Polícia eritréia prende 250 convidados em festa de casamento

| 10/06/2005 - 00:00


A polícia invadiu uma cerimônia de casamento na capital eritréia no final do mês de maio, detendo pelo menos 250 convidados presentes, incluindo a noiva e o noivo.
 
A cerimônia de casamento de Benyam Gezae e de sua noiva, ambos membros da Igreja Meserete Kristos, foi interrompida no dia 28 de maio, no salão Kewa, no centro de Asmara. Todos os presentes foram detidos e mantidos durante a noite na delegacia de polícia Expo, próxima do aeroporto.
 
De acordo com uma notícia do dia 30 de maio veiculada pelo grupo Release-Eritrea (Liberte a Eritréia), localizado em Londres, logo cedo, na manhã seguinte, transeuntes escutaram alguns dos detidos "cantando e louvando a Deus" de suas celas.
 
Depois da detenção em massa, as autoridades policiais, de acordo com o que foi dito, entraram em contato com as famílias de todos os cristãos presos, a fim de determinar quais eram membros das igrejas Ortodoxa, Católica e Luterana, que são oficialmente registradas. Os que foram encontrados como sendo membros de igrejas legalmente sancionadas foram transferidos para celas separadas e a maioria foi libertada.
 
No entanto, fontes locais confirmaram que 70 indivíduos pertencentes a igrejas protestantes ilegais continuam presos, mantidos na 5ª delegacia de Asmara. As autoridades pressionaram esses evangélicos a abandonarem seus credos e voltarem para uma das igrejas "legais". Mas, de acordo com uma fonte, "todos se recusaram a fazer isso".
 
Entre os presos estão o pastor Gideon, da Igreja Meserete Kristos; um evangelista identificado apenas como Immanuel, da Igreja Kale Hiwot; e Esaye Stefanos, um cantor gospel nacionalmente conhecido, da Igreja do Evangelho Pleno.
 
De Asmara, fontes confirmaram que um segundo casal protestante, que planejara celebrar seu casamento no mesmo fim de semana, cancelou o evento, temendo que uma represália policial similar acontecesse em sua reunião.
 
"O comentário nas ruas de Asmara é que essas prisões foram uma retaliação direta à vigília de protesto realizada três dias antes em frente à embaixada Eritréia em Washington, D.C.", uma fonte revelou ao Compass. "O governo está tentando fazer com que os evangélicos locais pensem que a pressão vinda de fora está tornando as coisas piores para eles".
 
Organizada pelo Release-Eritrea, a demonstração pacífica do dia 25 de maio, recepcionada pela Campanha do Jubileu e pela Solidariedade Cristã Internacional, atraiu aproximadamente 100 participantes, a maioria da diáspora eritréia e que vivem nos Estados Unidos. A maioria era cristã, mas representantes de grupos de oposição política, incluindo muçulmanos eritreus, também vieram para "permanecer em solidariedade" contra a repressão religiosa na Eritréia.
 
De acordo com Bob Turner, membro da comissão da Campanha do Jubileu, um representante do governo da Eritréia percorreu toda a multidão com uma câmera durante o protesto feito à tarde, fazendo "um registro visual de cada pessoa que ousou falar contra os abusos do regime".
 
A vigília marca o terceiro aniversário de uma dura medida tomada em maio de 2002 contra os cristãos evangélicos da Eritréia e outras minorias religiosas. Naquela época, o presidente Isaias Afwerki ordenou o fechamento de todos os lugares de culto até que eles fossem "re-registrados" e baniu todas as reuniões religiosas nas casas. Subseqüentemente pedidos de recadastramento vindos de dezenas de pequenas denominações foram ignorados desde então.
 
Atualmente 17 pastores evangélicos e mais de 900 cristãos eritreus permanecem aprisionados em cadeias, campos de confinamento militar, delegacias e containeres de metal por se reunirem secretamente para orar e cultuar fora das igrejas aprovadas pelo governo.
 
Muitos foram sujeitos a repetidas torturas e maus-tratos e mantidos em condições miseráveis por meses ou até anos, numa tentativa de fazê-los renunciar sua fé. Seu paradeiro continua desconhecido na maioria dos casos, e suas famílias não possuem qualquer acesso a eles.
 
Nos últimos três anos, as autoridades eritréias se recusaram a acusar as vítimas dessas prisões sucessivas de qualquer crime, ou levá-las a uma corte legislativa. Ao mesmo tempo, o governo nega categoricamente que violações à liberdade religiosa ocorram no país.


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