Mudança de religião pode ser motivada por questões sociais

| 29/04/2006 - 00:00


Trocar de religião no Paquistão, ao que tudo indica, pode ajudar a mudar o  destino. Pelo menos esse parecer ser o caso de Bashir Masi, um recém-convertido do cristianismo ao islã.

Os Masis foram "convidados" a ser converter pelo prefeito muçulmano, que é também o dono da área que eles compartilhavam com os familiares.

Uma vez convertida, a família de faxineiros, mudou-se para uma casa maior e conseguiu um emprego muito mais limpo.

O lado negativo disso tem sido o ostracismo da comunidade cristã de cerca de 30 pessoas em Mingora, uma região dominada por tribais, no nordeste do país.

Bashir Masi, a esposa Amna e seus filhos não são capazes de explicar um único dogma do islã, não se lembram do "Qalma", a declaração de fé muçulmana, nem sabem como chamar seus filhos, que adotaram nomes muçulmanos, mas isso não os impede de expressar sua alegria com a decisão de se converter.

"Estamos felizes agora que somos muçulmanos. É uma ótima religião", declarou Bashir, de 45 anos, ao jornal "The Telegraph".

Ameaças de perseguição e morte

A conversão dos Masis é característica da vulnerabilidade dos cristãos no Paquistão, muitos dos quais vivem sob ameaças de perseguição e morte.

Em fevereiro deste ano, cerca de 400 pessoas atacaram e queimaram uma igreja em Sukur, depois de relatos de que um cristão havia queimado páginas do Alcorão.

Em novembro passado, uma multidão muçulmana armada com machados e varas, ateou fogo a três igrejas, dezenas de casas, três escolas, um consultório, um convento e duas casas paroquiais.

Os piores ataques contra a comunidade cristã no Paquistão ocorreram no Natal de 2002, quando muçulmanos fanáticos lideraram um assalto a uma igreja com granadas. Três jovens foram mortas no ataque, em Chianwala, a 65 quilômetros ao norte de Lahore.

Cerca de 90 por cento dos 15 milhões de cristãos no Paquistão são descendentes da casta "intocável" hindu sialkot, cuja conversão em massa se deu durante o século XIX, sob o domínio britânico.

É possível que os ancestrais de Bashir tenham se convertido ao cristianismo para melhorar sua sorte. Agora, ele se inclina para outro tipo de religião na esperança de transformar o destino de sua família.

Legislação discriminatória

O capital Cecil Chaudhry, que se define como defensor da fé cristã, afirma que tais conversões não são tão inocentes como parecem.

"As conversões acontecem por medo. Nossa comunidade é pobre, mas não é fácil violar sua fé", ele alega.

O capitão Chaudhry, condecorado duas vezes pela participação nas guerras contra a Índia, sabe o que é a discriminação anticristã. Ele deixou de ser promovido pelo general Zia-ul-Huq, um ditador favorável ao islã.

Atualmente ele lidera várias organizações de proteção aos direitos cristãos e intercede junto ao governo do presidente Pervez Musharraf para alterar a legislação que é discriminatória contra os cristãos.


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