Bíblias rasgadas na Arábia Saudita

| 05/06/2005 - 00:00


Bíblias em posse de visitantes são rotineiramente confiscadas pelos oficiais da alfândega saudita, e, em alguns casos, são levadas para serem rasgadas, segundo fontes de campanhas de direitos religiosos.

No mundo islâmico, relatos de apreensão de Bíblias e outros itens importantes aos cristãos crescem a cada dia, mas geralmente causam pouco impacto - ao contrário do movimento crescente da fúria islâmica gerada por uma reportagem da revista Newsweek mostrando um militar americano profanando o Corão.

"Os muçulmanos respeitam o Corão mais do que os cristãos respeitam a Bíblia", disse Danny Nalliahm um pastor evangélico natural de Sri Lanka e residente na Austrália.

Durante a década de noventa, Nalliah passou dois anos na Arábia Saudita, onde esteve intensamente envolvido com a igreja clandestina.

"É um fato muito conhecido que se você for pego na alfândega com uma Bíblia, ela é levada para uma máquina de picotar papéis", disse ele em uma entrevista.

"Caso você tenha mais de uma Bíblia, será levado à custódia, e se for pego com uma certa quantidade de Bíblias, você receberá setenta chibatadas - ou até mesmo ser executado".

Nalliah não foi pego com Bíblia, mas alegou que essa prática é bem conhecida entre os cristãos no reino saudita.

Abusos de cristãos e de seus símbolos não ficam restritos à destruição de Bíblias, acrescentou ele.

Um amigo desse pastor, disse a ele que testemunhou um incidente muito desagradável envolvendo uma freira.

Ele estava no aeroporto de Jeddah - porta de entrada para Meca - quando uma freira chegou no setor de alfândega.

"Um agente de viagem desinformado a pôs em um vôo de conexão em Jeddah. Não se faz isso com uma freira, pois ela será perturbada".

"Eles abriram a mala, pegaram seu livro de orações e jogaram na maquina de picotar, pegaram os crucifixos de seu pescoço e pisaram".

Finalmente, um oficial muçulmano os repreendeu, ressaltando aos oficiais de que ela não estava entrando no país, somente pegando um vôo de conexão.

Informado de antemão, Nalliah diz que não carregava Bíblias quando desembarcou no país, em 1995.
Posteriormente, entretanto, ele possuía centenas delas que tinham sido contrabandeadas para serem utilizadas pelos cristãos locais. Certa manhã, membros do Comitê da Propagação da Virtude e da Prevenção - a polícia religiosa ou a muttawa - bateram à sua porta.

Com quatrocentas Bíblias contrabandeadas em sua mesa, ele sentiu que sua vida corria sério risco. "Isso era um crime no mesmo nível de um estupro, assassinato, assalto a mão armada, e na Arábia Saudita, você recebe a mesma punição: pena de morte".

Nalliah disse que ele orou com veemência e, no que ele só podia descrever como um milagre, os oficiais deixaram sua casa sem sequer entrar.

Outras pessoas relatam casos de profanação de Bíblias na Arábia Saudita.

"Um cristão recentemente relatou que sua Bíblia foi posta em um picotador quando chegou ao país", escreveu há alguns anos em um artigo o falecido Nagi Kheir, um veterano em campanha para liberdade religiosa no Oriente Médio.

Casos semelhantes foram registrados no relatório do Christian Concern em 2001".

Nos relatos mais recentes sobre liberdade religiosa no âmbito mundial, o Departamento do Estado Americano não fez nenhuma referência à destruição de Bíblias, mas afirma que elas eram consideradas produtos de contrabando.

"Oficiais da alfândega freqüentemente abrem cartas e encomendas em busca de contrabando, incluindo materiais não-muçulmanos, tais como Bíblias e vídeos. Tais materiais ficam sujeitos ao confisco, embora as regras sejam aplicadas arbitrariamente".

Em um relato de 2003 na Arábia Saudita, a Comissão Americana da Liberdade Religiosa, uma espécie de cão de guarda, estabeleceu o Ato Internacional de Liberdade Religiosa de 1998, dizendo: "oficiais da alfândega regularmente confiscam Bíblias e outros artigos religiosos quando cristãos estrangeiros chegam ao país a trabalho".

Inquéritos sobre a legalidade de Bíblias e sobre as máquinas de picotar, enviadas à embaixada saudita em Washington D.C. e ao Ministério de Informação Saudita em Riad, ainda não obtiveram resposta.


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