Pastor é morto em atropelamento

| 06/12/2005 - 00:00


Ameaçado pela polícia egípcia por realizar reuniões em sua igreja doméstica, um pastor evangélico foi atropelado por um táxi no Cairo e morto em decorrência de hemorragia interna e fratura craniana.
 
Ezzat Habib, seu filho Ibram Habib e um amigo estavam atravessando a rua no bairro de Materya na noite do dia 23 de outubro, quando um táxi, que estava parado, saiu em direção aos três, atingindo-os por trás.
 
O pastor, de 58 anos, foi imediatamente levado ao hospital local sendo submetido à cirurgia na manhã seguinte, vindo a falecer naquele mesmo dia. O amigo, que pediu para não ser identificado, sofreu fratura na perna, e Ibram Habib recebeu vários ferimentos na perna também. Ele continua sentindo dores nas costas

A equipe do hospital preparou um relatório sobre o incidente que Ibram Habib teve de assinar logo depois de levar seu pai até o hospital.
 
"Eu assinei o papel sem estar plenamente consciente", disse a Compass o filho, que está envolvido em tempo integral no ministério. "Quando eu li a ocorrência depois, estava completamente diferente do que realmente tinha acontecido. O taxista pagou uma grande quantia de dinheiro para que fosse liberado".

Nenhum acidente

Ibram Habib e seus irmãos, George e Amir, têm certeza de que a morte de seu pai não foi acidental.
 
Cristãos egípcios sujeitos a interrogatórios policiais são freqüentemente ameaçados de que serão mortos ou agredidos por atropelamento caso não cooperem com as exigências policiais.

A família do pastor tem passado por ameaças constantes e perseguições físicas de vizinhos e da Investigação de Segurança do Estado (SSI), a polícia de segurança nacional do país, nos últimos dois anos por seu papel sediar a Beit-El (Casa de Deus), em Giza, subúrbio do Cairo.

Depois de tentar entender a morte de seu filho mais velho, Hany, o pastor Habib, que ganhava a vida como alfaiate, fundou uma igreja em sua casa em 1997. Por seis anos, membros da Beit-El atuavam com relativa liberdade como única igreja em El-Harem, vizinhança de maioria muçulmana em Giza.
 
Em junho de 2003, depois de receber reclamações dos vizinhos da igreja, dois soldados passaram a investigar a congregação. Durante a segunda investigação, no dia 1º de julho, a polícia de Boulak el-Kakrour chegou com dois carros, um microônibus, e um veículo cheio de soldados.
 
Eles entraram com uma queixa contra a congregação por perturbar a vizinhança e o pastor Habib foi preso.
 
Ele foi mantido na delegacia Boulak el-Dakrour, numa cela subterrânea tão pequena que não havia nem condições de ele ficar sentado. Durante um período de seis dias, a polícia abusou dele física e sexualmente, disseram seus filhos a Compass.

No quinto dia, o oficial Hussein Gohar da SSI interrogou o pastor, que estava com os olhos vendados e as mãos acorrentadas, enquanto um policial de cada lado do interrogado ficava incumbido de agredi-lo fisicamente e insultar sua esposa. Gohar, conhecido por torturar cristãos egípcios, alertou o pastor Habib que parasse com as reuniões em sua casa e que proibisse estrangeiros e muçulmanos de comparecerem.

"Está bem, vou parar com as reuniões", disse finalmente Habib aos seus algozes. No dia seguinte ele foi levado até o promotor estadual, que no Egito usufrui de um amplo poder que inclui a prisão suspeitos. Lá, o pastor foi informado de sua soltura. Mas ao sair da promotoria, a polícia não o libertaria até que ele pagasse os policiais.
 
Apesar do pastor estar preso, a congregação Beit-El continuou com suas reuniões à noite. Nas semanas que passaram, a polícia fez outras três batidas prendendo nove pessoas. Nas três ocasiões, nenhuma acusação formal foi feita, e o promotor estadual ordenou a soltura dos cristãos, mas a polícia se recusava libertá-los até que fosse pago algum dinheiro a eles.
 
