Pastor Carlos Lamelas é condenado em nova acusação

Portas Abertas • 27 dez 2006


Uma corte em Havana absolveu o reverendo Carlos Lamelas da acusação de "tráfico de seres humanos", isto é, ajudar cubanos a fugir do regime repressivo do país. Entretanto, o pastor foi condenado pelas acusações de falsificação de documentos.

Os juizes lhe impuseram uma multa de mil pesos cubanos (45 dólares).

A sétima corte penal da corte popular provincial deu o veredicto no dia 13 de dezembro, embora os quatro juízes que presidiam o caso não tenham informado o pastor Carlos da decisão. O advogado de defesa Pavel Quintano obteve uma fotocópia da decisão, não-publicada, e informou Carlos do veredicto por telefone.

"Embora essa sentença seja favorável, não estamos satisfeitos", Carlos disse. O pastor não teve oportunidade de responder oficialmente às novas acusações as quais, segundo ele, são um pretexto para que s autoridades retenham em seu poder computadores, arquivos e equipamentos de escritório confiscados.

"Se eu tivesse mesmo falsificado documentos, isso me faria cúmplice de tráfico de seres humanos, mas eu não fui condenado. Como eu posso ser inocente do crime inicial, e, apesar disso, culpado de um crime que eles inventaram mais tarde?"

As novas acusações envolvem um formulário preenchido por um certo Lázaro Leonardo Laza, que pedia para sair do país. O documento da corte não especifica se esse é o nome verdadeiro da pessoa que preencheu o formulário.

Esse suposto viajante disse ter pedido um visto para viajar para uma conferência de igrejas na Guatemala. A corte afirmou que a sua verdadeira intenção era prosseguir para o México a fim de alcançar os Estado Unidos.

O tribunal afirmou que Carlos assinou uma carta de recomendação, dizendo que Lázaro era um obreiro da Igreja de Deus (pastoreada por Carlos), mas "sem fazer qualquer tipo de confirmação".

O advogado de defesa do pastor o aconselhou a apelar da decisão da corte.

Testemunha falsa

Um outro réu do caso de tráfico humano, o pastor evangélico Joel Rojas de Holguín, foi condenado por ajudar Lázaro a fugir do país, e sentenciado a sete anos de prisão, segundo o documento da corte.

Um veredicto de culpa por "tráfico humano" poderia ter dado a Carlos uma sentença de nove anos de prisão. O pastor, casado e pai de duas meninas, disse aos amigos de fora de Cuba que se sentia aliviado com sua absolvição e agradecia o apoio recebido.

O pastor já havia sido preso em 20 de fevereiro deste ano, e ficou mais de quatro meses na prisão (saiba mais aqui).

Carlos foi intimado perante o tribunal no dia 4 de dezembro. Ele disse aos seus amigos que alguns fatos "curiosos" aconteceram no julgamento.

"O advogado de outro réu se aproximou de minha esposa e lhe disse que eu nem deveria estar lá, que não havia nenhuma evidência para me incriminar."

O promotor público designado para assumir o caso contra Carlos (o qual também pediu os nove anos de sentença) adoeceu de repente e não compareceu no tribunal. Um promotor substituto recomendou que fossem retiradas todas as acusações contra o pastor.

"Enquanto ainda estávamos na sala de julgamento, uma das testemunhas se dirigiu também à minha esposa e pediu perdão por ter testemunhado contra mim antes, o que me levou à prisão. Minha esposa aceitou as desculpas."

Essa testemunha explicou então a Uramis Lamelas que os oficiais de segurança do Estado o pressionaram a depor contra Carlos. Esse homem retirou mais tarde a declaração que incriminava o réu.

Carlos era ativo em seu movimento de igrejas domésticas na Ilha da Juventude até se mudar para Havana, em 2004. Nessa época, ele assumiu a diretoria nacional da Igreja de Deus, da qual é pastor.

Fontes em Cuba acreditam que o governo escolheu perturbar Carlos porque o considera um ativista dos direitos religiosos.

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