Réu confessa ter participado de vários assassinatos de cristãos

| 23/01/2007 - 00:00


Um extremista islâmico admitiu, na quarta-feira, 17, ter tomado parte no assassinato de três estudantes cristãs, em Poso, em 2005. Ele também confessou ter matado a tiros a pastora Susianty Tinulele, em Palu, em 2004.

Em uma confissão por escrito, feita na Corte Distrital de Jacarta, Lilik Purnomo também confessou ter participado de outros atos de violência em Poso: um atentado a bomba na Igreja Emanuel, a decapitação de um comandante da vila, e os tiros em Ferry Silalahi, um advogado cristão que defendeu o reverendo Rinaldy Damanik (leia mais).

Lilik Purnomo confessou ter tomado parte no assassinato das três garotas - Theresia Morangke e Yarni Sambue, ambas de 15 anos, e Alfita Poliwo, de 17 - enquanto elas iam para a escola, em 29 de outubro de 2005. O promotor público Payaman (conhecido apenas pelo primeiro nome) leu a confissão assinada por Lilik.

Uma quarta jovem vítima do ataque de 2005, Noviana Malewa, então com 15 anos, sofreu graves ferimentos na face e no pescoço, mas sobreviveu. Ela disse que pelo menos seis homens atacaram as garotas.

Depois dos crimes, as cabeças das jovens foram colocadas em sacos plásticos pretos. Uma foi deixada perto de uma igreja na vila de Kasiguncu, e as outras duas perto de uma delegacia a pouca distância de Poso. Os sacos continham um bilhete que dizia, entre outras coisas: "Vamos assassinar mais 100 adolescentes cristãos e suas cabeças serão apresentadas como ofertas".

Um extremista de 24 anos, conhecido por Hasanudin, confessou no ano passado ter planejado os assassinatos como "ofertas" para celebrar o Idul Fitri, um festival que marca o fim do Ramadã, mês muçulmano de jejum. As decapitações também foram praticadas para vingar a morte de muçulmanos durante os conflitos inter-religiosos na província de Sulawesi Central entre 1998 e 2001, de acordo com os réus.

Lilik (apelidado de Haris ou Arman) e Irwanto Irano (chamado de Irwan e também conhecido como Apriyantono) compareceu à corte na quarta-feira. Ele confessou que, junto com Irwanto, foi o "coordenador das execuções".

"É verdade. Coordenei as execuções", disse ele sem demonstrar emoção. Ele admitiu ter trabalhado junto com Irwanto, Papa Yusron, Agus Jenggot, Nanto, Basri e Wiwin Kalahe. Ele confessou também ter recrutado outros comparsas.

Lilik contou que antes de iniciar o ataque, ele e outros seis cúmplices pediram autorização para Hasanudin. "O assassinato foi consumado depois que Hasanudin - considerado como um veterano pela comunidade - nos deu permissão", disse.

O assassino confesso disse ainda que, após consultar Hasanudin, ele e outros comparsas adquiriram seis facões com o dinheiro dado por Hasanudin. Ele comprou também os sacos plásticos que foram usados para esconder a cabeça das vítimas. Depois do ataque, ele levou as cabeças para Hasanudin.

Hasanudin, que estava presente na corte, negou o testemunho de Lilik, dizendo: "Nunca me pediram autorização para executar as estudantes cristãs".

Assassinato da pastora Susianty Tinulele

A confissão de Lilik incluiu o assassinato da pastora Susianty Tinulele, de 26 anos. Ela foi baleada durante um culto na Igreja Cristã de Sulawesi Central (GKST), em Efatah, no dia 18 de julho de 2004.

A pastora Susianty tinha acabado de pregar naquela noite de domingo, quando um homem com uma máscara preta apareceu na porta e disparou uma metralhadora contra a congregação. Ela teve morte instantânea. Um membro do coral, Desrianti Tengkede, de 17 anos, recebeu um tiro na testa e morreu nas primeiras horas da manhã seguinte (leia mais).

Quatro outros participantes do culto ficaram feridos. Testemunhas disseram que três outros homens esperavam em motocicletas do lado de fora da igreja e todos fugiram do local junto com o atirador depois dos disparos.

A pastora Susianty tinha sido ordenada para o ministério na igreja GKST. Ela apoiava ativamente o reverendo Rinaldy Damanik, outro ministro da GKST que tinha sido preso sob o que muitos acreditam ser acusações falsas. Susianty visitou Damanik na prisão no dia 16 de julho, dois dias antes de ser baleada.

Rinaldy Damanik é um dos principais responsáveis pelo acordo de paz de Malino, assinado por representantes cristãos e muçulmanos em dezembro de 2001, que tentava colocar um fim à violência sectária que começou em Sulawesi em 1998. As autoridades lhe concederam libertação antecipada da prisão em Palu, Sulawesi, em 9 de novembro de 2004 (leia mais).

Lilik Purnomo também confessou ter atirado em Ferry Silalahi, um advogado cristão que defendeu Damanik. Silalahi foi baleado e morto em 25 de maio de 2004, quando ele e a esposa saíam da igreja.


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