Tumulto em cidade etíope deixa três igrejas queimadas

| 17/04/2006 - 00:00


Uma multidão muçulmana invadiu as ruas de Kemise, no norte da Etiópia, em 21 de março, gritando: "Allah akbar! Jihad!". Incitados a proteger o islã contra os "agressores infiéis", os extremistas muçulmanos atacaram três igrejas e uma organização cristã, incendiando os templos juntamente com Bíblias, livros cristãos, instrumentos musicais e outros bens.

Primeiramente a multidão ateou fogo à Igreja Mekane Yesus. Segundo testemunhas, depois que os muros foram derrubados, a polícia da cidade chegou para escoltar a multidão. O grupo então foi para a igreja Meserete Kiristos, onde eles destruíram o templo e tudo que estava nele.

Um segurança da Igreja Mekane Yesus foi agredido quando tentava resistir à multidão. Ele teve o braço e a cabeça atingidos e permaneceu caído ao relento até a manhã seguinte, já que os cristãos evangélicos temiam sair de seus esconderijos para ajudá-lo.

Depois, os muçulmanos se dirigiram para a Igreja Evangelho Pleno, que ficava perto da delegacia, e atearam fogo ao templo. A polícia continuou a escoltar a multidão e não interferiu no ataque, de acordo com testemunhas.

Depois que a multidão destruiu a Igreja do Evangelho Pleno, voltou para a Igreja Mekane Yesus e queimou todos os materiais que estavam no salão. Conforme foi relatado, mulheres entregavam combustível para os homens, a fim de que as chamas queimassem mais rapidamente.

Tiros nas pernas

Em seguida, os extremistas muçulmanos avançaram para a "Visão Mundial Etiópia: Projeto Kemise", uma organização cristã que atua na região. Quando a multidão tentou invadir o local, os guardas atiraram para o ar e imploraram: "Nós somos muçulmanos. Por favor, não toquem em nada; vão embora". Alguns ignoraram os apelos e começaram a queimar a cerca. Os guardas atiraram na direção da multidão, mirando as pernas. Cinco pessoas foram atingidas.

Duas horas depois que a violência começou, a tropas especiais da Polícia Federal chegaram a Kemise e começaram a agir imediatamente. Depois de encerrado o tumulto, mais de 20 muçulmanos foram presos, sob suspeita de envolvimento no caso.

As cristãs Eresa Haye e Ebsa Muleta foram presas no dia seguinte ao ataque e Tena Beyene, também cristã, foi presa dias depois. Apesar de não haver acusações formais contra as mulheres, elas são acusadas de distribuir literatura cristã e de ouvir músicas evangélicas. As três cristãs permaneciam presas, passadas três semanas do ataque. A constituição etíope permitir a detenção por até 48 horas antes do comparecimento à corte.

No sábado que precedeu o ataque, um grupo de extremistas muçulmanos foi à Igreja do Evangelho Pleno e perguntou por um ex-muçulmano convertido chamado Abdullah. Os líderes da igreja perceberam a hostilidade e relataram o problema aos policiais de plantão na delegacia ao lado. Eles solicitaram proteção policial para suas dependências. Ao contrário do que os líderes esperavam, a polícia prendeu Tesfaye Nega, um ministro da igreja, aparentemente "para sua própria proteção e para dar a ele tempo para se acalmar".

A notificação policial enfureceu os muçulmanos e eles continuaram a planejar um ataque maior contra os cristãos de Kemise. Muçulmanos amigos informaram os líderes da igreja sobre esses planos. Os membros da Igreja Ortodoxa Etíope também ouviram falar da situação e avisaram os evangélicos de Kemise que eles iriam ser atacados. A igreja notificou as autoridades uma vez mais, porém, a polícia não tomou nenhuma providência.

Desde que aconteceram esses conflitos, os cultos foram interrompidos na área. As pessoas só se encontram para curtas reuniões de oração nas casas dos cristãos. Os membros da Igreja Meserete Kiristos conseguiram limpar um cômodo para realizar encontros entre os que têm coragem suficiente para participar, mas a tensão permanece.

Com o tumulto, os cristãos estão traumatizados e confusos, ainda que a Polícia Federal pareça estar no controle da situação. Outro ataque é esperado para a momento, inclusive nos distritos vizinhos.

Maomé retratado

Em Kemise, há três igrejas evangélicas, a Mekane Yesus, a do Evangelho Pleno e a Meserete Kiristos. A Igreja Ortodoxa Etíope também tem membros na cidade e nos vilarejos circunvizinhos, mas ela não é tão predominante na área como em outras regiões da Etiópia. Os muçulmanos compõem 97,9% da população dessa área.

A hostilidade islâmica está crescendo e se espalhando por toda a Etiópia depois que as caricaturas do profeta Maomé foram publicadas na Dinamarca. Espalhou-se também um boato de que um artista de Kemise retratou Maomé como uma mulher com a legenda: "A mais sexy personagem ". O artista, supostamente um seguidor do islã, foi preso e depois liberdade, uma vez que o juiz não conseguiu encontrar provas para as acusações.
 
 O evangelho está se propagando entre os muçulmanos de Kemise e, recentemente, muitos aceitaram Cristo como Senhor e Salvador. Os muçulmanos seguidamente levam as igrejas à corte, numa tentativa de colocar um fim ao evangelismo na área, mas, muitas vezes, eles são frustrados.


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