Cristão preso é agredido por extremistas hindus

| 16/08/2006 - 00:00


Um grupo de cerca de 15 extremistas hindus entrou em uma prisão e atacou um empresário cristão acusado de forçar sua esposa a cometer suicídio. O incidente ocorreu no Estado de Karanataka, sul da Índia, em 4 de agosto.

"Cerca de 15 militantes do Bajrang Dal (organização extremista hindu), aparentemente com a conivência das autoridades da prisão, conseguiram entrar na cadeia do distrito de Mardala e agrediram brutalmente Chetraven Rajan, proprietário de uma fábrica de doces", contou ao Compass o secretário do Conselho Geral dos Cristãos da Índia (AICC, sigla em inglês), Albert Lael. "Nenhum funcionário da prisão tentou socorrer a vítima".

Albert Lael disse que grupos extremistas hindus vinham há tempos ameaçando Chetraven Rajan, que estava envolvido em obras sociais e cristãs, especialmente entre os dalits.

O ataque só veio à tona quando os parentes de Chetraven Rajan foram visitá-lo na cadeia e notaram as marcas em seu corpo.

"Apesar de Chetraven ter várias marcas de ferimentos e afirmar que podia identificar os agressores, os funcionários da prisão se recusaram a registrar uma queixa contra os criminosos, além de não o terem encaminhado ao hospital para receber tratamento", acrescentou o líder da AICC.

Distorções

Após declarar que os líderes cristãos insistiram em dar proteção à vítima contra outros ataques, as autoridades transferiram o prisioneiro para a prisão de Mysore.

"A esposa de Chetraven cometeu suicídio há poucos meses, depois que ele demitiu um empregado, identificado apenas como Murugeshan, que supostamente teve um caso com sua esposa", explicou Albert Lael.

Dizem que a esposa de Chetraven insistiu para que Murugeshan continuasse no emprego, mas o marido recusou.

"Amigos de Chetraven acreditam que as organizações extremistas distorceram a situação, induzindo Murugeshan a alegar que Chetraven tinha um caso com outra mulher e que forçou sua esposa a se suicidar", acrescentou Albert Lael.  "Por causa disso, Chetraven, que se casou há três anos, foi implicado no caso".

Decisão da Suprema Corte

No mesmo dia em que Chetraven Rajan foi atacado, a Suprema Corte derrubou um parecer da Corte de Karnataka que desqualificava uma queixa contra um pastor por converter hindus à força.

A queixa foi registrada contra o pastor Paulraj Raju, da Igreja Rei Jesus, na aldeia de Mangalwarapete. O jornal "The Times of Índia" publicou, em 7 de agosto, que a decisão da Suprema Corte preparou o caminho para que a polícia de todos os estados indianos possa prender clérigos cristãos acusados de conversões forçadas - sem mandato de autoridades federais ou estaduais.

A reportagem, que foi reproduzida por vários diários nacionais e regionais, causou tensões em Mangalwarapete, onde fica a igreja do pastor Paulraj Raju. Samuel Jacob, diretor da organização cristã "Harvest India", com sede em Bangalore, disse ao Compass que aqueles que atacaram o pastor Paulraj no ano passado foram à casa de um presbítero da igreja, identificado como Nagraj, e advertiram para que ele parasse de realizar os cultos na igreja.

"Eles disseram ao presbítero que a decisão da Suprema Corte deixava claro que o pastor estava envolvido nas conversões." Com isso, os cristãos ficaram amedrontados e deixaram de ir a igreja, ele acrescentou.

Porém, o advogado do pastor Paulraj em Déli, Jawahar Raja, disse ao Compass que as reportagens da mídia tinham interpretado mal a decisão. "A corte apenas permitiu que o governo de Karanataka prosseguisse com as investigações no caso contra o pastor", afirmou ele.

Vários ataques

A queixa contra o pastor foi registrada em 14 de janeiro do ano passado, quando ele visitava a aldeia de Rampur, onde alguns moradores o capturaram e o agrediram, dizendo que ele tinha ido lá para converter os hindus.

Após a queixa, os hindus atacaram o pastor mais duas vezes. Em 1º de abril de 2005, uma multidão de cerca de 200 pessoas se reuniu em frente à sua casa, exigindo que ele fechasse a igreja e deixasse o distrito. O pastor Paulraj foi levado novamente à delegacia de Channapatna, acusado de conversões forçadas.

Em 1º de maio, uma multidão de cerca de 500 aldeãos hindus atacou o pastor, sua esposa e outros membros da igreja. Os agressores molestaram sexualmente as mulheres da igreja e queimaram Bíblias e outros impressos cristãos (leia).

Os cristãos dizem que a incidência de ataques anticristãos aumentou em Karnataka desde que o governo do partido Janata Dal-Secular (JD-S), em coalizão com o Bharatiya Janata, assumiram o poder em fevereiro, depois que o JD-S retirou seu apoio do governo, então nas mãos do Partido do Congresso.


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