Chineses exigem direitos humanos

| 04/08/2005 - 00:00


A China está testemunhando o aumento da ira contra a corrupção oficial e a crescente determinação na exigência dos direitos humanos.

Os sinais evidenciam que protestantes e católicos clandestinos, budistas tibetanos, muçulmanos, camponeses, metalúrgicos, acadêmicos e jornalistas compartilham o mesmo sentimento de injustiça perpetrada contra eles através do Partido Comunista.

Em relação aos cristãos não registrados, a idéia de levantar a bandeira dos perseguidos está no seu melhor momento. Por exemplo, cinco advogados chineses se ofereceram defender o pastor Cai Zhuohua, líder de uma igreja doméstica, preso em setembro do ano passado por imprimir 200.000 Bíblias. Um desses advogados, Fan Yageng, é um pesquisador associado do Instituto de Estudos Legais da Academia de Ciências Sociais, que é muito prestigiada no país.

As autoridades acusaram Cai de praticar de transações comerciais ilegais. Cai alega que as Bíblias foram impressas para a distribuição gratuita, e assim não se constitui em negócio ilícito.

O governo tem pressionado, sem sucesso, esses advogados para retirarem a defesa em favor de Cai. As autoridades governamentais temem que esse caso atraia a atenção internacional.

Os milhões de camponeses do país também estão se tornando cada vez mais impacientes com a corrupção oficial. A preocupação desse grupo foi exposta no início de 2004, com a publicação da matéria "Uma pesquisa sobre os camponeses da China". Essa pesquisa foi escrita por dois jornalistas investigativos do país que desmascararam a repressão brutal e a corrupção praticada por oficiais locais contra essa camada mais simples da sociedade.

Nos últimos meses, esses camponeses têm se engajado na violenta onda de protestos sobre os direitos de terra e poluição ambiental.

Em abril, milhares de camponeses protestaram contra uma usina química em Dongyang, província de Zhejiang, resultando numa batalha sangrenta com a polícia e os oficiais locais.

Em junho, o "South China Morning Post" registrou que pelo menos seis pessoas foram mortas na província de Hebei, quando centenas de bandidos armados atacaram os habitantes do vilarejo que se recusavam a entregar suas terras para uma fábrica de eletrônicos.

Vários camponeses e trabalhadores braçais convergiram para as embaixadas dos Estados Unidos e da França na capital chinesa entre os dias 18 e 23 de junho, com a esperança de expressar seu descontentamento contra o confisco ilegal de terras, a burocracia e a corrupção. Entretanto os manifestantes foram presos e retirados da área pela polícia de Beijing.

De acordo com uma pesquisa recente feita pelo National Bureau os Statstics, a desigualdade social na China aumentou no primeiro trimestre de 2005, com 10% da população detendo 45% da riqueza nacional. A camada dos 10% mais pobres, principalmente os camponeses aqui citados, representa 1,5% do total, conforme mostra a agência de notícias de "Xinhua News". Esse abismo social entre ricos e pobres no país já é o maior em todo o mundo.

"A coisa que todo mundo mais odeia é a corrupção", disse à agência um economista do Instituto de Pesquisas Econômicas.

Num movimento sem precedentes, mais de 2.000 jornalistas assinaram recentemente uma carta aberta, apelando para a Suprema Corte Popular de Guangdong para que dois jornalistas fossem libertados.Yu Huafeng e Li Minying foram presos em janeiro de 2004, sentenciados a 12 e 11 anos de prisão, respectivamente, acusados de corrupção.

Seus colegas alegam que, em 2003, os dois publicaram uma matéria mostrando o espancamento até a morte de um jovem designer gráfico que estava sob custódia da polícia. Eles também relataram um caso suspeito de SARS em dezembro desse ano, quando o governo chinês ainda tentava sufocar relatos de uma epidemia.

Em 2004, e pelo sexto ano consecutivo, a China prendeu mais jornalistas do que qualquer outro país.

Entretanto, na Austrália, o diplomata chinês Chen Yonglin, foi destaque quando pediu asilo político. Chen escolheu o dia 4 de junho, data do massacre da Praça Tiananmen, para anunciar seu afastamento do Partido Comunista e acusar o governo chinês de repressão política e religiosa.

Chen alega que uma de suas responsabilidades na Austrália era monitorar a Falun Gong, seita severamente reprimida na China. Ele também causou grande impacto ao afirmar que a China opera uma rede de espionagem com cerca de mil pessoas infiltradas na Austrália.

Com a liberdade de imprensa sufocada na China, poucos se atrevem a relatar as injustiças cometidas contra as minorias religiosas, migrantes e outros grupos marginalizados. Enquanto o Partido Comunista prossegue com suas táticas truculentas, esse método pode perder sua eficácia em um país onde as pessoas estão rapidamente se apegando à moderna noção de direitos humanos.


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