Sacerdote caldeu iraquiano é libertado após 11 dias

O sacerdote caldeu Hani Abdel Ahad, seqüestrado no Iraque no dia 6 de junho, foi solto no domingo, dia 17, segundo o bispo auxiliar Shlemon Warduni.O bispo não quis comentar se houve pagamento de resgate.

Levanto as mãos a Deus e agradeço porque cri no seu amor. Eu não sei explicar por que passei por isso e espero não passar nunca mais, disse Hani Ahad após a libertação.

Eles falaram em dinheiro porque somos cristãos e deveríamos pagar a jizya (taxa cobrada dos não-muçulmanos), explicou Shlemon Warduni.

O bispo não quis comentar se houve pagamento de resgate. Segundo ele, a ação teve tanto motivação religiosa quanto financeira.

Este foi o oitavo seqüestro de padres iraquianos em Bagdá em uma situação de perseguição religiosa aos cristãos.

Os cristãos têm sido alvo dos sunitas e dos xiitas, vítimas de atentados, de seqüestros, de pressão para que abandonem seus lares e da cobrança ilegal deste tradicional imposto arrecadado dos não-muçulmanos.

O bispo contou que Hani Ahad parecia estar bem emocionalmente. Precisamos realizar exames médicos porque passar 11 dias em tratamento com essas pessoas e debaixo desse calor não é fácil, disse.

O sacerdote Hani Ahad, que tem cerca de 30 anos, foi capturado junto de cinco jovens no bairro de Suleikh quando ia visitar um seminário (leia mais).

Incerteza

Suleikh faz parte da área sunita, então achamos que os seqüestradores eram sunitas, disse o bispo ao Compass.

Por conta disso, a preocupação era maior. Estávamos com medo porque os sunitas não falam em dinheiro, eles matam direto, assim como aconteceu em Mosul, disse Shlemon Warduni.

No início do mês, a violência atingiu o padre caldeu Raghed Ganni e três subdiáconos - Basman Yousef Daud, Wahid Hanna Isho, Gassan Isam Bidawed - assassinados em Mosul, a norte de Bagdá, depois da missa dominical.

Os quatro homens seqüestrados com o padre caldeu foram soltos no dia seguinte, após o pagamento de resgate.

O website iraquiano Ankawa.com informou ontem que uma milícia islâmica bombardeou a casa de um cristão em Badgá, no subúrbio de Amariya porque a família se recusou a pagar a jizya.

O uso do Alcorão para argumentar com os seqüestradores

Apesar dos seqüestradores do sacerdote caldeu terem usado a jizya como pretexto para a ação, o bispo auxiliar Shlemon Warduni lembrou que não há qualquer fundamento na teologia islâmica para justificar o ocorrido.

Nós dissemos a eles que o Alcorão diz que somos irmãos de criação porque fomos criados por Deus, relatou o bispo ao Compass.

Nós também lemos o trecho do Alcorão que diz que não deve haver imposição da religião e dissemos: vocês têm a sua religião e nós temos a nossa, contou o bispo.

Ele disse que os seqüestradores zombaram de seus argumentos: Vocês vão pagar por adorarem a Cristo, disse um deles. Vocês estão fora da fé, gritou outro.

Ainda é uma questão de dinheiro, retrucou o bispo. Vocês fazem um negócio e praticam um ato imoral. Vocês participam da violência e estão ajudando a manter todo o processo, disse ele aos seqüestradores.

O momento mais duro, segundo o bispo, foi imaginar que seu colega podia ser morto por causa do não pagamento do resgate.