Policial ligado ao caso dos três cristãos indonésios deixa o cargo

| 01/09/2006 - 00:00


Ao deixar o cargo de chefe de polícia de Sulawesi Central, o general Oegroseno advertiu, em 31 de agosto, que a violência poderia explodir em Poso novamente. Ele afirmou acreditar que os verdadeiros mentores dos assassinatos sectários ocorridos em 2000 ainda estão em liberdade.

Ele acrescentou que o conflito não seria resolvido com a execução de três homens - Fabianus Tibo, Dominggus da Silva e Marinus Riwu - condenados por liderar um ataque que matou cerca de 200 muçulmanos.

"O mistério permanece. O que realmente aconteceu por trás dos conflitos ainda não foi totalmente esclarecido", disse Oegroseno, depois de participar de uma cerimônia de despedida e de boas-vindas no quartel da Polícia Nacional, em Jacarta.

Oegroseno está entre os 31 oficiais de polícia que foram transferidos. Advogados e ativistas questionaram se sua remoção do cargo tinha conexão com seus esforços para investigar a violência. Eles disseram que pode haver relação com o recente adiamento da execução dos três homens.

"Ainda estamos investigando 10 das 16 pessoas que teriam idealizado o conflito. Reconheço, entretanto, que não fizemos o máximo", declarou Oegroseno.

Busca da verdade

O trio que está no corredor da morte apresentou à polícia os 16 nomes como os verdadeiros mentores do ataque. Os condenados negaram ter desempenhado um papel decisivo na violência e recentemente fizeram um segundo pedido de clemência ao presidente Susilo Bambang Yudhoyono.

Oegroseno pediu ao seu sucessor, o ex-chefe de polícia de Banten, Badrootin Hedi, que continue a investigar o caso.

"Os moradores locais, muçulmanos e cristãos, devem apoiar os esforços da polícia para descobrir a verdade. Eles devem contar à polícia a verdadeira história do conflito", disse Oegroseno.

Ele afirmou que a polícia deve conversar com os moradores, acrescentando que pode não ser fácil para eles falar sobre o conflito, uma vez que isso aconteceu há seis anos.

Oegroseno irá chefiar a unidade de Comunicações e Eletrônica no quartel da Polícia Nacional.

Perguntado se a transferência de Oegroseno estava relacionada ao adiamento da execução do trio, o chefe da Polícia Nacional, general Sutanto, declarou: "Se um oficial não agir firmemente, então a comunidade será vitimada mais uma vez".

Manifestação

Ativistas da Advocacia para Justiça e Paz na Indonésia (PADMA), uma organização não-governamental que defende os três cristãos, organizaram uma manifestação do lado de fora do quartel da Polícia Nacional para protestar contra a transferência de Oegroseno.

A PADMA questionou o fato de a decisão ter sido tomada enquanto Oegroseno estava investigando o conflito e mantendo os moradores tranqüilos.

"Apreciamos todo o árduo trabalho desempenhado pelo general Oegroseno, assim como pela polícia, para revelar a verdadeira história do conflito de Poso", afirmou em seu discurso Norbert Betan, diretor da PADMA.

A PADMA também exigiu que o novo indicado para a chefia da polícia de Sulawesi Central continue a investigar o caso.

Os advogados dos três cristãos disseram, no dia 31, que a execução de seus clientes não pode acontecer até que o presidente responda ao pedido de clemência.

"É direito constitucional de Tibo e seus amigos reivindicarem a clemência presidencial e, enquanto a decisão não for tomada, não pode ocorrer a execução", declarou Roy Rening, um dos advogados dos três homens.

Ele disse que os advogados registraram um segundo pedido de clemência no começo de semana através da corte distrital de Palu, capital de Sulawesi Central. O presidente negou o primeiro pedido há 9 meses. Entretanto, pela lei, um segundo pedido não pode ser feito até dois anos depois da primeira rejeição.


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