Estado nigeriano ordena demolição de várias igrejas

| 06/02/2006 - 00:00


Para seu conhecimento, o governador do Estado, Alhaji Ahmed Sani, ordenou que a sua igreja deverá ser demolida antes que ele chegue à cidade, amanhã. Então, nós vamos tomar as providências amanhã pela manhã".
 
Em 10 de outubro de 2003, o reverendo Seth Saleh, então pastor da Igreja Anglicana St. Peter, na cidade de Bakura, no Estado de Zamfara, recebeu em sua casa a visita inesperada de um vereador da cidade, que portava a mensagem citada acima. No dia seguinte, o governo local demoliu a Igreja Anglicana St. Peter.
 
A demolição dessa igreja em Bakura marcou o início de um ataque de fundamentalistas islâmicos em Zamfara sob a liderança do governador Sani, através da imposição da "sharia" (lei islâmica). Só na cidade de Gusau, 14 igrejas já foram marcadas para ser demolidas.
 
Essas 14 igrejas já receberam as notificações de demolição, de acordo com o reverendo James Obi, pastor da Igreja Canal de Bênçãos e secretário da sede de Zamfara da Associação Cristã da Nigéria. Dentre elas estão as seguintes igrejas: Vida Eterna, Fé Cristã, Capela da Graça, Cristã Evangélica da Comunhão da Nigéria, Missão Evangélica Nacional, Assembléias de Deus, Canal de Bênçãos e Fé Viva.
 
Outras igrejas do Estado de Zamfara destinadas à demolição: Igreja de Deus Cristão Redimido, Embaixada de Cristo, Igreja de Cristo na Nigéria, Igreja Montanha de Fogo e de Milagres, Igreja Colgate e Igreja Bíblica Vida Profunda.
 
O governo demoliu a Igreja Canal de Bênçãos, do reverendo Obi, em 1997 e também marcou o prédio reconstruído da igreja para demolição.

"Temos recebido notificações de demolição, e há notícias no rádio e na televisão sobre as igrejas que serão demolidas", lamentou o reverendo James Obi. "É apenas questão de tempo para essas igrejas não mais existirem".
 
Defensor da "jihad"

John Garba Danbinta, bispo anglicano de Gusau, disse que a demolição da Igreja Anglicana St. Peter em Bakura veio através das ordens do governador Sani.
 
"O governador é de Bakura, e, como é um defensor da "jihad" islâmica na Nigéria, ele achou que não seria sensato uma igreja ser vista em sua cidade natal", disse o bispo Dabinta.
 
O bispo apontou essas demolições arbitrárias como resposta àqueles na Nigéria que declaram que os cristãos não enfrentam oposição no Estado.
 
"As notícias que circulam fora do Estado de Zamfara é que está tudo bem com os cristãos aqui", disse ele. "Alguns declaram que o governador é bom e trata bem os cristãos, que eles não têm problemas - mas isso é falso. O problema da perseguição aos cristãos aqui é uma realidade. É um grande problema que estamos enfrentando hoje no Estado."
 
O reverendo da St. Peter, pastor Saleh, atualmente na Igreja Anglicana St John, em Kaura Namoda, lembrou como as autoridades freqüentemente prometiam que a "sharia" seria aplicada apenas aos muçulmanos. A "sharia" tem sido aplicada em assuntos civis há algum tempo, mas sua imposição para assuntos criminais em 12 Estados do norte levou o país em uma crise constitucional.
 
"Quando a sharia foi introduzida pelo governo do Estado de Zamfara, nós fomos avisados que isso era para guiar os muçulmanos em sua fé e que não teria nenhuma influência para os cristãos", disse o reverendo Saleh. "Surpreendentemente, a sharia é atualmente uma arma que está sendo usado contra a Igreja no Estado de Zamfara".
 
Matando os infiéis

A "sharia" tem sido como arma bem afiada para Kabiru Lawal, um ex-muçulmano que se converteu a Cristo quatro meses atrás. A Comissão Hisbah, agência do estado de Zamfara para aplicação da "sharia", está à procura dele, para matá-lo.
 
Em fins de dezembro e início de janeiro, agentes da Hisbad inavadiram a casa da família de Lawal três vezes procurando pelo cristão de 29 anos. Os agentes disseram aos membros da família que quando Kabiru fosse encontrado, ele deveria estar preparado para pagar o supremo preço de abandonar o islamismo - a morte.
 
