Sobrevivente fala sobre as decapitações de meninas em Poso

| 04/01/2006 - 00:00


Com uma larga cicatriz que vai do pescoço até embaixo do olho direito, Noviana Malewa é a única sobrevivente do ataque que decapitou três meninas cristãs em Sulawesi, Indonésia, em 29 de outubro. O jornal australiano "The Australian" falou com Noviana Malewa depois de sua recuperação.

"Tudo o que eu pude fazer foi pedir a Jesus Sua ajuda", disse a garota de 16 anos. "Saí de lá coberta de sangue".

Noviana, que vive agora sob a guarda da polícia na cidade cristã de Tentena, descreveu como ela e suas amigas pegavam um atalho para a escola através da mata e das plantações quando elas encontraram no caminho uns cinco homens mascarados. Em segundos, três das adolescentes foram decapitadas - as primeiras vítimas da violência que levou essa ilha indonésia a outro conflito com os terroristas.

Enquanto Noviana fugia sangrando, os assassinos pegavam a cabeça de suas amigas, colocavam-nas em sacos plásticos e então as atiravam nas partes cristãs da pequena cidade de Poso, uma delas em uma varanda e as outras duas na rua.

"Elas foram mortas como se fossem galinhas", disse Hernius Morangki, pai de uma das meninas.

Militantes muçulmanos são acusados das decapitações, o ato mais horrível na campanha de terror contra os cristãos de Sulawesi.

A violência entre muçulmanos e cristãos já matou cerca de mil pessoas em Sulawesi entre 2000 e 2002. Ela tem atraído os militantes de toda a Indonésia, alguns deles são membros do grupo terrorista Jemaah Islamiah.

Apesar do acordo de paz, os bombardeios e outros ataques aos cristãos continuam, especialmente em Poso.

Ex-combatentes e oficiais de segurança dizem que os últimos ataques foram realizados por muçulmanos da ilha, buscando vingar a morte de outros muçulmanos em choques anteriores; ou então por terroristas que querem despertar uma nova guerra.

"Eles querem ver Poso alerta com o espírito da jihad de novo", disse Fahirin Ibnu Achmad, um militante com treinamento afegão que participou dos embates de 2000-02. "É fácil recrutar pessoas que tiveram seus parentes mortos", ele falou.

Sulawesi é uma das várias ilhas que compõem o que alguns dizem ser o "triângulo do terror" do Sudeste Asiático - uma região cercada ao norte pela insurgência do sul das Filipinas e ao oeste pelas Ilhas Molucas, cenário de conflito sectário. Perto dali fica a Tailândia, onde uma guerra de dois anos deixou mais de 1.100 pessoas mortas.

A guerra de Sulawesi nunca foi investigada de verdade, e apenas alguns criminosos foram julgados. As comunidades muçulmanas e cristãs da ilha, cada uma com uma população aproximada de 12,5 milhões, têm suas próprias histórias de conflito, fazendo a si mesmas de vítimas.

As relações entre cristãos e muçulmanos foram geralmente harmoniosas até 2000, quando um motim se estendeu das Molucas até lá. Cada um dos lados matou milhares de pessoas e queimaram inúmeras vilas, entre elas o pequeno vilarejo onde Noviana e suas colegas viviam.


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