Bispo é acusado de seqüestrar muçulmana

| 19/05/2006 - 00:00


Desaparecida por dois meses, uma jovem muçulmana que queria se converter ao cristianismo reapareceu no dia 16 de maio. O seu desaparecimento fez com que um clérigo da Igreja Episcopal fosse preso.

A jovem de 23 anos, Shiraz Abdallah, se apresentou à polícia depois de o jornal Al-Ashafa noticiar que o bispo Elia Komondan havia sido detido no dia 14 de maio. Ele foi acusado de seqüestrar Shiraz.
 
Shiraz desapareceu em março, depois de visitar a igreja de Elia, em Cartum. A jovem pedia abrigo, dizendo que seu pai a agredia por ela passar muito tempo com cristãos. Ela mostrou aos líderes da igreja suas cicatrizes.

Sem ter lugar adequado para abrigar uma mulher, Elia foi obrigado a mandar Shiraz embora.
 
Uma fonte disse que Shiraz, estudante de agronomia, havia passado por outras igrejas cristãs procurando refúgio. A fonte, que pediu para ficar em anonimato, disse que Shiraz freqüentava regularmente cultos cristãos.
 
A agência de notícias Reuters disse no dia 15 de maio que Shiraz queria se converter ao cristianismo. A agência não publicou o nome da jovem.
 
Embora a liberdade religiosa seja teoricamente sagrada na nova constituição do Sudão, a conversão de muçulmanos é contra a lei no norte do país.

Shiraz se entregou ao Gabinete de Coexistência Religiosa no dia 16 de março. Ela foi entregue à guarda da polícia, por quem está sendo interrogada.
 
Canon Thomas, da Igreja Episcopal, espera que Elia seja libertado, já que Shiraz foi encontrada. Mas ele diz que não sabe o que vai acontecer. Canon tentava visitar o bispo detido, e disse que ainda é cedo demais para saber se a prisão dele foi motivada por motivos religiosos.

Kulang Jurubom Macuour, advogado em Cartum comentou que "as acusações contra Elia são infundadas. Não há nenhuma boa evidência".
 
Tabitha, mulher de Elia disse que ele foi preso em uma cela minúscula e foi transferido para três novos centros de detenção desde sua prisão inicial na delegacia do sul de Cartum. Ela disse à agência de notícias Compass: "Descalço, ele foi jogado na prisão como um ladrão ou como um criminoso!".
 
Tabitha e seu filho de 2 anos, Emmanuel, tentaram visitar Elia, mas só puderam vê-lo na segunda-feira.
 
Outros cinco são presos

Outro cinco suspeitos de seqüestro foram detidos: dois muçulmanos palestinos, um evangelista, um parente de Shiraz e outra pessoa não-identificada.

O padre Martin Saturlino Adele, secretário arquidiocesano da Igreja Católica em Cartum, não pode confirmar se algum católico havia sido preso por causa do desaparecimento de Shiraz.
 
Elia foi detido na manhã do dia 14 de maio, depois de responder a uma ligação da polícia. A polícia pedia que ele fosse à delegacia por causa de um celular perdido.
 
O bispo soube, assim que chegou, que o pai de Shiraz havia registrado uma denúncia de seqüestro. A polícia disse a Elia que suspeitava de seu envolvimento, porque os registros do celular de Shiraz indicavam que ela havia entrado em contato com o bispo pouco antes de desaparecer.
 
Canon disse que Shiraz ligou de volta para Elia perguntando se havia alguma possibilidade de abriga-la. Elia respondeu que não haviam encontrado ninguém com quem ela poderia ficar.
 
A nova Constituição do Sudão, redigida ano passado, garante liberdade de consciência. A Constituição foi feita por causa de um acordo de paz que encerrou uma guerra civil de 21 anos.
 
Mas a Constituição também estipula que o norte do país, com maioria muçulmana, seja governado pela sharia, que proíbe a apostasia.
 
Embora o governo raramente condene os ex-muçulmanos, ele geralmente os submete "a um exame intenso, ao ostracismo e intimidação, e os encoraja a deixar o país", relatou o Departamento de Estado dos EUA em seu relatório de liberdade religiosa de 2005.
 
O famoso caso de apostasia do ex-xeique muçulmano Al-Faki Kuku Hassan em 1998 constrangeu o país. O ex-xeique sofreu um derrame depois de ser torturado na prisão.
 
Desde então as autoridades sudanesas relutam em acusar de apostasia os convertidos. Em vez disso, os acusam de outros crimes, como "subversão".
 
A lei no norte do país também proíbe que os cristãos evangelizem muçulmanos.
 
Canon Thomas comentou: "Podemos pregar aos cristãos, mas não podemos falar com muçulmanos nem com ex-muçulmanos ".
 
Um líder religioso, que pediu para ficar em anonimato, comentou que Shiraz "pode querer muito se unir ao cristianismo, mas ninguém tem condições de batiza-la, por causa do perigo que isso representaria à vida dela".


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