Estado indiano pesquisa igrejas e missões ilegalmente

| 05/06/2006 - 00:00


A preparação de um "banco de dados de igrejas e organizações missionárias" pela polícia no Estado de Rajasthan, distrito de Udaipur, tem aumentado o medo de uma nova onda de perseguição entre as minorias cristãs.
 
Cristãos em Rajasthan, Estado governado pelo partido extremista Bharatiya Janata (BJP), têm relatado uma campanha sistemática de perseguição pelas mãos do governo nos últimos quatro meses.
 
O Compass obteve uma cópia do questionário, que pergunta a "ideologia do líder da igreja e do chefe da organização", e se o "caráter do sacerdote ou líder foi averiguado".
 
O questionário também busca detalhes de atividades das instituições cristãs, fonte de renda, ajuda financeira, status legal, ativos, e informação de moradores de qualquer abrigo administrado por cristãos. Também buscam informação se os cristãos fornecem educação e se essas instituições estão registradas.
 
"O tom e o teor do questionário é como se estivessem visando um imigrante ilegal", disse ao Compass Sajan George, da Conselho Global de Cristãos Indianos (GCIC). "O conteúdo das pesquisas viola os direitos humanos básicos e a igualdade assegurada a todos os cidadãos pela constituição da Índia".
 
A pesquisa solicita os endereços das instituições - nomes das delegacias onde estariam registradas as instituições. Busca não só nomes, idade, endereço dos líderes das instituições, mas também a filiação dos líderes. O questionário, em hindu, também fornece uma coluna de fotos relevantes.

Pesquisa ilegal
 
"Há dez anos, a polícia veio até nós com um questionário e pegou todos os detalhes a respeito de nossa instituição", disse ao Compass um líder em Udaipur, que pediu para não ser identificado.
 
Mas quando o Compass falou com o ministro do Interior Gulab Cahnd Kataria e filiados ao BJP no estado de Rajasthan, eles negaram tudo.
 
"Não existe tal pesquisa, e não estamos levantando nenhuma informação sobre os cristãos", disse o ministro.
 
M.N. Dinesh, superintendente policial do distrito de Udaipur, afirmou: "Nossa polícia não está indo atrás dos cristãos para levantar qualquer tipo de informação. Não existe ordem nenhuma para isso".
 
O superintendente adicional da polícia, Vijendra Jala, disse que às vezes o distrito de fato conduz uma rotina de pesquisa por medidas de segurança, mas negou saber qualquer coisa sobre essa pesquisa junto aos cristãos.
 
A pesquisa segue um projeto de lei anticonversão aprovado pela assembléia do Estado no dia 7 de abril, que providenciaria o mesmo pretexto em prender cristãos por "conversão forçada" que tal legislação produziu em outros estados do país; a governadora do Estado de Rajasthan se recusou a assinar tal projeto. A Emmanuel Missions International também é alvo da pesquisa.
 
"Tememos que a tentativa seja de identificar e atingir igrejas através da Sangh Parivar, braço do grupo extremista RSS, conivente com o Estado", disse George. "Uma pesquisa parecida foi feita em Gujarat".
 
A pesquisa direcionada somente a comunidades religiosas é ilegal e não está debaixo da jurisdição do censo do governo ou do departamento de regulação e contribuição internacional do Ministério do Interior.
 
Método antigo
 
Quando o Estado de Gujarat tomou a decisão de fazer tal pesquisa na onda da violência anticristã no distrito de Dangs, em 1999, a Suprema Corte disse que era contra a Constituição Nacional e ordenou que o governo impedisse.
 
Apesar da ordem, Gujarat conduziu mais três pesquisas, tentando levantar dados sobre os cristãos em 2001 e duas vezes em 2003 para formular um projeto de lei anti-conversão que foi passado na assembléia do estado no dia vinte e cinco de março de 2003.
 
Em cada ocasião, o BJP inicialmente negou que tenha passado essas instruções à polícia para as pesquisas, mas depois reconheceu, dizendo que fazia parte das investigações dos cristãos.
 
O relatório do inquérito conduzido pelo jornal "Cammunalism Combat" depois da violência religiosa em Gujarat no ano de 2002 - em que mais de dois mil muçulmanos foram mortos - revelou que a multidão era capaz de identificar residências de muçulmanos e até mesmo lojas que tinham um nome neutro ou hindu, mas o dono era muçulmano. Essa informação sugeria de que o governo tinha levantado tais dados da comunidade muçulmana no Estado.
 
A divisão de Udaipur, inclui o distrito de Udaipur e Banswara, que é uma das regiões mais turbulentas no âmbito religioso. Extremistas pertencentes à RSS lançaram dois ataques contra católicos em Banswara durante uma semana antes do natal, em um dos casos agredindo quatro pessoas, deixando as vítimas inconscientes.
 
Extremistas tinham anteriormente ameaçado fazer de Banswara um distrito livre de todos os cristãos.


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