Professor desaparece depois de ameaça de morte

| 14/06/2005 - 00:00


Andrew Akume, um professor cristão da Universidade Ahmadu Bello (ABU) na cidade de Zaria, estado de Kaduna, no norte da Nigéria, desapareceu desde a emissão de uma sentença de morte contra ele. Um grupo militante muçulmano da universidade transmitiu-lhe a sentença, afirmando que ele blasfemou contra Maomé, o profeta do islamismo.

A sentença de morte para Andrew, o deão da faculdade de Direito, encontra-se em duas fatwas (decreto muçulmano) emitidas nos meses de maio e junho pelo "Movimento dos Muçulmanos Preocupados" da universidade. Em uma circular intitulada "Fatwa: As Resoluções", distribuída no campus da universidade, Andrew foi acusado de "ofender irmãs muçulmanas e blasfemar contra Deuse o islamismo". Andrew pediu a uma aluna muçulmana para não usar o hijab (vestimenta que vai da cabeça aos pés) porque ele esconde dos professores e colegas a identidade dos alunos. De acordo com Andrew, a aluna transgredia o código de vestimenta do Conselho de Educação dos Estudantes de Direito, por usar a vestimenta islâmica.

A segunda fatwa emitida dizia: "Nossa fatwa anterior foi mantida, e essa é uma bomba relógio que explodirá em alguns dias". A circular, que não continha datas ou nomes, acusava Andrew de blasfemar contra o profeta Maomé e de fazer da faculdade de Direito da universidade um "inferno para os muçulmanos".

Logo depois de seu desaparecimento, Andrew encaminhou uma petição às autoridades da universidade negando as acusações feitas contra ele pelo grupo muçulmano militante. De acordo com o professor cristão, ele não tinha nenhum sentimento negativo contra os alunos muçulmanos e nunca ofendeu nenhum deles.

"Eu só estava tentando sustentar a minha responsabilidade como deão da faculdade de Direito através do cumprimento do código de vestimenta para os estudantes de Direito, prescrito pelo Conselho de Educação Legal da Nigéria e aprovado pelas faculdades de Direito das universidades do país. O código de vestimenta determina que apenas roupas aprovadas pela lei podem ser usadas pelos estudantes. Véus e roupas religiosas não foram aprovados para esses alunos", afirmou Andrew em sua petição.

O reverendo Eugene Ogu, presidente do ramo pentecostal da Associação Cristã da Nigéria, no estado de Rivers, disse ao Compass, no dia 8 de junho, que a sentença de morte é capaz de agravar a atmosfera religiosa já tensa na Nigéria.

"Uma situação em que as agências do governo e de segurança fecham os olhos e ouvidos às perseguições dos cristãos no norte da Nigéria não é aceitável à liderança cristã neste país", disse Eugene.
 
Enquanto isso, no estado de Kano, os cristãos estão sendo controlados pela lei islâmica quanto à maneira como se vestem. No dia 16 de maio, em um fórum muçulmano na cidade de Kano, o governador Malam Ibrahim Shekarau ordenou que todos os cristãos do estado devem se vestir de acordo com os preceitos islâmicos. A ordem foi enviada às igrejas cristãs e instituições cristãs no estado.

Malam disse: "Todos os cristãos em Kano estão, de agora em diante, proibidos de se vestir da maneira que quiserem. Sua vestimenta deve refletir a cultura e a religião do islamismo".

De acordo com o governador, a implementação do código de vestimenta começará imediatamente nas escolas de todo o estado, e depois será estendida. Tais vestimentas aprovadas para as mulheres pelo governo, segundo ele, incluem a cobertura para a cabeça e longos mantos que cobrem da cabeça aos pés. Algumas das escolas já apoiaram o código de vestimenta islâmico.

O reverendo Zakka Nyam, o bispo anglicano de Kano, acusou o governo do estado de perseguir os cristãos. Em uma entrevista ao Compass na cidade de Kano, no dia 3 de junho, Zakka disse que foi negada terra aos cristãos do estado para construírem igrejas. Afirmou também que eles foram embebidos com a cultura islâmica e que muitos foram mortos e tiveram suas igrejas foram destruídas.

"Deixe-me citar um exemplo do tipo de problemas que encaramos aqui em Kano. Fomos forçados pelo governador a não construir nossas igrejas em Fagge, 23 anos depois que seus fundamentos foram lançados. O governador do estado de Kano decidiu que não permitiria a construção da igreja", Zakka disse.

"A discriminação religiosa continua a ter proeminência aqui em Kano. Estamos sendo perseguidos e privados de lugares de culto no estado de Kano, apesar do fato de nós, cristãos, termos vivido em paz com os muçulmanos", Zakka explicou.


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