Termina o seqüestro dos reféns sul-coreanos no Afeganistão

O movimento radical islâmico talibã libertou hoje os últimos sete reféns sul-coreanos que continuavam sob a custódia do grupo. Ontem, 12 dos 19 missionários mantidos em cativeiro foram libertados, um dia depois de um acordo polêmico.

Na terça-feira, as autoridades da Coréia do Sul fecharam um acordo com os rebeldes pela libertação de todos os reféns protestantes, em troca de que o país acelerar a retirada de seu pessoal civil e militar no Afeganistão e conter o envio de missionários cristãos ao país.

Os sul-coreanos foram resgatados por carros do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) na Província de Ghazni.

Seqüestro

O grupo de 23 missionários sul-coreanos da Comunidade Saemmul foi seqüestrado em 19 de julho, quando viajava em uma estrada entre Kandahar e Cabul na Província de Ghazni, no sul do Afeganistão.

Duas mulheres que faziam parte do grupo foram libertadas há nove dias em uma estrada da área rural do Afeganistão. Outros dois dos reféns, entre eles o pastor de 42 anos, Bae Hyung-Kyu, foram mortos pelos radicais quando prazos dados para o cumprimento de exigências expiraram.

Na semana passada, o Talibã ameaçou matar os sul-coreanos mantidos em cativeiro há mais de um mês se suas exigências de libertação de presos não fossem atendidas pelo governo afegão. No entanto, a organização não estabeleceu um prazo para tal.

Os talibãs também insinuaram que poderiam deixar morrer um refém alemão mantido em cativeiro desde 18 de julho, que sofre de doença cardíaca, se as autoridades afegãs não aceitarem outra troca de prisioneiros.

Críticas

Um ministro afegão, no entanto, criticou Seul pelos termos do acordo, que prevê a retirada dos 200 soldados sul-coreanos destacados no país até o final deste ano.

"Alguém tem que dizer que esta libertação, sob essas condições, trará ainda mais dificuldades ao Afeganistão", disse o ministro Amin Farhang, em uma entrevista a uma rádio alemã. "Nós tememos que esta decisão abra um precedente. O Talibã continuará a tentar fazer reféns".

Além disso, diversas organizações cristãs, entre elas a Igreja Católica, criticaram o acordo que suspende as atividades missionárias e humanitárias de sul-coreanos no Afeganistão.

(Texto acrescido de informações do Uol, Efe, Asia News e Yonhap)