Pastores de Beslan lutam contra trauma e pesar coletivo

| 03/09/2007 - 00:00


Já se passaram três anos desde que terroristas chechenos ocuparam uma escola na cidade de Beslan, fazendo 1.128 reféns e levando 334 pessoas à morte. Era 1º de setembro, primeiro dia do ano letivo. A escola estava cheia de mulheres e crianças. O pastor Taimuraz Totiev e a esposa dele, Ria, tinham cinco filhos na escola; só a primogênita, Madina, sobreviveu.

A tragédia atingiu quase todas as famílias da cidade. Uma peculiaridade em Ossétia do Norte é que quase todo o mundo tem fortes ligações entre si. Com isso, a catástrofe ganhou proporções gigantescas, afetando diretamente muitas pessoas.

Os aspectos do povo, as lágrimas, a ausência de sorrisos, os movimentos lentos expressam o sentimento de pesar que continua no coração daquelas pessoas, cujas vidas foram e continuam sendo arruinadas pela tragédia.

Mesmo os que não tinham filhos e acompanharam o episódio pela televisão estão sofrendo de doenças emocionais. Alguns tiveram ataques do coração.

Basta iniciar uma conversa com alguém para perceber a dimensão do choque. Não leva mais de 15 minutos antes que se mencione a tragédia; até mesmo durante casamentos e outras celebrações.
 
Desafio dos pastores

O pastor Taimuraz Totiev enterrou quatro filhos – Larissa, Luba, Albina e Boris, no dia 7 de setembro de 2004.

Os filhos do irmão de Taimuraz, Sergey Totiev, também estavam na escola. Sergey e a esposa Bela enterraram dois deles no mesmo dia: Dzerassa (15 anos) e Anna (9 anos). O filho Azamat perdeu a visão de um dos olhos e terá de fazer uma cirurgia para salvar o outro olho.

Os dois irmãos são pastores da Igreja Batista de Beslan. Durante o funeral coletivo das crianças mortas na escola, Sergey falou sobre o perdão e alertou para que as pessoas atingidas não buscassem vingança, mas sim servissem como pacificadoras (leia mais).

Desde aquele dia, eles têm se empenhado na árdua tarefa de ministrar às famílias das vítimas. Outras igrejas e ministérios também se encarregaram da enorme tarefa de aconselhar e ajudar os sobreviventes e as famílias atingidas. Outros optaram por alcançar o povo da Chechênia, para que eles possam conhecer o amor de Deus.

Dia-a-dia

Os eventos em 2004 os alienaram de uma vida normal. Os pais das crianças mortas vão ao cemitério pelo menos uma vez por semana. Alguns quase parecem viver por lá.
O cemitério parece ser o único lugar da cidade onde tudo está nitidamente organizado, com brinquedos, flores e sempre muitas pessoas.

As pessoas que não vivem em Beslan freqüentemente se esquecem da tragédia, mas ao entrar na cidade, não é possível deixar de perceber a atmosfera de aflição e luto profundo que ainda envolve a cidade.

O caso

Após 52 horas de seqüestro, uma explosão dentro da escola – acidental, segundo a versão oficial – desencadeou uma confusa operação de resgate na qual morreram 317 reféns – 186 deles estudantes –, três pessoas que trabalhavam no resgate e dez agentes do Serviço Federal de Segurança da Rússia (FSB, antiga KGB).

Quatro reféns morreram mais tarde em conseqüência dos ferimentos sofridos na escola, o que elevou o número oficial de mortos para 334.

Este número não inclui os 30 terroristas que integravam o comando e que morreram no confronto com as forças de segurança.

O único terrorista sobrevivente do comando checheno que perpetrou o massacre, Nurpashi Kulayev, foi julgado e condenado em maio de 2006 à prisão perpétua.

A maioria das vítimas morreu sob os escombros do edifício e no tiroteio entre os terroristas e as forças de segurança. Sobreviventes e testemunhas acusam os militares de terem se esforçado em matar os terroristas, em detrimento da segurança dos reféns.

Até hoje não se houve erro ou não na atuação das autoridades e das forças de segurança.

Tensão

A extrema tensão entre grupos étnicos diversos na área do Cáucaso persiste. E a grande diversidade de religiões pode gerar novos conflitos. Ossétia, Armênia e Geórgia se vêem como regiões cristãs; outras repúblicas na área (Kabardino-Balkaria, Chechênia, Daguestão, Azerbaidjão) são islâmicas.

Alguns líderes cristãos da região observam uma escalada de tensões entre etnias e pedem oração para que haja estabilidade política entre os vários grupos. Um conflito novo na região poderia ter um efeito de dominó desastroso.

A Igreja nesta área precisa de encorajamento e sabedoria para levar a mensagem do evangelho. Ore pelas vítimas de Beslan.


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