Cristãos iranianos choram a morte de pastor martirizado

| 13/12/2005 - 00:00


Os cristãos iranianos estão de luto pela morte de Ghorban Dordi Tourani, um cristão iraniano e o primeiro turcomano do Irã conhecido por ter sido martirizado por causa de sua fé cristã. Ele foi assassinado no final de novembro último por um grupo anônimo de fanáticos muçulmanos.

Líder de uma igreja doméstica no nordeste do Irã, Ghorban Tourani foi levado de sua casa em Gonbad-e-Kavus em 22 de novembro. Poucas horas depois, esse convertido ao cristianismo de 53 anos foi apunhalado até a morte, e seu corpo espancado e ensangüentado foi atirado em frente à sua casa.

Ghorban Tourani, de origem turcomana, nasceu em Gonbad-e-Kabus em uma família muçulmana de tradição sunita. Sob influência de seu zeloso pai, que levou os oito filhos a seguir os princípios islâmicos, o desejo de Ghorban na ocasião em que concluiu o ensino médio era estudar teologia islâmica no Egito e tornar-se um líder muçulmano sunita.

Entretanto, seu pai não conseguiu financiar os estudos do filho na prestigiosa Universidade Al-Azhar, no Cairo, então, em vez disso, o rapaz lia livros islâmicos constantemente, buscando encontrar Deus. Como, depois de alguns anos, Ghorban não conseguiu satisfazer sua busca espiritual, ele finalmente se convenceu de que Deus não existia. Ele tornou-se uma pessoa frustrada e raivosa, envolvendo-se em conflitos e participando de várias atividades criminosas.  Posteriormente ele se deixou envolver pela filosofia marxista.

Depois do casamento, quando sua esposa estava grávida de seu terceiro filho, Ghorban Tourani decidiu cruzar a fronteira para conseguir um emprego melhor do lado do Turcomenistão, então ainda sob o domínio comunista da União Soviética.

Lá, porém, ele se envolveu em uma violenta discussão com alguém e durante uma luta, para se defender, ele puxou uma faca e matou seu oponente. A acusação por homicídio culposo levou-o à cadeia em 1983, condenado a 15 anos de prisão.

Três anos depois, Ghorban tentou suicidar-se, mas foi hospitalizado e sobreviveu. De vez em quando, um grupo de evangelistas cristãos conseguia visitar a prisão para pregar e conversar com os prisioneiros, porém ele era veemente em rejeitar a mensagem.

Mais tarde, um cristão russo chamado Constantine que tinha sido preso por causa de sua fé foi transferido para a cela de Ghorban Tourani. Agindo como amigo de Ghorban, devagar Constantine começou a partilhar sua fé em Cristo com ele, desfazendo aos poucos a insistência de seu colega de cela de que Deus não existia, muito menos aquele Jesus que Constantine dizia ser o "Filho de Deus".

"Quanto mais Ghorban conhecia Constantine, mais ficava impressionado com o amor e a paz que ele tinha", observou um cristão iraniano.

Através dos evangelistas visitantes, Constantine conseguiu um Novo Testamento para Ghorban, dizendo a ele: "Leia esse livro para saber a respeito do Jesus que eu compartilho com você. Você vai perceber se vale a pena lutar contra ele ou não!".

Tomando o livro, Ghorban leu-o inteiro em apenas duas semanas. Profundamente impactado, ele disse a Constantine que estava pronto a se tornar um cristão. Dentro de poucos meses sua vida estava tão transformada que, quando ele se dirigia ao chefe da prisão e pedia permissão para realizar reuniões cristãs dentro do presídio o homem concordava.

Mesmo Constantine ficava supreso pela decisão do oficial da prisão, dizendo a Ghorban que ele e outros cristãos tinham estado presos naquele local há anos sem nunca conseguir tal concessão.

"Você é um novo convertido, mas Deus está começando a usar você de forma poderosa", disse Constantine a Ghorban.

Depois o cristão russo aconselhou Ghorban: "Quando você sair da prisão, volte para o Irã, para os turcomanos de sua nação. Deus vai usar você entre os turcomanos em um ministério de igreja doméstica".

Foi exatamente isso que Ghorban fez quando acabou de cumprir sua sentença, em 1998. Chegando em sua casa em Gonbad-e-Kavus, ele viu pela primeira vez sua terceira filha, uma moça de 15 anos que nasceu enquanto ele estava no Turcomenistão.

Ghorban começou em sua própria casa a compartilhar com seus parentes, amigos e outros membros da tribo turcomana as verdades cristãs que tinham mudado sua vida durante seus anos na prisão.

Depois que 12 turcomanos se tornaram cristãos em dois anos, Ghorban procurou um líder de igreja em Teerã que o orientou no discipulado e ensino desses novos convertidos.

"Ghorban era um cristão muito corajoso e destemido", disse esse pastor iraniano depois da morte de Ghorban. "Ele era capaz de falar de Jesus em diferentes locais, em ruas, lojas e feiras. Ele estava convencido de que não podia guardar sua fé para si mesmo, mas que devia reparti-la com os outros em todos os lugares".

Em conseqüência disso, muçulmanos fanáticos de sua comunidade passaram a ameaçá-lo, e seu próprio irmão, certa vez, marcou-lhe o rosto com uma faca. No entanto, dezenas de turcomanos em sua cidade e circunvizinhanças se entregaram a Cristo através do testemunho e do ministério de Ghorban.

O governo iraniano, que enviou a polícia secreta para investigar a casa de Ghorban e confiscar o material cristão depois de sua morte, disse à família que muçulmanos locais que estavam "furiosos por causa de sua conversão" aparentemente o assassinaram.

Ghorban deixou a esposa Offool Eachicke e quatro filhos, a mais velha que é casada, o filho Hadi, de 23 anos, a filha Aysen, de 21, e a filha Anahid, de 4 anos.

Desejo entregar minha vida
(Essa oração foi escrita por Ghorban Dordi Tourani e distribuída pelo Irã um ano antes de sua morte)

Amado Senhor Jesus, deixe-me chegar à sua presença
Para que eu possa tocar seus pés perfurados

Amado Senhor Jesus, deixe-me adorá-lo em humildade
E beijar-lhe as mãos e os pés perfurados e feridos

O Senhor foi pendurado na cruz do Gólgota e perfurado com quatro pregos
Enquanto o seu sangue escorria

Nessa situação terrível, como o Senhor ainda conseguia amar suas criaturas?
O Senhor até mesmo desejava abraçar aqueles que o crucificaram.

O Senhor foi torturado por minha causa, sim, por minha causa
Não apenas por mim, mas também por meu pai e minha mãe.

Por minha causa o Senhor sofreu as mais cruéis dores na cruz durante seis horas.
Eu queria não ser pecador, para que o Senhor não precisasse sofrer por minha causa.

Como eu gostaria de estar lá e retirar os pregos das suas formosas mãos quando o Senhor estava na cruz.

Como são terríveis meus pensamentos quando penso que eu poderia ser capaz de ajudá-lo a não sofrer tanto.

Senhor Jesus, por favor, deixe-me glorificar seu santo nome a cada momento da minha vida nesta terra.

Desejo entregar minha vida que pertence ao Senhor, por amor ao Senhor e à sua Igreja.


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