Egípcios enfrentam perseguição por seguir Cristo

| 07/10/2006 - 00:00


Por milhares de anos, os egípcios contavam com o Nilo para o seu sustento. O rio fornecia peixes para comer a água para irrigar suas plantações.

Agora, no século 21, um número cada vez maior de egípcios procura água viva e um tipo diferente de pão.

Muitos têm ido a Cristo através de sonhos, visões e programas cristãos de televisão. Da mesma forma que o número deles cresceu, cresceu também a perseguição contra eles.

Os cristãos em todo o Oriente Médio estão inquietos, preocupados se a reação violenta às palavras recentes do Papa Bento 16 irá piorar durante o mês sagrado islâmico do Ramadã.

No Egito, alguns cristãos temerosos podem se tornar vítimas de ataques como o que aconteceu em Alexandria, em abril.

Fakiha Atta se lembra com lágrimas do incidente que levou a vida de seu marido Noshi, de 78 anos. Ele não conseguiu chegar em casa depois de um culto na igreja, em uma sexta-feira de manhã. Ela mandou seu caçula, Maher, ir à igreja para buscá-lo.

Quando Maher chegou à igreja, percebeu uma poça de sangue na entrada, e rastros de sangue indo da igreja para o hospital, ao lado.

Ele correu para a sala de emergência, onde viu médicos e enfermeiras cuidando de vários membros da igreja, que estavam com as roupas encharcadas de sangue. Um médico disse a Maher que os cristãos feridos foram esfaqueados durante um ataque à igreja. Maher diz que ficou chocado depois que o médico o levou ao lado da cama de seu falecido pai.

Ele disse às CBN News que ninguém pode imaginar como ele se sentiu depois de ver as feridas de seu pai. Maher sofreu um misto de sensações: assombro, aflição e dor.

Maher chorou de maneira descontrolada e se indagou por que alguém teria assassinado seu pai, que não tinha inimigos e era amado por todos.

A família Atta Girgis soube que um radical muçulmano, empunhando duas longas facas, despontou à entrada da igreja e esfaqueou diversas pessoas, enquanto gritava: "Alá é o maior" e "Morte aos infiéis!".

Fakiha estava casada com Noshi há mais de 50 anos. Como o assassinato dele afetou sua fé?

"Isso não feriu minha fé... mas, afetou minha vida. Sinto-me só toda hora, sem meu marido, e essa é a parte mais difícil", disse Fakiha.

O cristianismo está no Egito a mais de seis séculos do que o islamismo. Mas, os cristãos são apenas 12% da população total. Os muçulmanos são cerca de 87%.

A Constituição do país dá preferência à maioria muçulmana, e os cristãos são geralmente tratados como cidadãos de segunda classe.

Seqüestrada e casada à força

Algumas adolescentes cristãs têm sido seqüestradas e forçadas a se converter ao islamismo. Outras foram seduzidas e atraídas a renunciar a sua fé cristã por meio de promessas de riquezas e de uma vida mais próspera como muçulmanas.

Tal foi o caso da filha do camponês Saber Sabeh Gadallah.

Enquanto o sol de outono se punha nos campos de El Minya, no Egito, Saber colocou suas últimas porções de feno em uma carroça de burro e voltou devagar para sua casa.

O filho adolescente de seu vizinho muçulmano pediu para comprar feno. Saber, fatigado, instruiu sua filha Suzanne, de 16 anos, a ir buscar o feno no quintal. Ela nunca mais voltou.

Saber conta o que um policial lhe respondeu quando ele foi à delegacia registrar a ocorrência de pessoa desaparecida: "Ele me bateu no rosto, e gritou: O que você quer que a gente faça? Coloque um guarda na sua casa 24 horas por dia?".

Saber acredita que Suzanne foi seqüestrada, forçada a se converter ao islamismo e casada. Embora a polícia possa saber onde Suzanne está, os policiais se recusaram a revelar seu paradeiro aos seus pais.

"Ela nunca faria algo assim por sua vontade. Ela é muito gentil, inocente e respeita seus pais", explicou Saber, que ainda disse: "Se ela tivesse feito isso por vontade própria, por que não me deixariam falar com ela pessoalmente?".

Saber diz que sua família se partiu em pedaços. Tudo o que ele quer é que a verdade seja revelada.

Uma ex-muçulmana, vamos chamá-la de Raquel, diz que foi a Cristo depois de se apaixonar por um cristão e se casar com ele. Sua identidade foi ocultada para protegê-la de algum ataque.

Sua família não sabe que ela se casou com um cristão, nem que ela abandonou a fé islâmica. Ela está agora escondida porque diz que os membros de sua família irão matá-la se a descobrirem.

"Está escrito no Alcorão que eles devem me matar e tomar meu filho. E eles fariam isso", Raquel disse.

Enquanto os cristãos egípcios dizem esperar por muitas provações nos dias que virão, sua fé é fortalecida pela aflição e pelas lágrimas. E alguns, como Raquel, dizem saber que Deus está com eles em meio ao seu sofrimento.

Raquel disse: "O Senhor nos diz que Ele cuida dos pardais... imagine só o quanto Ele cuida de nós!"


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