Seqüestrador dos filhos de Maria Samar é capturado pela polícia

| 06/09/2006 - 00:00


A cristã ex-mulher do muçulmano paquistanês que seqüestrou seus dois filhos, que estavam sob custódia da corte, há dois anos, conseguiu enganá-lo, encontrando-se com ele em um parque de Lahore, onde a polícia o prendeu, na semana passada.

"Agora a polícia está fazendo buscas por toda parte e acabou de descobrir que o avô paterno das crianças seqüestradas levou-as para Rawalpindi. Assim, esperamos recuperar as crianças ainda hoje ou amanhã", disse uma fonte ao Compass, ontem (5 de setembro).

Preocupado que Maria Samar John estivesse tentando converter as crianças ao cristianismo, Abdul Ghaffar seqüestrou o filho Joshua, que então tinha 5 anos, e a filha Miriam, de 3 anos, durante uma visita paterna supervisionada nas dependências da Corte de Família de Lahore, em 13 de setembro de 2004. (Saiba mais.) O juiz de custódia que presidia o caso prontamente registrou uma acusação criminal contra Abdul Ghaffar, ordenando a prisão do fugitivo e a devolução das crianças para sua mãe.

Dois anos depois, apesar das repetidas incursões na antiga casa do muçulmano em Gujranwala e de interrogatórios a muitos de seus parentes, a investigação policial não conseguiu descobrir o paradeiro de Abdul. Mas o Centro para Ajuda Legal, Assistência e Assentamento (CLAAS, sigla em inglês), que protegeu Maria Samar dos abusos do ex-marido no Centro de Reabiliação Apna Ghar desde 2000, depois que ela fugiu de seu casamento forçado, encontrou a solução no mês passado.

Telefonema surpresa

Recusando-se a desistir da busca, membros da equipe do CLASS conseguiram descobrir o número de telefone de Abdul Ghaffar. Maria Samar fez uma surpresa ligando para ele, implorando para encontrá-lo e a seus filhos. Seu ex-marido concordou em encontrá-la em um parque de Lahore, mas sem as crianças.

Pouco depois que Abdul chegou ao parque, na hora marcada, em 30 de agosto. A polícia que estava escondida na área o cercou e prendeu.

O pai fugitivo foi levado algemado para a delegacia Islampura de Lahore. No dia seguinte, uma corte ordenou que ele permanecesse preso até a recuperação das crianças.

Em sua declaração inicial à polícia, Abdul Ghaffar disse que a disputa religiosa - uma "guerra de religiões" - estava no centro da briga pela custódia.

"Maria estava tentando converter meus filhos ao cristianismo, então eu os seqüestrei", ele disse.

Família influente

Alguns oficiais da delegacia tomaram o partido de Abdul, comentando que "crianças muçulmanas não devem ser convertidas ao cristianismo" e insistindo que Maria Samar deveria abrir mão da custódia em favor do ex-marido.

Sob as leis paquistanesas do divórcio, os filhos permanecem sob a custódia da mãe até os 12 anos, quando o pai tem então o direito de reivindicar a guarda.

"Mas agora Abdul é um criminoso, porque é um fugitivo e o juiz de custódia foi quem abriu o processo contra ele", afirmou o coordenador do CLAAS, Wasim Muntizar. "Assim, esperamos que ele seja sentenciado a alguns anos na prisão. Essa é nossa expectativa."

No entanto, a influente família de Abadul Ghaffar tem fortes ligações com o grupo islâmico banido Sipah-e-Sahaba, conhecido por exercer pesadas pressões sobre o judiciário paquistanês.

"Então, podemos apenas orar", disse Wasin Muntizar. "A corte tem um processo contra Abdul, e ele e seus filhos serão apresentados à corte, e Maria também terá de comparecer, e o juiz irá decidir."

"Parece que foram 200 anos"

Quando era uma adolescente de 17 anos, Maria Samar foi seqüestrada e negociada em casamento com Abdul Ghaffar. Ele a forçou a se converter ao islã e batia nela porque ela se recusava a pronunciar as orações muçulmanas. Trancada em casa e sofrendo abusos tanto do marido como da família deste, Maria estava em sua segunda gravidez quando conseguiu escapar levando seu filho pequeno.

Com a assistência de advogados do CLAAS, ela conquistou um divórcio legal de seu casamento forçado com Abdul Ghaffar, em fevereiro de 2003. Embora Abdul tenha aberto um processo para obter a custódia dos dois filhos, seus advogados abandonaram o caso depois que as crianças foram seqüestradas.

"Ela permanece assustada até que tenha os filhos de volta", disse Wasin Muntizar. "Passaram-se apenas dois anos, mas parece que foram 200 anos para Maria e para nós".


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