Jovem acusado de blasfêmia recebe visita da família

| 05/10/2006 - 00:00


Pela primeira vez desde sua prisão sob acusações de blasfêmia, o cristão de 17 anos, Shahid Masih, encontrou sua família na prisão da cidade de Faisalabad, Paquistão. Khalil Tahir, advogado católico que se dispôs a ajudá-lo, requereu que os juízes encarregados do caso ordenassem uma investigação minuciosa porque, a seu ver, as acusações contra o adolescente são infundadas.

A mãe e a irmã mais velha do adolescente se encontraram com ele na prisão pela primeira vez desde que ele foi levado sob custódia. O jovem foi preso com o muçulmano Muhammad Ghaffar, no dia 11 de setembro, por terem supostamente rasgado páginas de um "tafseer", um livro que explica os versos do Alcorão.

Os dois foram autuados sob a acusação de violar o artigo 295-B do Código Penal do Paquistão, conhecido como "lei de blasfêmia". A pena prevista é de prisão perpétua para qualquer um que profane o Alcorão. As acusações foram feitas pelo médico Arshad Masood, que tem uma clínica próxima à casa do jovem.

Segundo o médico, os dois jovens agiram durante a noite quando ele estava ausente e rasgaram o livro que ele tinha na clínica.

Foi insinuado que a real intenção do médico era de punir os jovens, que são viciados, por terem supostamente roubado remédios de sua clínica.

Visita de dez minutos

A mãe do adolescente, Alice Munawar, em declaração a agência de notícias "AsiaNews" sobre o encontro com seu filho, que durou apenas dez minutos, afirmou que ele falou pouco e só chorava: "Ele perguntou sobre todos nós e principalmente sobre seu pai idoso". Ela ainda acrescentou: "Eu também estava muito sentida e não pude falar muito. Mas foi ótimo vê-lo vivo, apesar de tê-lo visto atrás das grades".

A irmã mais velha, Elizabeth Munawar, de 45 anos, disse que a família "está apavorada com o que extremistas muçulmanos possam fazer. Todos nos lembramos do massacre de 1997 no vilarejo cristão em Shanti Nagar e do incidente em Sangla Hill no final do ano passado. Entretanto, reunimos força e fomos à prisão pela manhã e só pudemos vê-lo após o almoço por apenas dez minutos, quando a polícia o levou embora".

A família não está de braços cruzados. Eles estão tomando todas as medidas legais possíveis. O advogado, que está trabalhando no caso sem cobrar honorários, compareceu em juízo perante o tribunal de Faisalabad. Para ele, um perito em casos de blasfêmia, a investigação deixou muito a desejar e deve ser conduzida por uma instância superior.

O juiz Najam ul-Hassan Bukhari encaminhou o caso ao Comitê Permanente, que inclui policiais do alto escalão.

O advogado afirmou estar otimista devido ao fato de não haver provas contra o rapaz.

Ejaz Ghauri, presidente da Rede de Desenvolvimento Humano (HDN, sigla em inglês),
Pediu a todos cristãos no mundo que orassem pelo rapaz e sua família, e pelo advogado.


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