Cristãos são atacados por fundamentalistas hindus

| 02/06/2006 - 00:00


Um grupo de "hindutva", nacionalistas hindus fanáticos, atacou e seqüestrou cinco cristãos - duas mulheres e três homens. No cativeiro, as mulheres foram estupradas e os homens baleados. O fato ocorreu às 10 horas da noite do domingo, 30 de maio, na vila de Nadia, em Madhya Pradesh.

As duas mulheres, Baishi Pokharia e Rekha Gyarsiya, identificaram seus agressores - Lulla, Nandla, Kalu, Rewal Singh e Sakaram -, todos moradores de Nadia.

Na manhã seguinte, líderes locais do maior partido da Índia, o partido nacionalista hindu fundamentalista Bharatiya Janata, foram à coletoria fazendo acusações de que missionários cristãos do Estado vizinho de Maharashtra tinham realizado "conversões em massa ao cristianismo". Embora não constassem os nomes de quaisquer clérigos na acusação, havia menção aos cinco cristãos atacados um dia antes.

Uma vez livres das mãos dos fundamentalistas hindus, os cinco cristãos foram à delegacia de Bhagwanpura para relatar o que tinha acontecido a eles, quando foram presos pelo inspetor Thakur. Eles ainda estão sob custódia.

O inspetor Thakur, afinal, concordou em abrir um inquérito, mas somente depois que Indira Iyengar, membro da Comissão de Minorias do Estado, telefonou várias vezes.

De acordo com a última informação, as duas mulheres passariam por exames médicos.

Busca por justiça

Também no domingo, um cristão da vila de Suklia Kunda, não muito longe de Nadia, foi arrastado de sua casa e agredido "porque era cristão". Ele também foi à polícia em busca de justiça

"Condenamos com veemência a violência contra as mulheres de Nadia, mas o comportamento do inspetor Thakur é até mais repreensível por se recusar a abrir um processo sobre esse odioso incidente", disse Babu Joseph, porta-voz da Conferência dos Bispos Católicos da Índia.

"É estranho e ilógico que algumas pessoas tenham de ser penalizadas por professar uma determinada fé, enquanto as instituições que deveriam patrocinar a lei são espectadores mudos diante do comportamento desumano de alguns."

"Queremos que o governo intervenha imediatamente e prenda os culpados de modo que a lei e a ordem sejam mantidas, e os cidadãos cumpridores da lei possam viver sem medo ou ansiedade", ele disse.

Lei paralela

John Dayal, líder da União Católica da Índia, disse que "esse horrível incidente pode ser visto com um ato de intolerância pelos nacionalistas fundamentalistas assim como um ataque contra o seguimento mais vulnerável da nossa sociedade: as mulheres".

"Sabemos que a cada 30 minutos uma mulher é estuprada na Índia; a cada 75 minutos uma mulher é morta, geralmente carbonizada, por não possuir um dote suficiente." De acordo com as estatísticas da Agência Nacional de Polícia Criminal, a violência contra crianças aumentou 25% em um ano e o caso de morte de fetos femininos aumento em mais de 50% em 2004.

"A minha cidade, Nova Déli, é o lugar menos seguro para mulheres - um terço de todos os casos de estupro acontecem lá. Algumas das mulheres são cristãs, particularmente as de origem tribal de Jharkhand, Orissa e Chattisgarh, que trabalham como empregadas domésticas nas metrópoles. Mas esses não são casos que envolvem questões religiosas".

"O caso de Madhya Pradesh é muito diferente", continua John Dayal. "Lembra a gang de estupros de freiras em Jhabua, muitos anos atrás."

"Como eu tenho afirmado repetidas vezes ao governo central, parece haver um sistema de justiça e uma lei paralela nos estados governados pelo BJP, onde não há respeito pela liberdade religiosa. Os governos estaduais também são muito lentos em registrar casos, mesmo quando os problemas são levados a eles".

"Já que a lei e a ordem estão sob jurisdição estadual, o governo central não pode intervir, a menos que haja violência em massa. Por essa razão, estamos buscando os meios legais que nos mostre como as questões relativas à liberdade de religião e à violência contra minorias podem nos permitir requisitar a intervenção direta do governo central."


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