Professora britânica é libertada após indulto do presidente sudanês

A professora britânica Gillian Gibbons, detida no Sudão por permitir que seus alunos batizassem um urso de pelúcia como Maomé, foi libertada hoje, após obter o indulto presidencial, disse um de seus advogados.

O advogado Kamal al-Jizuri afirmou que a professora foi transferida para a embaixada britânica em Cartum e que é possível que retorne a seu país com os dois parlamentares britânicos que negociaram sua libertação.

Após a decisão do presidente sudanês, Omar Hassan Ahmad al-Bashir, de indultar Gibbons, cerca de 300 pessoas se concentraram em frente à embaixada britânica para protestar contra a medida.

Os manifestantes, que pertencem a grupos religiosos islâmicos e de tendência sufi, gritaram palavras de ordem contra o Governo britânico e pediram a execução da professora por esta ter insultado o Islã.

Uma ampla operação policial em torno da embaixada impediu o acesso dos manifestantes à delegação, onde neste momento está Gibbons, acompanhada pelos dois parlamentares muçulmanos britânicos, Nazir Ahmed (trabalhista) e a baronesa Sayeeda Hussain Warsi (conservadora), que negociaram a libertação da professora.

A professora, que ensinava crianças de sete anos na Unity High School em Cartum, tinha sido condenada a quinze dias de prisão e a posterior deportação, por ter colocado em um urso de pelúcia o nome de Maomé, o profeta do Islã. 

No fim de semana, centenas de radicais muçulmanos foram às ruas para pedir a execução da professora. O clima de tensão no país ainda permanece.