Polícia proíbe igreja, mas libera templo hindu em Orissa

| 09/01/2006 - 00:00


Em 3 de janeiro, a polícia permitiu o funcionamento de um templo hindu provisório na vila Umarkote, no Estado de Orissa, mas proibiu os cristãos de cultuarem em uma igreja doméstica próxima, levando a um conflito em que os extremistas hindus atacaram quatro pessoas.
 
Os agressores construíram seu templo perto da casa onde aconteciam as reuniões de oração em novembro do ano passado, e, então, se queixaram à polícia do culto cristão, dizendo que estava atrapalhando seus rituais hindus. Em 29 de dezembro, eles registraram uma queixa, acusando os cristãos de conversões forçadas.
 
Quando três cristãs chegaram à casa para participar de um culto, na manhã do dia 30, os extremistas agrediram e puxaram os cabelos das mulheres, avisando-as para não participar de mais nenhum culto. Eles também agrediram o membro da igreja Samraj Rai, que viera para avisar as mulheres do perigo. Sua moto foi danificada.
 
Temendo mais violência, as vítimas não foram para casa, passando a noite com os amigos.
 
Uma delegação de membros da igreja foi à delegacia de Umarkote dia 31 de dezembro para preencher uma queixa. A polícia aceitou o documento, mas não registrou a queixa.
 
O inspetor Narayan Chand Barik disse à agência de notícias Compass que ele recebeu uma queixa dos moradores da vila, dizendo que as pessoas na igreja doméstica estavam atrapalhando o templo. Ele afirmou não ter recebido uma reclamação feita pelos cristãos.
 
O inspetor também disse ter descoberto que alguns dos membros da igreja não informaram às autoridades do distrito de sua conversão ao cristianismo. Uma notificação de conversão é requerida pelo Ato de Liberdade de Religião de Orissa, de 1967, e também pelas Leis de Liberdade de Religião de Orissa, anexadas ao Ato em 1989.
 
"Por que há uma igreja se não há cristãos?", questionou o inspetor Narayan. "E se há cristãos, por que eles não preencheram os requerimentos da lei?".
 
Ao responder se a construção do templo hindu em área pública era legal, ele afirmou: "Esse é o modo tradicional deles de cultuarem seu deus."
 
Templo debaixo da árvore

Chaitanya Nayak, da igreja doméstica, disse ao Compass que a disputa começou em outubro de 2005, quando Govind Nath, da vila Umarkote, colocou uma foto de um deus hindu debaixo de uma árvore a 50 metros da igreja doméstica. Os vizinhos dizem que Govind é um membro de um grupo extremista hindu, o Rashtriya Swayamsevak Sangh.
 
Duas semanas depois, Govind pôs uma estátua debaixo da árvore. Um pouco mais tarde, ele construiu uma pequena estrutura de cimento e declarou que aquilo era um templo.
 
"Depois disso, a cada manhã de domingo, o templo começou a usar alto-falantes para os programas religiosos, o que atrapalhava a igreja", contou Chaitanya. "Mas nós não fizemos objeção, pois consideramos que eles também tinham o direito de cultuar".
 
Em 29 de dezembro, Govind registrou uma reclamação na polícia, alegando que a igreja estava atrapalhando o culto no templo hindu. Ele disse também que os membros da igreja estavam convertendo os moradores da região à força.
 
Naquele mesmo dia, a polícia intimou o proprietário da casa, Tirinath Nag, e o pastor Jacob Khare, interrogando-os por mais de cinco horas na delegacia.
 
Sem saber do que se passava, as três mulheres cristãs foram à casa de Tirinath no dia seguinte para orar e jejuar, quando elas foram atacadas.
 
Como resultado de uma reunião feita em 3 de janeiro na delegacia, a polícia disse que eles permitiriam que o templo hindu, construído em um terreno público, continuasse a funcionar. Os cristãos, entretanto, foram proibidos de fazer outros cultos na casa de Tirinath. O inspetor Narayan disse que os cristãos poderiam se reunir lá apenas para orar - não para cultuar, pregar ou qualquer outra atividade relacionada à igreja.
 
Na reunião, ele também pediu a ambas as partes para não insultarem os sentimentos religiosos dos outros, e também para não usar alto-falantes sem ter a permissão do outro grupo.
 
Em relação às acusações dos extremistas, de que os cristãos não registram suas conversões, o reverendo D.B. Hrudaya disse que alguns cristãos evitam a declaração pública de conversão por causa da demora e da complicação dos procedimentos requeridos pelo Estado.
 
Sob as leis atuais, os convertidos devem dar uma declaração de intenção ao Magistrado. A polícia checa então qualquer objeção da família, amigos ou vizinhos antes da conversão ser registrada oficialmente.
 
"Aqueles que se batizam e enviam uma declaração às autoridades do distrito são hostilizados pelos fundamentalistas hindus, que conseguem essa informação de alguma forma", disse Hrudaya, que representa um escritório local no Conselho Cristãos Toda Índia. "Essa é uma situação difícil para os novos convertidos."
 
O governo do Estado ordenou uma aplicação mais rigorosa do Ato de Liberdade Religiosa de Orissa em julho de 2005, por causa de disputas religiosas similares.


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