Igreja doméstica enfrenta forte oposição

| 25/10/2005 - 00:00


Cristãos numa vila remota estão sendo espancados, humilhados publicamente e tirados de suas casas e empregos por seguirem a Cristo.

Kaldibek Primbetov, líder de um grupo em Janbashkala, perto de Turkul, disse que um homem está tramando uma oposição ferrenha contra sua congregação.

"Não há espaço para cristãos aqui", Primbetov foi alertado há dois anos, quando os mais ricos e influentes articularam uma campanha contra uma minoria de cem evangélicos.

"Toda a população aqui é muçulmana", disse Tokhtabay Sadikov, um líder da vila, para as famílias que se converteram ao cristianismo. "Melhor vocês irem para o Cazaquistão ou para a Rússia, caso queiram continuar cristãos".

Como o homem mais poderoso da vila, Sadikov tem pressionado, desde o início de 2004, a polícia local, os oficiais civis, a corregedoria e o clero muçulmano para impor medidas punitivas contra os habitantes, que ficaram conhecidos "por abandonarem a fé muçulmana de seus pais" para seguirem a Jesus.

Evangélicos que compreendem a cerca de 12 mil habitantes na vila não têm tido acesso a água para as suas casas; homens, mulheres e até crianças ficam sujeitas a agressões físicas, contou Primbetov a Compass. Outros perderam seus empregos ou negócios, tiveram suas casas saqueadas ou confiscadas tendo que enfrentar multas astronômicas por participarem de cultos domésticos.

Parentes desses cristãos, sob ameaça, admitem que temem ajudar seus próprios familiares.

Em face à oposição, mais da metade das famílias cristãs fugiram da vila, localizadas nas regiões autônomas de Karakalpakstan. Somente 20 dos membros de igreja que permaneceram ainda ousam se reunirem com Primbetov, o primeiro homem da vila a se tornar cristão, há cinco anos.

Denúncias públicas

A campanha de Sadikov teve início no começo do ano passado, quando ele ordenou que todos os cristãos da vila comparecessem a uma reunião com oficiais da comunidade local e mestres das leis muçulmanas. Mas o encontro foi realizado quando Primbetov estava na corregedoria, para que ele fosse impedido de comparecer à reunião.

O primeiro alvo de Sadikov foi a esposa de Primbetov, Kurbangul, com uma lista de insultos e prometendo quebrar sua perna caso não voltasse a ser muçulmana. Quando ela se recusou, Sadikov começou a insultá-la durante uma hora, tentando humilhá-la perante outro líderes cristãos de sua comunidade.

Em prantos, Kurbangul Primbetov finalmente suplicou para o seu acusador parar, para que ela continuasse a amamentar sua filha, que estava em seus braços enquanto ela permanecia circundada por uma multidão. Tanto Sadikov como Sapargul Gakilova, líder do comitê distrital, caçoaram dela, declarando que não estavam preocupados se o bebê morresse. Mas como ela continuou relutante em renegar sua fé, finalmente eles a deixaram ir.

Em seguida, o próximo alvo foi um empresário, dono de duas drogarias na vila. Arrastando-o perante a multidão, Sadikov insistiu para que ele abandonasse sua fé, mas ele também se recusou. Desde então, o dono dessa drogaria passou a perder todos os seus clientes e seus fornecimentos foram confiscados, forçando-o a fechar as duas lojas. "Ele perdeu tudo", disse Primbetov.

Nesse primeiro confronto, Sadikov também forçou 200 habitantes da vila a assinar um documento acusando os cristãos de tramarem uma explosão contra uma escola local e de se oporem ao governo.

Ao final de fevereiro de 2004, Sadikov tinha feito um total de 8 reuniões para denunciar os cristãos, forçando todos ao comparecimento. Por fim, várias famílias decidiram deixar a vila, vendendo suas casas e se mudando para o Cazaquistão para escapar da fúria de Sadikov.

Mas, como líder da congregação, agora encolhida, Primbetov se sentiu obrigado a ficar, apesar das sérias conseqüências.

Em um ataque pela madrugada, Makset, filho de Sadikov, foi até a casa de Primbetov com outros agressores, e quebrando as janelas. Com uma lata de vinte litros de gasolina, os agressores exigiram que ele se tornasse muçulmano, caso contrário a casa seria incendiada.

"Oramos bastante", disse Primbetov, "e Deus nos livrou. Makset estava bêbado, e começou a brigar com seus próprios amigos, deixando os arredores da minha casa".

Num incidente no dia 7 de dezembro, Primbetov foi novamente agredido por alguns dos parentes de Sadikov quando se encontrava sozinho em sua casa. Os agressores confiscaram a escritura de sua casa e o forçaram a sair. A casa agora se encontra ocupada pelo filho de Sadikov, forçando Primbetov e sua família a mudar-se para a casa dos parentes de sua esposa.

Em junho passado, Sadikov ordenou que o serviço de água encanada fosse cortado das casas de todos os cristãos conhecidos da aldeia. "Nossas crianças têm de beber água suja e por isso estão sempre doentes", afirmou Primbetov. Apesar dos apelos à companhia de água e aos médicos locais, ninguém ousa se opor às ordens de Sadikov

Multas e prisão

Tanto Primbetov como o dono das drogarias receberam ordem de uma corte local para pagar multas de $ 75,00 - equivalente a 15 salários mínimos - por participarem de "atividades religiosas ilegais" e distribuir literatura cristã. Nenhum dos dois homens possui recursos para pagar essa multa, tendo que recorrer da decisão para a Suprema Corte em Nukus, capital da região de Karakalpakstão.

Depois disso, o dono das drogarias foi acusado de falar "desrespeitosamente" ao promotor, e por isso ele pode ser condenado a pagar uma multa de 200 mil soms (cerca de cinqüenta salários mínimos) e quatro meses de reclusão.

Pelo menos duas delegações do governo foram até Tashkent para se reunirem com Sadikov nos últimos dois meses, aparentemente em resposta às reclamações oficiais de Primbetov. "Ficamos sabendo que eles extorquiram muito dinheiro de Tokhtabay Sadikov", disse Primbetov, "mas essas visitas não resolveram nossos problemas".

Oficialmente, repressiva lei religiosa do país bane todas as atividades não registradas. O que faz com que nenhuma das 20 igrejas evangélicas e dezenas de igrejas domésticas da região estejam dentro da lei.

Demitido de seu emprego em uma escola local por causa de sua fé, Primbetov agora trabalha na lavoura, cultivando arroz, enquanto sua esposa faz costuras para a vizinhança.

Primbetov afirmou que, durante os três primeiros anos como cristão, ele e o crescente número de parentes e vizinhos que se tornaram cristãos nunca tinham sido incomodados pelos outros moradores.

"A fonte da nossa perseguição nos últimos dois anos é esse único homem", conta Primbetov, observando que nenhum dos habitantes se opõe aos encontros. "Eles dizem que se Tokhtabay Sadikov parar com isso, então nossos problemas cessarão".

Primbetov ainda concluiu: "Não temos nada a perder se falarmos ao mundo todo a respeito dessa situação".


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