Viúva de missionário pede que cristãos preguem o Evangelho

| 10/01/2006 - 00:00


Em uma amostra chocante de brutalidade, Aroun Voraphorn, um evangelista itinerante, pastor e pai de quatro filhos, foi assassinado no sul do Laos na semana anterior ao Natal.
 
Seu corpo foi encontrado em 23 de dezembro, abandonado em uma estrada na selva, próxima de sua casa no distrito de Phaksan, província de Borikhamxai. Essa informação foi cedida à agência de notícias Compass por fontes que pediram para ficar anônimas.
 
Em 17 de dezembro, três homens não-identificados vieram falar com Aroun em sua casa. Sua mulher, Metta Voraphorn, não conhecia os homens nem o propósito da visita deles.
 
No dia seguinte, Aroun saiu de casa por volta das 2 horas para pregar em um culto de Natal no distrito de Pakkading, a 90 quilômetros ao sul dali. Enquanto ele pregava, seu celular tocou várias vezes; o pastor da igreja atendeu e deu instruções à pessoa que ligou.
 
No fim do culto, três homens chegaram de moto e entraram na igreja. Quando Aroun terminou de falar, ele apresentou os homens ao pastor, afirmando que dois deles eram seus parentes. Aroun e seus acompanhantes saíram juntos depois de irem comer na casa do pastor.
 
Por volta das 16 horas, Aroun ligou para a sua esposa e pediu para continuar com os preparativos da festa de aniversário planejada para a sua filha mais nova. Ele chegaria atrasado porque planejava comprar um bolo de aniversário a caminho de casa.
 
Mas Aroun nunca chegou.
 
Sua esposa achou, a princípio, que outra igreja tinha pedido para ele pregar - como presidente da Igreja Evangélica Laosina, Aroun era quase sempre convidado em cima da hora. Ela não relatou o seu desaparecimento, mas ficou preocupada porque ele não tinha ligado para informá-la da mudança de planos.
 
Em 20 de dezembro, três amigos cristãos de Vientiane chegaram, pensando em levar Aroun para um culto de Natal em outra parte da província. Sua esposa lhes disse que eles estava desaparecido desde o dia 18 de dezembro.
 
Os amigos de Aroun foram embora para o seu compromisso - mas no dia 23 de dezembro eles pararam em uma igreja em Pakkading, a fim de perguntar ao pastor sobre o possível paradeiro de Aroun. Às 14 horas, quando seguiam adiante na estrada que corta a floresta em direção a Huaysiat, eles encontraram policiais reunidos na margem da estrada. Eles haviam acabado de encontrar o corpo de Aroun, a 20 metros de distância, dentro da floresta.
 
As mãos de Aroun foram amarradas em suas costas e estavam cobertas de manchas de sangue. Sua garganta estava cortada e sua cabeça esmagada - aparentemente por uma pedra que estava ao lado de seu corpo. Os agressores também haviam esfaqueado o pastor diversas vezes no peito.
 
Os amigos tiveram permissão para levar o corpo de Aroun - que parecia ter morrido a menos de dois dias - de volta para sua igreja em Vientiane. Em um funeral na véspera de Natal, sua mulher pediu para os cristãos de Laos continuarem a pregar o Evangelho sem medo, como Aroun havia feito.
 
Enquanto uma investigação do homicídio está sendo feita, os motivos religiosos não podem ser deixados de lado. Aroun foi preso em 1996 por razões religiosas e foi libertado dois anos depois por problemas no coração. Mesmo depois de sua libertação, as autoridades continuaram a monitorá-lo e a hostilizá-lo por causa de seu envolvimento com as igrejas domésticas não-registradas.

Laos se tornou um república comunista em 1975, e desde então o governo restringiu de forma severa a atividade cristã, embora tenha aprovado leis "garantindo" a liberdade religiosa.Os cristãos podem fazer parte da Igreja Evangélica Cristã, aprovada pelo governo, mas as atividades dessa igreja são estritamente controladas. Portanto, muitos cristãos escolhem se reunir em igrejas domésticas não-oficiais.
 
Essa condição não-oficial, entretanto, atrai a perseguição. Pastores, evangelistas e membros de igrejas domésticas são hostilizados e agredidos freqüentemente pela polícia e autoridades locais. As autoridades também pressionam os cristãos a assinarem documentos renunciando à sua fé; quando eles se recusam, são às vezes torturados e presos.
 
Nos últimos anos, Aroun trabalhou junto com cristãos em igrejas domésticas, pregando e encorajando os cristãos em sua fé.
 
Talvez a família de Aroun nunca venha a saber as verdadeiras circunstâncias de sua morte. Em um caso parecido, de agosto de 2003, testemunhas viram a polícia acompanhar um jovem evangelista cristão, chamado Somphorn, para fora de sua vila, na garupa de uma moto. Várias semanas depois, a família de Somphorn encontrou o corpo dele parcialmente enterrado na selva. A polícia não fez nenhuma investigação e os criminosos nunca foram encontrados.


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