Quase dois mil cristãos chineses foram presos em um ano

| 27/06/2006 - 00:00


A Associação de Ajuda à China (CAA, sigla em inglês) liberou um relatório relativo aos casos de perseguição contra as igrejas domésticas chinesas nos últimos 12 meses. O relatório traz os principais casos de perseguição em diferentes províncias da China, de maio de 2005 a maio de 2006.

De acordo com o relatório, nos últimos doze meses, pelo menos 1.958 pastores e cristãos de igrejas domésticas de 15 províncias foram detidos.

A CAA diz: "Muitos professores e reuniões para treinamentos de líderes são particularmente visados pelo governo chinês, cuja meta é controlar o discipulado da nova geração de cristãos. Sabe-se que a polícia e o pessoal encarregado dos assuntos religiosos que conduzem as invasões maltratam e torturam os membros".

O relatório mostra que a província de Henan foi a que mais sofreu com a perseguição contra a igreja doméstica no último ano. Foram presos 823 pastores e fiéis em 11 batidas policiais, de julho de 2005 até maio de 2006, segundo a CAA. Cinco cidadãos americanos foram presos nesse período.

Muitos dos detidos sofreram abusos na prisão. Depois de uma invasão em 13 de março na região de Wen, duas cristãs de 72 e 21 anos foram forçadas e tirar a roupa durante o interrogatório. O pastor Li Gongshe, que é deficiente, foi severamente agredido e teve uma costela quebrada.

Sob controle

O relatório explica que o termo igreja doméstica chinesa se refere às congregações que se recusam a se filiar à Igreja das Três Autonomias, na qual o governo insiste em querer acomodar todos os protestantes. As igrejas domésticas são independentes, mas normalmente operam de forma clandestina.

A CAA diz: "As autoridades chinesas reprimem continuamente as atividades religiosas que estão fora do sistema religioso controlado pelo Estado. As decisões são quase sempre tomadas de maneira arbitrária, de modo incompatível com o direito à liberdade religiosa. Os oficiais chineses continuam a prender os cristãos, fechar igrejas e impor restrições aos movimentos, contatos, visitas e correspondência dos cristãos".

E organização acrescenta: "Em 2005 e 2006, o controle das atividades de igrejas domésticas se tornou sério em algumas províncias onde oficiais locais se concentraram em invasões de cultos em que se reuniam cristãos oriundos de outras províncias e cidades. Muitos dos presentes foram detidos e multados e outros foram presos."

A CAA relata ainda que uma série de invasões coordenadas ocorridas em maio de 2005, em 100 locais, resultou na prisão de 600 cristãos na província de Jilin, no que se acredita que tenha sido uma tentativa de inibir a crescente influência da igreja doméstica sobre a comunidade acadêmica. Poucos líderes foram detidos para assegurar que comparecessem às sessões de estudo onde eles seriam submetidos a tentativas de forçar sua afiliação ao Movimento Patriótico das Três Autonomia.

Para a CAA, a sentença do pastor e líder de igrejas domésticas de Pequim Cai Zhuohua e seus colegas, em 8 de novembro de 2005, por "práticas comerciais ilegais", demonstra a importância que as autoridades dão em manter o controle sobre as publicações religiosas. Cai Zhuohua imprimiu milhares de cópias da Bíblia e outros materiais cristãos e isso atraiu a insatisfação das autoridades.

"A província de Henan deveria estar em alerta por ter o recorde de pior perseguição religiosa", disse o reverendo Bob Fu, da CAA. "É imperativo para qualquer investidor estrangeiro consciente de Henan inteirar-se dessa séria questão."


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