Toda vez que a Hisbad apareceu, Kabiru estava no Centro Médico Federal, na cidade de Gusau, para se tratar de uma doença.
 
Atualmente ele está escondido, não mais tem a liberdade de andar livremente pelas ruas de Gusau. Seu pai, Mallam Lawal, vem de uma família de clérigos islâmicos.
 
Em 2002, Kabiru leu no Alcorão sobre a segunda vinda de Jesus ao mundo. Kabiru, que possui um diploma em administração de empresas da Politéctina Kaduna, atribuiu sua decisão de investigar a vida de Cristo ao desejo de saber se "Jesus viria como muçulmano ou como cristão".
 
Em 2003, Tunde Adebayo, um parente, deu a Kabiru um Novo Testamento de bolso, o qual ele devorou.
 
Kabiru disse que o Espírito Santo lhe revelou que Jesus voltará não como muçulmano, como os muçulmanos acreditam, mas para levar os cristãos que acreditam nele. Ele passou a freqüentar a Igreja Evangélica do Oeste da África (ECWA) na cidade de Gusau e pediu para receber Cristo em sua vida.
 
"A Bíblia apresenta claramente quem é Jesus Cristo e dá as respostas sobre, por exemplo, por que Ele voltará a este mundo", disse Kabiru. "O Espírito me disse que a não ser que eu recebesse Cristo em meu coração, eu pereceria com outros muçulmanos porque eles não conhecem o verdadeiro Deus."
 
Sua família se opõe severamente à sua conversão, mas Kabiru disse que não há retorno ao islamismo.

"Nada na terra me fará desistir de Cristo, mesmo que eu seja sacrificado como um carneiro", afirma Kabiru.
 
Decretos draconianos

Desde a introdução da "sharia", em janeiro de 2000, as autoridades de Zamfara têm impedido os cristãos de compartilhar a sua fé e de contruir igrejas, segundo o bispo anglicano Danbinta.
 
Ele afirmou que os oficiais estão impedindo os cristãos de construir igrejas, tornando impossível a aquisição de terras. "Não podemos comprar terra, porque é política deliberada do governo negar terras aos cristãos para construção de igrejas", disse o bispo Danbinta.
 
Existem aproximadamente 4 mil anglicanos em Zamfara, mas o bispo Danbinta relatou que em quase todas as partes do Estado o governo tem recusado a permissão para a construção de locais de culto nas terras da igreja.
 
"Aparentemente, a sharia tem sido implementada para reduzir o cristianismo, já que só tem atingido os cristãos", disse ele.
 
70 mesquitas, nenhuma igreja

O reverendo Barnabas Sabo, pastor da igreja ECWA, em Gusau, concordou que o governo local está usando a "sharia" para negar terras às igrejas.
 
As cidades têm negado terras para construção de igrejas, incluindo Mada, de onde os membros da igreja do reverendo Sabo precisam caminhar mais de 20 km até Talata Mafara para participar dos cultos.
 
As outras cidades e vilas onde a igreja ECWA teve um terreno negado são: Kasuwa Daji, Dansadau, Tsibiri em Talata Mafara, e na área de Bakura.
 
"O governador Sani, em seis anos de implementação da "sharia" no Estado, usou recursos públicos para construir mais de 70 mesquitas", disse o reverendo Sabo. "E ainda nenhuma única igreja foi construída por esse mesmo governo. Isso é justo?"

Além do impedimento da concessão de terras para as igrejas, os cristãos têm encontrado dificuldades em outro setor, como na educação, em que taxas escolares discriminatórias são impostas aos estudantes cristãos.
 
Não há empregos para cristãos no serviço público, os programas cristãos de rádio e televisão foram proibidos.
 
A imposição da "sharia" para assuntos criminais em 12 Estados do norte tem resultado em numerosos conflitos que causam morte a milhares de pessoas, entre elas, muitos cristãos.
 
"Se existe uma coisa que alguém possa fazer para me ferir, é fazer com que eu pare de servir a Deus como quero e que eu pare de compartilhar a minha fé", disse o bispo Danbinta. "Isso é precisamente o que nós cristãos estamos experimentando no Estado de Zamfara." 


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