Pastor é agredido e ameaçado por extremistas

| 21/11/2005 - 00:00


Extremistas hindus atacaram o pastor Feroz Masih, de 62 anos, no estado de Himachal Pradesh, norte da Índia, no dia 4 de novembro, acusando-o de "forçar conversões" e agredindo-o violentamente.

Os agressores forçaram Masih a assinar um documento dizendo que ele concordava em participar de uma cerimônia, agendada para o dia 20 de novembro, na qual todos os 60 membros de sua igreja seriam convertidos de volta ao hinduísmo.

Os extremistas disseram que se o pastor e outros membros da igreja se recusassem a participar, eles seriam carbonizados.

O ataque e a agressão ocorreram quando o pastor Feroz Masih, um ex-hindu, estava viajando para Norha, um vilarejo vizinho, para confortar um membro de sua igreja que havia perdido um membro da família.

Ramesh, filho do pastor, disse a Compass que cerca de 10 membros do Conselho Mundial Hindu (VHP - Vishwa Hindu Parishad) e da ramificação jovem, Bajrang Dal, barraram seu pai e o acusaram de forçar conversões.

Os argumentos verbais logo deram lugar à violência. O grupo bateu no pastor com tanta violência que ele sofreu ferimentos internos, precisando de tratamento médico. Ele ainda está se recuperando.

O pastor Feroz Masih, juntamente com seu filho, dirige uma congregação local da Igreja dos Fiéis na Índia, que se reúne em sua casa, na cidade de Baijnath, a cinco quilômetros  do vilarejo de Norha. Cerca de 60 cristãos participam dos cultos todos os domingos.

Logo depois do ataque, os extremistas disseram ao pastor que eles iriam à sua casa no domingo e realizariam uma cerimônia hindu, na qual a "Gita", a escritura hindu, seria lida e todos os cristãos seriam reconvertidos ao hinduísmo.

"Em seguida, eles forçaram meu pai a assinar um comunicado dizendo que concordava em se reconverter e em reconverter os membros de sua igreja ao hinduísmo", contou Ramesh Masih. "Eles também avisaram ao meu pai que ele e todos os membros da igreja seriam queimados vivos caso recusassem a reconversão. Além disso, eles ainda ameaçaram incendiar as casas dos fiéis."

O pastor Feroz Masih e seu filho enviaram uma carta com as queixas para os oficiais da delegacia de polícia de Baijnath, para o coletor do distrito de Kangra, e para a Comissão Nacional para as Minorias.

A carta exigia que a polícia proteja os cristãos de Baijnath e dizia que os cristãos iriam envolver o responsável pela administração por qualquer perda de vidas ou de bens no domingo.

"Não vamos permitir que o VHP organize uma reunião de reconversão ou qualquer outro evento religioso em nossa casa", escreveu o pastor.

A carta incluía os nomes de seis dos agressores, todos moradores da região de Baijnath: Harbans Lal, Madan Lal, Santosh Kumar, Ravi Kumar, Jitender Kumar e Bablu Kumar.

A polícia, entretanto, considerou a agressão como um "incidente menor", de acordo com Constable Rakesh Kumar, da delegacia de polícia de Baijnath.

"Uma queixa oficial (a respeito do ataque) não foi registrada, e ninguém foi detido", disse ele a Compass.

Constable Kumar disse que o VHP atacou o pastor Feroz Masih por causa da reclamação feita por um morador local, Prakash Chand, que foi à delegacia alegando que o pastor tinha forçado a conversão de sua esposa há dois. "Estamos convencidos de que ele não a converteu pela força", acrescentou Constable.

O filho do pastor, entretanto, disse que a agressão aconteceu depois de uma reportagem na mídia local ter informado que o pastor Masih estava convertendo os hindus à força.

Ramesh nega as declarações feitas contra ele e seu pai.

"Nós simplesmente pregamos a mensagem de paz e alegria que há na Bíblia. Todos os crentes que freqüentam os cultos adotaram o cristianismo por sua própria vontade", afirmou ele.

Os extremistas do VHP tinham ameaçado o pastor anteriormente e chegaram a atirar pedras em sua casa em abril.

Os Masihs ainda esperam por uma reação da polícia em relação às ameaças de morte feitas pelos membros do VHP.

Himachal Pradesh tem uma das menores populações cristãs da Índia. De acordo com o censo de 2001, o número de cristãos era de apenas 7.687 em um total de 6 milhões de pessoas.


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