Após a última batida policial, no dia 30 de julho de 2003, em que um padre ortodoxo de 72 anos, uma freira de 73 anos e Amir Habib e seus dois primos foram presos, a congregação decidiu suspender todas as suas atividades.
 
Um ano depois, em julho de 2004, após tentativas de registrar a igreja terem sido rejeitadas pelas autoridades locais, a congregação Beit-El retomou suas reuniões.
 
Dias depois, o pastor Habib recebeu um telefonema do tenente da SSI Medhat Allem. "Qual o motivo de as reuniões terem sido retomadas?", perguntou Allem, enfurecido. "Você vai ver o que vai lhe acontecer."
 
Naquele mesmo mês, duas árvores em frente ao apartamento de Habib foram cortadas, caindo em direção à sua casa, quebrando as janelas. O pastor tentou entrar em contato com a polícia quando viu um homem em frente ao seu quintal cortando a árvore com um machado, mas as linhas telefônicas tinham sido cortadas e a porta da frente fechada por fora.
 
De acordo com um vizinho muçulmano que se aproximou do homem que cortava a árvore, o intruso alegava ter permissão da SSI para cortar as árvores.
 
"Eu não falei para você parar de realizar as reuniões?", disse Allem ao pastor Habib, quando este, finalmente, foi até o oficial da SSI. "Veja o que está acontecendo com você."

Igreja apedrejada
 
Membros da congregação, que agora são apenas 15, continuaram a enfrentar perseguição na medida em que persistiam em se reunir no ano seguinte. Jovens mulheres à caminho das reuniões eram insultadas verbalmente por vizinhos que lhes atiravam baldes da água. O cômodo da congregação foi apedrejado.

No dia 19 de setembro, somente um mês antes da morte do pastor Habib, Amir e George, seus filhos, acompanhavam a noiva de George e outra jovem até em casa depois da reunião da noite, quando um adolescente, Ahmed Kahlif Ali Mustafa, começou a insultá-las. Quando Amir Habib gritou de volta, o jovem fingiu não estar falando com eles.

Mais tarde, quando os irmãos Habib retornavam para casa, Mustafa os abordou com uma faca e esfaqueou Amir Habib por três vezes antes de fugir. Depois de dar queixa na polícia, o cristão foi para um hospital local, onde recebeu pontos em seu ombro e na parte de cima do braço e passou por cirurgia no pulso.

Apesar da morte de seu pai e da perseguição contínua da polícia e de seus vizinhos, os irmãos Habib permaneceram resolutos em continuar com a reunião doméstica.
 
"Depois da morte do meu irmão, meu pai começou a perguntar para Deus qual o propósito de tudo isso", disse Amir a Compass. "Ele começou Beit-El pois acreditava que era da vontade de Deus. E além do mais, naquela vizinhança não há outra igreja de qualquer denominação. Por causa disso, vamos continuar com as nossas atividades".

Mas continuar com a igreja doméstica Beit-El naquele local não será fácil.
 
Tentativas de mudar o local das reuniões em Giza no verão passado foram sufocadas por oficiais da cidade que se recusaram a fornecer água e eletricidade, e depois lacrando o apartamento que a família Habib comprara numa rua próxima.
 
Licenciar o apartamento como uma organização não-governamental também resultou em fracasso, pois nenhum advogado mostrou boa vontade para ajudar a família.

"O que escutamos do advogado foi: Se a SSI está no caso, então, não existe nada que eu possa fazer.", contou Amir.
 
Os irmãos também estavam preocupados com a saúde da mãe, que, segundo eles, já estava em situação crítica devido ao estresse mesmo antes da morte do pai.

Temendo muito pela perseguição das autoridades, os três irmãos e sua mãe foram forçados a se separar, ficando em casas de diferentes amigos, somente retornando à velha casa para as reuniões da igreja.


Sobre nós

Uma organização cristã internacional que atua em mais de 60 países apoiando os cristãos perseguidos por sua fé em Jesus.

Facebook
Instagram
Twitter
YouTube

© 2022 Todos os direitos reservados

Home
Lista mundial
Doe
Fale conosco