Cristãos são agredidos pela polícia de Punjab

| 11/10/2005 - 00:00


As tensões religiosas no estado de Punjab aumentaram desde o final de setembro, quando a polícia levou vários cristãos em custódia para protegê-los dos extremistas hindus, mas, em vez disso, os agrediu na cadeia.

Cerca de 50 cristãos participavam de uma reunião de oração em uma residência em Maloud, distrito de Mukhtsar, na noite de 25 de setembro, quando uma multidão, incluindo membros do grupo extremista hindu Bajrang Dal, invadiu a casa. Liderada por Lekhraj Batla, presidente do Bajrang Dal em Maloud, a multidão ameaçou os cristãos e agrediu alguns deles.

O Bajrang Dal é a facção jovem da organização extremista Vishwa Hindu Parishad (VHP ou Conselho Mundial Hindu).

Os fiéis chamaram a polícia e quatro deles - Gurdev Singh, Balkaran Singh, Jaswant Singh e Amar Singh, o pastor - foram levados em custódia, já que a multidão estava ficando cada vez mais violenta.

Na delegacia, entretanto, Hukum Chand Sharma, subinspetor assistente da polícia de Maloud, colocou-os atrás das grades. Sharma, que estava bêbado, golpeou os cristãos repetidas vezes, ferindo gravemente Gurdev Singh e Amar Singh.

O subinspetor enviou reforços para deter o pastor Swarnjit Singh, que também estava presente na reunião de oração. Porém, o pastor tinha acabado de deixar o local para orar com outros pelos que haviam sido presos.  Então, a polícia prendeu o pastor Sukhdev Singh que estava visitando a casa. O pastor Sukhdev Singh havia estado no encontro de oração anteriormente.

A polícia levou o pastor Sukhdev em custódia, e, na cadeia, o subinspetor Sharma agrediu o pastor de 60 anos, deixando-o seriamente ferido.

"A polícia trabalhou em conjunto com o Bajrang Dal, mesmo antes de eles atacarem nossa reunião", afirmou o pastor Swarnjit. "Hukum Chan Sharma estava embriagado e agrediu os cristãos várias vezes, dizendo a eles: Clamem por Jesus agora e deixem-me ver como ele salva vocês da ira de Hukum Chand Sharma.".

A polícia libertou os cristãos na tarde do dia seguinte, já que, de acordo com a lei indiana, uma pessoa não pode ficar presa por mais de 24 horas.

"Os pastores e os outros irmãos estavam em péssimo estado quando a polícia os libertou" informou o pastor Swaranjit. "Eles não tinham recebido curativo para os machucados e tivemos que levá-los direto para o hospital".

Gurdev Singh e Sukhdev Singh permaneceram no hospital gravemente feridos. Quando os líderes cristãos de Maloud relataram o incidente ao superintendente de polícia, ele inicialmente não deu atenção. Mas depois que a delegação cristã insistiu em apresentar provas, ele abriu um inquérito. Os resultados ainda estão sendo aguardados.

Conflitos em Jalandhar

Enquanto os crentes em Maloud ainda estavam abalados, outro incidente em 26 de setembro na cidade de Jalandhar perturbou a comunidade cristã.

Membros do Movimento Cristão de Punjab seguiam para o gabinte de um delegado, levando uma reclamação por escrito protestando contra a visita do chefe do Rashtriya Swayamsevak Sangh (RSS) K. S. Sudarsh, quando ativistas e membros do RSS junto com membros do Yuva Hindu Manch (Tribuna Jovem Hindu) os atacaram.

No conflito que se seguiu, no qual um lado atacou o outro com pedras, dois ativistas do RSS e cinco cristãos, incluindo uma mulher, ficaram feridos.

O RSS e seus aliados publicaram notícias dos dois ativistas feridos na mídia impressa e eletrônica, sugerindo que o Bajrang Dal aumentasse as ameaças de um boicote econômico aos cristãos caso as autoridades não tomassem uma providência contra eles.

O superintendente da polícia agiu rapidamente, prendendo cinco membros do Movimento Cristão se Punjab, incluindo o presidente Hamid Masih. Os outros membros presos foram Freddy, Joseph, Anil Kumar, Surinder Gill e Lal Chand.

Todos eles foram acusados de tentativa de assassinato. Se condenados, eles podem ser multados e punidos com prisão de até 10 anos.

As tensões aumentaram ainda mais quando a Igreja Católica divulgou comentários contrários ao Movimento Cristão de Punjab logo após o incidente. Em uma entrevista à imprensa, o padre Emmanuel Y Diwan, porta-voz da Igreja Católica em Jalandhar, disse que a igreja não tem ligação com o movimento e que não apóia nenhuma de suas atividades.

Ele ainda acrescentou que a Igreja Católica não se opunha à visita de Sudarshan, o líder da RSS, à cidade.

Quando Sudarshan visitou Jalandhar, fez declarações contra as minorias muçulmana e cristã, dizendo que apenas os judeus e os parsis (seguidores do zoroastrismo) merecem o status de minoria. "Já que 99% dos muçulmanos e cristãos nasceram e foram trazidos à Índia e são apenas convertidos, essas duas comunidades não deveriam receber o status de minoria", disse ele.


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