em sua casa. Conhecido na região pela qualidade de seu trabalho, seu negócio, que conta com a ajuda dos filhos, vem sendo um sucesso há mais de 20 anos.

Sua filha, grávida de cinco meses, quase perdeu o bebê depois de uma explosão. Sua esposa tinha medo de a casa cair em cima dela e acabou tendo problemas cardíacos. Ninguém podia sair na rua durante as explosões. Os rebeldes ameaçavam matar qualquer pessoa que morasse nas imediações e ousasse sair de casa para ver o que estava acontecendo.

O clima na região estava muito tenso. Empresários e autoridades públicas temiam por suas vidas.

Certo dia, os comandantes da guerrilha proibiram terminantemente a movimentação e a venda de madeira na região. A intenção era impedir o exército de transportar armas escondido nas vigas.

Algumas semanas depois, os carpinteiros começaram a se desesperar. A oferta de madeira encolheu e levou os preços às alturas. Roberto não sabia o que fazer. Ele ainda deveria cumprir contratos feitos com clientes antes do embargo. Devendo dinheiro, ficou deprimido, e tinha sérias dúvidas se poderia continuar morando em seu povoado.

Então esse pastor pediu um sinal a Deus: se Deus providenciasse a madeira de que precisava, Roberto continuaria morando no mesmo lugar, agüentando as pressões do conflito com a guerrilha até que as coisas mudassem para melhor.

Roberto caminhou em direção à oficina para arrumar a pouca madeira que sobrou junto de máquinas pesadas no meio de um enorme espaço vazio, pensando: que sinal será que Deus vai me dar?

A solução bate à porta

Naquela noite, alguém bateu forte à porta. Roberto acordou de um sono profundo. O que devia fazer? Será que os guerrilheiros estavam à espreita, atentos a alguma movimentação suspeita, sobretudo nas pouquíssimas horas noturnas.  Sua esposa sugeriu que ele espiasse pela fechadura e, dependendo de quem fosse, abriria ou não.

"Roberto, sou eu, Francisco, madeireiro. Abra a porta, rápido! O caminhão está aqui repleto de madeira. Gostaria de comprar alguma?"
 
Rapidamente trouxeram a madeira para dentro e a empilharam sem fazer ruído, tomando o cuidado de cobrir o caminhão com um grosso plástico preto. Era a quantidade exata de madeira de que Roberto precisava para terminar de atender os pedidos de seus clientes.

Foi difícil trabalhar porque, se os guerrilheiros ouvissem o ruído das máquinas, atacariam. Para evitar que descobrissem, Roberto trabalhou nas horas mais barulhentas do dia, quando o tráfego na rodovia (perto de sua casa) era mais intenso.

Depois de cuidadoso planejamento e estratégias, Roberto e sua família terminaram o serviço. Todos entenderam a mensagem por trás do sinal de Roberto: continuar na área enquanto Deus quisesse.

O sorriso voltou ao rosto de cada um naquela casa, mas, embora a provisão noturna de madeira tivesse demonstrado a fidelidade de Deus, os guerrilheiros continuaram a lançar bombas cilíndricas da esquina da casa de Roberto. Quando o pastor tentava convencê-los a parar, eles simplesmente lançavam mais bombas.

Certa noite, Roberto ouviu um guerrilheiro pedir a outro que lançasse os cilindros rapidamente para que desse tempo de participar de uma reunião com outros membros da milícia. Teriam de ir para um povoado vizinho combinar detalhes de um novo ataque na base militar.

Roberto ergueu suas mãos aos céus. Com voz abatida, mas com a autoridade de quem confia em Deus, orou:

"Querido Deus, eu acredito que o Senhor pode mudar o coração desses homens, mas se eles não deixarem que algo aconteça em sua vida, eu suplico que o Senhor os impeça de voltar a esta cidade".

Oração atendida

No dia seguinte, no centro da cidade, as pessoas comentavam dos 30 rebeldes que o exército havia derrotado quando tentavam tomar um acampamento-base subversivo. Aquele posto correspondia ao lugar que os guerrilheiros falaram no dia anterior!

"Não acredito!", exclamou Roberto. Ele correu para casa e contou à sua esposa o que tinha acontecido. Ela já sabia pelos vizinhos. Nenhum deles se atreveu a sugerir que a oração de Roberto tinha ocasionado tudo aquilo! Mas o exército confirmou o ocorrido um mês depois, e Roberto e sua família nunca mais tiveram visitas noturnas indesejáveis daqueles homens que usavam a esquina de sua casa como base de lançamento.

A situação na região mudou consideravelmente. O exército assumiu o controle da cidade e o medo das pessoas diminuiu. Os negócios foram retomados e a proibição de transportar madeira e alimentos foi abolida.

Roberto e sua família entenderam que Deus dá respostas específicas a pedidos específicos do seu povo.


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