Grupo com 17 presos de Acteal tem acréscimo de pena

Na segunda-feira, 23 de julho, o juiz Martin Rangel Cervantes acrescentou um ano de prisão às sentenças de 17 homens envolvidos no caso Acteal 223/97 e determinou o pagamento de uma multa no valor de 3.000.000 pesos (R$ 550 mil) em indenizações às famílias das vítimas. As penas foram aumentadas de 25 para 26 anos.

A Portas abertas tem trabalhado continuamente com o Centro para Pesquisa Econômica e de Educação (CIDE, sigla em inglês) na elaboração de um estudo do processo de defesa dos prisioneiros de Acteal que contêm 60 mil páginas.

Os advogados da CIDE sustentam que há evidências claras da inocência da maioria dos acusados. Oito advogados voluntariamente se ofereceram para explorar jurisdições diferentes e com isso avançar nos esforços da defesa.

A Portas Abertas na América Latina também está trabalhando junto com as Portas Abertas Internacional no sentido de encontrar caminhos para o processo de defesa no âmbito internacional.

Entenda o caso

No dia 22 de dezembro de 1997, uma tragédia aconteceu na municipalidade de Chenalho, Chiapas, México. Diferenças ideológicas e políticas que se inflamaram durante o ano levaram a um confronto armado que resultou na triste e insensata morte de 45 índios de etnia tzotzil, dos quais 37 eram mulheres e crianças.

A caça aos participantes do confronto de Acteal resultou na detenção e prisão de 90 pessoas, dos quais de 83 foram presas injustamente, incluindo 35 crentes evangélicos das igrejas na comunidade de Chenalho.

Um total de 79 prisioneiros, inclusive os evangélicos, ainda estão presos, acusados de terem supostamente participado dos assassinatos. Um contato da Portas Abertas no México afirmou que aproximadamente 60% dos prisioneiros do caso de Acteal são cristãos (leia mais).

Os homens presos foram divididos em três grupos (casos). Os 23 homens do caso 224/97 receberam uma pena de 36 anos de prisão. No segundo grupo, caso 223/9, havia 19 homens. Hoje são 17, pois uma pessoa morreu de câncer na prisão (Gregorio Vásquez López) e outra foi libertada por bom comportamento e por ser menor. Agora, após a reabertura deste caso ( leia mais), eles receberam o acréscimo de mais um ano em suas penas. Os 39 homens no terceiro grupo, do caso 46/98, foram condenados a 25 anos.