Pastor batista é preso no Azerbaidjão

O pastor batista Zaur Balaev foi detido no dia 20 de maio quando a polícia invadiu o culto de sua congregação, realizado em uma casa particular na remota vila de Aliabad, perto da fronteira com a Geórgia.

Ilya Zenchenko, chefe da União Batista do Azerbaidjão, disse ter entrado em contato com a polícia em Baku (capital do país), a qual afirmou que Zaur havia sido preso por resistir à polícia e soltar um cachorro contra os policiais quando estes invadiram o culto. Ilya, entretanto, contradiz essa afirmação. Segundo eles, as autoridades tentam intimidar a igreja.

Essa congregação em Aliabad tem tentado obter o status legal há 15 anos. Esse parece ser o maior tempo que uma comunidade religiosa espera por um registro. Fomos imensamente humilhados como seres humanos em um país que pretende ser democrático, queixou-se um membro de Aliabad. Somos discriminados de diversas formas.

Quando a polícia, liderada pelo policial da vila , chegou ao culto de 20 de maio, ela exigiram que o culto fosse encerrado e que as pessoas fossem embora. A polícia insistiu que a congregação não podia se reunir por não ser registrada. A polícia exigiu então que o pastor Zaur a acompanhasse à delegacia. Para evitar qualquer conflito, ele concordou em ir.

Quando a polícia não libertou Zaur, alguns membros da igreja foram à cidade vizinha de Zakatala, onde ele estava detido, para saber de seu paradeiro. Quando esses membros perguntaram sobre o pastor Zaur, eles também foram detidos na delegacia por um tempo. Um dos membros, Aza Suleimanova, foi até agredida pelos policiais. Ela sofreu ferimentos na cabeça e no rosto.

A congregação dirigida por Zaur é formada por membros do grupo étnico ingilo, de fala georgiana. A igreja foi fundada depois que cristãos da União Batista da Geórgia visitaram o lugar no começo da década de 1990. Ela tem sofrido constante pressão das autoridades locais desde então, bem como as outras igrejas batistas na região.

Sem certidão de nascimento

A discriminação contra os protestantes na vila se estendeu aos recém-nascidos. Novruz Eyvazov, membro de outra congregação batista na vila, queixou-se que seu filho Ilya, de 11 meses de idade (ele nasceu em 18 de junho de 2006), ainda não tem sua certidão de nascimento porque o cartório recusa-se a lhe dar uma. Eles não aceitaram o fato de termos dado um nome cristão ao bebê, disse o pai (leia essa notícia aqui). Ilya é a palavra russa para Elias.

Os nascimentos no Azerbaidjão são registrados no local em que os pais vivem. Como cidadãos azeris e habitantes de Aliabad, a família Eyvazov tentou registrar Ilya na administração da cidade, onde receberam o primeiro não. Sem certidão de nascimento, a criança não pode ser matriculada no jardim de infância ou na escola, receber tratamento médico ou viajar para o exterior.

O cartório da cidade de Zakatala disse que era impossível Ilya não ter o registro. Outro funcionário do cartório disse que a certidão já havia sido emitida há dois anos - Ilya não havia nem sido concebido.

Mehman Sultanov, do Ministério da Justiça em Baku, prometeu à agência de notícias Forum 18 que investigaria o caso.

Esse problema com o registro de filhos de pais protestantes existe há muito tempo na região de Zakatala, embora os o governo negue.