Cristão preso por abandonar o islã é acusado de tráfico de drogas

| 10/08/2006 - 00:00


Sete anos depois que Issa Motamedi Mojdehi, de 31 anos, se converteu do islamismo ao cristianismo, a polícia secreta iraniana prendeu-o por abandonar o islã, mas, oficialmente, acusou-o de tráfico ilegal de drogas.

As autoridades acusaram formalmente o cristão de traficar drogas quando ele foi preso, duas semanas atrás. Mas oficiais da Savama (a polícia secreta) disseram a Issa Mojdehi que sua verdadeira ofensa, registrada em sua ficha criminal confidencial, é o abandono do islã. Os oficiais lhe disseram que, se ele não abandonar a fé cristã e retornar ao islamismo, irá permanecer preso e possivelmente enfrentará a execução.

Em uma notificação por escrito, datada de 22 de julho, Issa foi intimado a se dirigir, em três dias à seção criminal da delegacia de Rasht, a cidade em que mora, no noroeste do Irã. Quando atendeu à intimação, em 24 de julho, ele foi detido. Uma semana depois, Issa foi transferido para a prisão Lakan.

Segundo informações de algumas fontes, agentes de segurança disseram a Issa Mojdehi que ninguém de fora do Irã jamais saberia ou se preocuparia com ele.

Um oficial identificado apenas como senhor Baghani preveniu ao cristão que poderia haver "várias execuções" para que os iranianos entendessem as conseqüências da apostasia sob a lei islâmica. No sistema judicial iraniano, a apostasia é listada, ao lado de assassinato e tráfico de drogas, como uma ofensa capital.

Fachada de credibilidade

Fontes locais confirmaram que Issa Mojdehi e sua esposa Parvah, que também se converteu ao cristianismo, "chamaram a atenção das autoridades" em janeiro, quando escolheram um nome da Bíblia, Mica, para seu filho recém-nascido. Não ficou esclarecido se o casal obteve permissão para registrar o bebê com esse nome, culturalmente considerado como cristão.

O Issa e sua esposa são membros de uma igreja doméstica conhecida como Igreja Evangélica Livre de Rasht. Além do bebê, eles têm uma filha de 8 anos chamada Marta.

Espera-se que Issa Mojdehi seja julgado em breve por um tribunal revolucionário em Rasht, capital da província de Gilan. De acordo com um relatório de 1º de agosto da Comissão de Liberdade Religiosa da Aliança Evangélica Mundial (WEA, sigla em inglês), circularam rumores de que sua esposa seria presa por envolvimento com drogas. Isso burla as garantias do Artigo 23 da Constituição iraniana, que proíbe investigações quanto às crenças dos indivíduos e especifica que "ninguém pode ser molestado simplesmente por abraçar uma determinada religião".

O uso freqüente de drogas no Irã dá a tais acusações uma fachada de credibilidade. Os oficiais iranianos confirmaram que mais de 60% dos prisioneiros do país estão mantidos sob acusações relacionadas a drogas, de acordo com reportagem da rádio Europa Livre, em 26 de junho. No ano passado, o diretor do Centro Iraniano para Estudos de Dependência estimava que 20% dos iranianos estão, "de alguma maneira, envolvidos com o abuso de drogas", dando ao Irã a mais alta taxa de dependência de drogas no mundo.

Ordens de prisão

De acordo com Nicolas Ciarapica, do Vox Dei, um site de notícias francês, que primeiro noticiou a prisão de Issa Mojdehi, em 24 de julho, um pastor protestante local encontrou-se com as autoridades de Rasht para tratar do caso.

"Mas, até agora, eles não conseguiram encontrar um advogado que desejasse defendê-lo", disse Nicolas Ciarapica ao Compass.

Desde a revolução iraniana, o governo proibiu estritamente as atividades dos cidadãos cristãos evangélicos, fechando igrejas e prendendo convertidos conhecidos de origem muçulmana.

Em Gorgan, o convertido Ali Kaboli foi libertado sob fiança em 12 de junho, depois de seis semanas na prisão sob acusações não-específicas. Outro convertido cristão, o pastor Hamid Pourmand, está preso há aproximadamente dois anos por supostamente "ocultar" sua identidade cristã quando servia como coronel no exército iraniano. Hamid se tornou cristão há mais de 25 anos.

De acordo com relatos, agentes da Savama recentemente têm emitido ordens de prisão em várias cidades contra vários outros convertidos ao cristianiasmo, exigindo que eles retornem ao islã.


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